lugar performativo

olhares na cidade

destruída; construída a cidade – o olhar atreve-se em ambiente sereno;

húmido

(terá consciência de mim?)

será a imagem da origem de nós diante do abismo?

e se for mesmo só um olhar efémero?

 

tudo é certo; até a encenação do ‘puto grande mimo”

bem ordenado o cartão; é verdade! até vereadores se perfilam

na memória a vibrar

 

destruída; construída a cidade – relâmpagos fortes e agressivos

na noite; vestida de intenso nevoeiro – a memória a vibrar.

o cartão; as caixas ordenadas falta desejo. sim!

 

quem passa ignora os movimentos do corpo

perda de lugar e da memória? mãe não deixes por favor!

as caixas vazias; a cidade perdida – sem memória da origem

 

sempre a sobrevivência!

jamais o silêncio

Os nossos insuficientes políticos não estão capacitados para saber o que deviam saber.

Clara Ferreira Alves, E, 19.06.22

 

Em fevereiro passado, por iniciativa própria, adormeci o meu olhar no devir.

Não foi bom nem mau; apenas uma opção. De momento.

Já passaram uns meses; tempo de uma reflexão – de reflexões capazes de mudarem tantos destinos e coisas.

 

Só que, nestes meses ‘solenes’ (no silêncio foram) o senhor Costa não parou de desiludir, fazendo de conta que os portugueses são todos seus “amigos e clientes” – ou do senhor Rio; que é como quem diz potenciais fregueses dos serviços praticados por privados em áreas onde o setor público tem que ser rei e senhor; ponto. Como forma de evitar que os desgraçados dos portugueses sejam atirados para uma qualquer urgência merdosa num país de merda como é, cada vez mais, o país de Centeno, Costa e Rio

Então o senhor Costa e o forreta (no Porto foi) do senhor Rio querem ver os portugueses; coitados, desgraçados, a sofrerem na pele a dor dos dias?

 

Se calhar podem (no olhar obtuso de Rio e Costa; pessoas que adoram engatar vontades privadas. Pela Saúde e outras coisas rentáveis). Mas, se calhar, há portugueses na merda com atitudes de uns senhores merdosos, não há?

Felizmente que, ainda falta um mês para as férias e depois sessenta dias dirão que as parvoíces de Costa, Rio e unes tipos mascarados de progressistas verão como as urnas só premeiam pessoas e não esquemas merdosos e liberais qualquer coisa.

 

Celebrar o ocaso e o outono

foto: cheia no Campo da Feira, 08.08.26

O jornalista [Joaquim] Novais Teixeira arranjou-me uns biscates para o Estado de S. Paulo. Há uma história engraçada com ele. [Ele disse] este é o José Rentes de Carvalho, escritor.

Rentes de Carvalho, E, 16.04.23

 

1. Falando das realidades – mais ou menos parvas e despidas de conteúdo – que atravessam os dias da minha terra – ah!, nunca serei pirata no mar agitado dos salteadores de tesouros cá do burgo – direi em jeito de introito, que sou um daqueles que nada têm para oferecer aos fantasmas citadinos. Não; não direi jamais “que se lixe a sociedade, os políticos e os líderes”; isso era ficar à espera do abismo!

2. Olhando para a minha terra, o que poderei libertar da minha vontade de dizer, será (mesmo) prender um olhar vadio sobre a fragilidade dos líderes. Políticos, partidários, sociais e (ditos) de elite…

Sim, não há líderes de elite em Guimarães nos dias que atravessam a nossa desilusão. Não; não há! Isso já foi! Há tempos. Recordo; pela proximidade em que vivemos: José Augusto Silva – fomos amigos e vizinhos – e Emídio Guerreiro; jogamos umas vezes às cartas lá em cima no lar que tem o seu nome. Com outro senhor que Guimarães teima em reconhecer: Armando Fernandes.

E lideres sociais? Outro Fernandes; o Joaquim. Irmão do Armando. Dois Fernandes de bitola larga. Este Joaquim de obra publicada: em fotografia; uma Guimarães feita imagem do passado. Ou outro Fernandes, Fernando no primeiro nome. Homem da música ou das artes e ofícios. Também com obra publicada, um senhor na alfaiataria vimaranense.

Paro por aqui; hoje e agora. Porque o passado de homens bons de Guimarães é extraordinariamente marcante. E o presente é tão diferente!

Mas o correr da pena (agora isso já não se diz assim, pois não?) traz-me tantas memórias dos Homens de Guimarães.

3. Resta olhar para os políticos de Guimarães.

E que tal terminar por aqui?

É que a (minha) memória já não é capaz de sorver (um) tempo; mesmo que mais recente que se perde no tempo, mesmo sendo até uma memória que tudo faz para trazer aos dias tão parvos que nos vão desfazendo realidades lindas de antanho.

4. É claro que este é um texto incompleto. Muito mesmo! Por isso, antes de terminar, importa vincar um outro nome. Também Joaquim. Santos Simões. Uma grande marca liderante em Guimarães. E é; é mesmo uma marca liderante! As suas marcas cruzaram a cultura, o associativismo e a política, uma coisa que se perde em terras de D. Afonso, não perde? Ou é mesmo erro meu e as associações já acordaram para o futuro?

Vida de risco

foto: colband.blog.br

Governos conservadores invocam os valores católicos, mas fazem tábua rasa da parábola do bom samaritano.

Timothy Garton Ash, Couurrier internacional, janeiro 2016

 

Leio em Vatican Insider (19.01.16) as palavras do escritor Domenico Agasso Jr sobre as dores por que passam cada vez mais seres humanos e fico convencido da existência da maldade; da crueldade humana. Sendo certo, como vinca Domencio Agassio Jr, que a imigração pressupõe riscos, mas oferece também possibilidades, importa vincar este seu olhar: enfrentar o problema da imigração com lentes de segurança torna-se parcial.

As suas palavras mostram-nos um mundo mau, cheio de desejos malévolos e vontades acorrentadas, Reparemos: Salvini deve ser assunto [“das pessoas deixadas nas estradas ou no mar”] com a sua consciência, não posso julga-lo. Não o entendo.

Ah! Vinca Domenico: eu estou a receber muitos insultos porque confrontei a opção de deixar no mar com a de deixar abandonados os animais na rua.

E não podem ficar em claro estas palavras: o problema da segurança não nos deve fazer tornar uma fortaleza; não é sequer atual num mundo que olha para o futuro globalizando-se ou estas: se eu penso que cada pessoa que vem ter ao meu encontro é um potencial delinquente, terei de fechar-me em casa e não voltar a sair. Ou seja, fala-se do mundo moderno, aldeia global, globalização, mas depois encontramo-nos em situações de um contra o outro: é este o futuro que nos espera?

Ao ler as palavras de Domenico Agasso Jr ocorre-me outras palavras, as de António Vitorino, diretor-geral da Organização Internacional das Migrações (Público, 19.01.25) diz que há um conjunto de fatores que geram instabilidade nos países de destino, e o migrante, o estrangeiro, aparece como bode expiatório fácil de todos esses males.

Será isto?

Alguém tem de ceder

Donald Trump é o exemplo perfeito para ilustra a diferença entre dizer o que nos vem à cabeça e dizer a verdade.

Luís M. Faria, E, 19.01.19

 

O brilho nas pedras? À noite. Em silêncio, em silêncio transparente! Isso é a lua. Uma lua só nossa. E própria das alturas simpáticas que nos prendem à terra.

A morte põe-nos defronte do maior dos abalos e faz de cada um de nós um parvo em frente ao espelho do nada.

Sim, em frente ao espelho do nada temos realidades para nos fazerem meditar. Assim como as que Ângela Silva (Expresso, 19.01.19) vinca: Se os sinais de declínio do PSD não pararem, assumirá Marcelo, com uma recandidatura a Belém, o papel de federador da direita? É o futuro antecipado ou a confirmação de derivas?

Estas águas estão vestidas de memórias frias, vamos lá pedir mais chuva e fazer circular os corpos dos desejos escondidos.

Ainda são quentes estas águas por onde se perdem as memórias frias? Não sei. Repara nestas palavras de Nuno Garoupa (Público, 19.01.18): Desde 1995, os partidos do regime (PS, PSD e CDS) perderam 1,3 milhões de votos. Nem todos foram diretamente para a abstenção. “Apenas” 500 mil.

Morre cedo por aqui o sol, não morre?