Delicadeza do banal

Foto: jornaleconomico.sapo.pt

Não precisamos necessariamente de utopias, mas de horizontes éticos que nos guiem.

Isabel Capeloa Gil, Público, 17.08.21

 

ONG alertam Europa para falta de formação dos juízes portugueses

, escreve o jornal Público (17.10.26) em título.

Começando por confessar a minha absoluta ignorância quanto à formação e ao tipo de formação dos senhores juízes no meu país, não sou capaz de ficar indiferente a algumas conclusões publicadas de alguns juízes no exercício das suas funções.

Não só não fico indiferente como fico profundamente preocupado com a qualidade das palavras de alguns juízes; que levam contra si a sociedade civil, os cidadãos – pois claro! – e instituições com o peso do presidente da República ou da igreja católica.

É caso para ficarmos a pensar seriamente no devir, não é?

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argumento brutal


tanto lixo e a rua a putrificar. tanta merda

(e o teu corpo)

perdido em deambulações.

 

foge da noite

baixa a saia. ninguém vai encarar a liga encarnada

que teimas em exibir. ninguém olha. o teu corpo gélido

acervado de memórias curtas e pesarosas

sempre evasivas. há demasiado ruído no teu olhar; corre

uma espécie espantada de sangue frio em cada movimento

descontrolado. são danças ténues de suor e dúvida.

 

fecha os olhos. só um instante. perderá o animal

que por aí fazes rolar; ganharás outro corpo

noutra rua. ateada e sem lixo. com menos merda.

 

Palavras ocas; vestidas de opacidade

O futuro também muda o passado.

Alexandra Lucas Coelho, in ao deus dará

 

Alguém se lembra do senhor Mario Vargas Llosa?

Aquele senhor que seria programador da Capital Europeia da Cultural em Guimarães (CEC 2012)?

Não foi, pois não?

Claro! O senhor nem (sempre) usa as palavras certas no sítio certo.

Mas, convencido de que é um herói da palavra (não confundir com vendedor de livros que agências promovem com toda a naturalidade dos números da faturação), o dito senhor vaidoso resolveu falar. Em Barcelona.

Caramba! Um ‘dono’ da palavra escrita falou!

Para dizer coisas sem sentido; vestidas de palavras agressivamente encomendadas. Sensatez é algo que não fica à espera de palavras bacocas; sensatez é a verdade saída dos olhares de quem sente os dias e as suas dores na rua da opressão distante.

Pronto senhor! Ainda bem que Guimarães, em 2010, ignorou o seu desejo vazio de ‘programar’ a CEC!

Estamos tão felizes; mesmo a esta distância.

O mesmo não dirão os senhores catalães, principalmente aqueles que viram a praça Urquinaona ocupada por gente sem ideia de estado e nação; recrutada à pressa para engrossar as manias fascistas do senhor Mariano.

 

Não há memória sem esquecimento *

Se voa o mundo como uma enorme barata, o que poderia esperar dos meus semelhantes?

Virgilio Piñera, in O grande Babo e outras histórias

 

Escreve Joaquim Martins Fernandes (Diário do Minho, 17.08.21) que “Braga é a terceira cidade do país no público em espetáculos ao vivo”. E justifica o seu trabalho, ou melhor, a sua afirmação dizendo que “é na área da cultura que Braga se afirma”. E, caramba!, diz o jornalista do Diário do Minho que “só em Lisboa e Porto as sessões de teatro, os concertos e outros espetáculos artísticos cativam mais público que na capital minhota”.

A sério, Joaquim?

E esses números são de onde?

Da Fundação Manuel dos Santos, na base de dados PORDATA?

A sério, Joaquim?

E em que se baseiam esses números da Fundação Manuel dos Santos?

Ah! Só no final da peça jornalística é que descortinamos a verdade:

«trata-se, no entanto, de uma evolução face ao ano de 1999, data em que Braga “não dispunha de nenhuma sala”».

Assim não vale, Joaquim. Quase me convencias que Braga é a terceira cidade portuguesa em espetáculos culturais.

Mesmo que muitas notas oficiais (ou oficiosas) possam servir de suporte a muitos trabalhos jornalísticos.

 

* nem história sem contradição.

 

Perder é importante

Era impossível fazer pior depois de Mesquita Machado, em particular depois dos desastrosos meses do seu derradeiro mandato. Por isso, tendo ganho as eleições de 2013,

a Coligação Juntos por Braga tinha o caminho aberto para brilhar. Conseguiu desiludir em inúmeras áreas, incluindo naqueles em que podia falhar.

Luís Tarroso Gomes, Rua, setembro 2017

 

Olhar zangado

O ato de lançar a tortilha no ar é um triunfo da serenidade sobre o terror.

Virgilio Piñera, in O grande Baro e outras histórias

 

Com a memória do “eu tenho um sonho”, de Martin Luther King, mais de mil líderes religiosos marcharam, 54 anos depois, em Washington, pelos direitos civis e contra o governo de Donald Trump, leio no suplemento do Diário do Minho, Igreja Viva, na sua edição do passado dia 7.

 

Registei do texto, um excerto do que foi dito em público nessa manifestação:

estamos aqui para que o país saiba que não toleramos o racismo. Estamos aqui para que o país saiba que não toleramos o fanatismo.

Há movimentos lindos, às vezes!

 

 

Falar de deus é pecado

Foto: hiveminer.com

Abomino, pelo aborrecido que me palpita ser, a ideia de um medo libertino

Manuel S. Fonseca, E, 17.09.09

 

Coisas que não entendo – ou, se calhar, são (mesmo) só confusão do meu olhar: Rui Massena e o seu Rui Massena Banda tem agendado seis concertos ao vivo. Coisa linda, senhor maestro!

O mais perto dos vimaranenses destes concertos – programado para o dia 26 de janeiro próximo – é em Braga; no Teatro Circo. Merda!

Não era este senhor que andava por terras de D. Afonso em tempos de capital europeia da cultura?

E não era ele que se dizia apaixonado por Guimarães e pelas suas realidades?

Felizmente que há em Guimarães outras coisas lindas. Mesmo na área em que o senhor mastro Massena navega.