Curvas da existência

Como todos os impérios que terminaram, estamos em processo de ruina.
Michael Moore, E, 16.06.18

 

Os dias estão violentos; cada vez mais perigosos.

Tens toda a razão. E sabes que nos conduzem a toda a pressa para o fim?

Concordo inteiramente contigo. Olha para estas palavras de Clara Ferreira Alves (E, 18.09.22): Só a gente que vive em íntimo contato com a violência da água, da terra, do fogo e do ar, muita desta gente tribal e rural, ocupada com a realeza do trabalho manual e afastada da sociedade digital, escuta o silêncio e a ameaça que acontecerá.

Subscrevo por completo, sabes?

Também eu, por isso as vinquei.

Mas, sabes?, o mundo está mesmo numa total ebulição. Repara nesta afirmação: Donald Trump vive nesse mundo da fantasia onde só as suas emoções contam, e, portanto, só a sua realidade é real. Mas também diz aos outros: a vossa realidade não é a real. (Stephen Colbert, E, 18.09.29)

 O senhor Stephen tem toda a razão, não tem?

Se tem!

Pronto, meu caro! Valter Vinagre (Ípsilon, 18.09.28) é que tem razão: nas sociedades desenvolvidas, enquanto valorizamos o bem-estar vamos perdendo uma certa religiosidade. Alguns destas manifestações podem estar associados à procura de uma nova espiritualidade.

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Aprender a juntar forças

Foto: cmjornal.pt
Como é que os governantes conseguem dormir com a consciência tranquila sabendo que há crianças doentes que vivem e dormem em contentores há tantos anos?

Pinto da Costa, presidente do F. C. do Porto, in Público, 18.09.07

Em defesa do Joãozinho, ala pediátrica do Hospital de S. João, no Porto

Aproximação rasante

 

À esquerda, o cimo do terreiro é pisado por todos os homicídios e todo o fragor de desgraça escreve a sua curva.

Jean-Arthur Ribaud, in Iluminações

O futuro é tanto de nós.

Dantes não havia robôs, mas existiam futuros. Muito previsíveis.

Agora que assisto agoniado à linguagem sem coluna vertebral que desenhas ao portão da noite percebo que o futuro que tanto sonhamos acabou. Olha com atenção para aqui: há um relatório da responsabilidade da Agência Europeia para os Direitos Fundamentais que não para de me criar insónias…

Ui! E então?

Como estava a dizer… sendo certo que aquela agência europeia denuncia vários casos de exploração laboral em Portugal (título do Jornal de Noticias (18.09.05) – como seja um trabalhador português, “em situação irregular, que foi obrigado a esconder-se durante três horas e que depois precisou de receber assistência médica” – o que me faz transpirar de raiva é não saber por onde anda a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT). Mas os relatos são tantos que fico com medo de ser português no país onde o governo do senhor Costa fala de rosas lindas no que concerne à diminuição do desemprego.

São seis da tarde e eu, sentado num banco de pedra comprido e debruçado sobre uma mesa de pedra fria, vou lendo mais um autor maldito. Russo. À espera de encontrar o primeiro pecado da escrita. Os melros andam calmos, procuram somente comida para os filhotes. E eu fico a escutar o silêncio todo.

 

Quadro das origens

Rir a caminho da sepultura é absurdo ou é o único comportamento concebível?

Ricardo Araújo Pereira, in A doença, o sofrimento e a morte entram num bar

 

Dilemas com as pessoas (mesmo o povo mais estranho) da minha geração?

São tantos!

É uma geração parva; porque pensa dominar o mundo e os outros. É uma geração cega; incapaz de atender e olhar com atenção para os mais novos; cada vez melhores e mais bem preparados e capazes de fazer muito e melhor. É suicida a minha geração; desconfia de tudo e de todos porque perdeu a confiança em si. Há uns tempinhos; na verdade. Infelizmente a minha geração está à beira do abismo. E teima em continuar a pensar que domina o que sonhou. Está à beira do abismo e continua iludida e convencidamente a berrar e a gesticular como se continuasse eternamente a dominar o mundo.

És um exagerado!

Sou? Olha-me para isto A democracia liberal na união Europeia anda há tempo de mais a representar o papel de sapo na penal que aquece lentamente. De ataque em ataque, personagens como Matteo Salvini ou Viktor Orbán vão aumentando a temperatura das suas ameaças sem que as democracias europeias se indignarem, sem que reajam.

Manuel Carvalho, editorial, Público, 18.08.29

Ups! De que falas tu? Que merdas tão estranhas; violentas!

Achas mesmo? Atenta, então nisto: A urgência ecológica continua a ser subalternizada pelos governos, funcionando como uma flor na lapela de boa consciência logo ultrapassada pelos constrangimentos da agenda económica.

Vicente Jorge Silva, Público, 18.09.02

Ui! Percebo agora, muito bem o que aconteceu em França:

Nicolas Hulot

Para não querer mentir a si próprio, o ministro do Ambiente francês demitiu-se em direto. Cansou-se de ser a flor na lapela de Macron, a quem acusou de falta de compromisso com o ambiente e submissão a grupos de pressão.

Valdemar Cruz, E, 18.09.01

Ah! A minha geração é a que está na política local e nacional, convencida que os outros são empecilhos para as suas vaidades.

Preocupações irrelevantes?

As tempestades só aterram os fracos; os fortes enrijam-se contra elas e fitam o futuro

Machado de Assi, in O Alienista

 

Um pouco por todo o território vimaranense há autoestradas cruzando aldeias e lugares lindos. Essas vias rápidas passam em muitos sítios sob vias mais curtas e muito mais lentas, em viadutos construídos aquando do nascimento dessas autoestradas.

E tem sido (mais ou menos) hábito construir ou colocar barreiras sobre esses viadutos para segurança de quem os atravessa a pé.

É pena que ali em Gémeos, no viaduto que cruza as A7 e A11 que ligam Guimarães ao interior do país, tal não aconteça.

Quando lá passo vejo tantas coisas ruins a cruzarem o pensamento!

 

As memórias políticas deviam existir

Foto: Miguel A. Lopes/Lusa
Estará ainda na memória o quanto foi importante, no período da Troika e do governo do Partido Social Democrata (PSD) e do CDS-Partido Popular, desconstruir uma narrativa neoliberal que deturpava dados da economia e atribuía culpas a supostos comportamentos dos indivíduos (o «gastar acima das suas possibilidades») e do Estado (o «enorme endividamento público»).

Sandra Monteiro, in le Monde diplomatique, agosto 2018

O ar do tempo é um fim

Que intenso odor a falso!

Manuel S. Fonseca, in E, 18.05.26

 

Não; não quero falar de incêndios, nem do calor brutal e agressivamente esclarecedor sobre os exageros humanos, mas sim!, o PCP tem toda a razão: o controlo público da antiga PT e do SIRESP é a solução para evitar aneiras; hábitos economicistas e apertos matadores.

Infelizmente para os portugueses – nem o dito governo da geringonça foi capaz de apagar este incêndio SIRESPiano – a coisa continua como dantes (ou será mesmo pior?).

São os privados que decidem como se apaga (ou afoga) o poder.

O que odeio é que um empresa privada – com sede fora do meu país –, seja capaz de por em sentido um estado democrático.