Enfrentando o fantasma

Foto: arquivos Gesco, in Expresso

O declínio dos partidos tradicionais está a pôr em causa o consenso europeu que garantiu a estabilidade democrática no pós-Guerra
Carlos Gaspar, Investigador do Instituto Português de Relações Internacionais, Expresso, 18.12.29

Como Marine Le Pen, o senhor Ventura não é fascista. Já não se usa. André Ventura é outra coisa: é de extrema-direita, escreve a anterior diretora do jornal Público, Bárbara Reis, na edição da passada sexta-feira, dia11.

Vale a pena ler o texto “o senhor Ventura não é fascista”, inserto na página 11 daquele diário.

Por nada em especial!, perdão!, porque é evidente que as ideias do Chega são aquilo a que se convencionou chamar de extrema-direita.

Perigosa; lunaticamente indesejável para os cidadãos, para as pessoas que nunca souberam (felizmente!) o que foi um país chamado Portugal, nos tempos de um tal António; de Santa Comba.

Ah! Francisco Louçã tem toda a razão: há que simplesmente tratar Ventura como ele é, como faria Natália Correia, notando que se trata de um emproado que quer fazer carreira deitando lama para todo o lado. (Expresso/Economia, 19.10.19)

A casa do pito

foto: Paulo Dumas (reflexo)

Que importância terão as coisas que fizemos neste tempo se não forem significativas para aqueles que partilharam connosco este tempo?

Eliseu Sampaio, editorial Mais Guimarães, 18.12.27

 

Há uma casa comercial na vila termal de Caldas das Taipas que já leva 122 anos de vida. É obra!

Já por lá passaram quatro geração. É tempo a ter em conta!

Mas o curioso é mesmo o nome da casa comercial: a loja do pito. Ele há coisas!

Ah! É uma casa de tecidos que, pegando nas palavras do Paulo Dumas (Reflexo, junho de 2019), já leva ”mais de cem anos de pano para mangas”.

 

Nota de rodapé – O trabalho do Paulo está excelente! Parece que estamos a ver as peças dependuradas na Casa Martinho.

A mentira das férias

foto: esquerda.net

O dinheiro – não crescendo nas árvores, nem medrando nos rios – foi criado por nós à nossa imagem e semelhança: os ricos têm muito, os pobres têm pouco, os miseráveis, nicles.

Ana Cristina Leonardo, E, 19.05.11

 

Herdeiros de Arnaut e Semedo revoltados com o PS, leio (título) no semanário Expresso do passado dia 22.

Herdeiros de quem?

O PS que por aí circula em vaidades insulares sabe lá quem foi um senhor com nome António; Arnaut que faz a diferença.

Pelo menos no BE toda a gente sabe, muito bem, quem foi um senhor de nome João; Semedo com diferenças bem óbvias.

Diferenças! Que a carteira dos portugueses não para de sentir.

Por detrás da aparência

Mudar o mundo é um poço sem fundo. Sem desânimo, sigo trovador.

António Manuel Ribeiro, E, 19.01.19

 

1. A 16 de abril de 1879 o governo português entregou a Soares Velloso e ao visconde da Ermida a concessão e a construção e exploração do caminho-de-ferro de Bougado a Guimarães, com a condição de constituir uma companhia portuguesa que adquirisse o troço do caminho-de-ferro que a “Minho Railway Company” havia construído entre Bougado e Santo Tirso. Estava dado um passo importantíssimo e decisivo na industrialização do vale do Ave. As indústrias da região passavam a ter condições para alargarem os seus mercados dentro de portas e olhar para o mercado externo, especialmente depois de concluída a ligação por caminho-de-ferro ao porto de Leixões.

2. A história parece gostar de repetir-se. Penso isso ao ler no jornal famalicense Cidade Hoje (19.01.24) um texto com assinatura de Alzira Oliveira e Raquel Fernandes que nos diz que a Medway – Operador Ferroviário e Logístico de Mercadorias escolheu a freguesia de Lousado para criar o maior terminal ferroviário da Península Ibérica. Coisa grande, na verdade, num investimento que [também] implica dinheiro público que foi garantido pelo ministro do planeamento e infraestruturas.

3. Considerados os factos históricos na criação do ramal ferroviário com ligação a Guimarães (já foi até Fafe) da linha do Minho, a partir da decisão tornada pública a 16 de abril de 1879, e a realidade empresarial existente em Lousado, centro nevrálgico (a par da Trofa) nas ligações ferroviárias a norte de Portugal, importa dizer que é deselegante, para não utilizar outra expressão, que André Coelho Lima ouse alimentar o populismo – tão perigoso, mas tão em voga –, a propósito deste terminal ferroviário. Dizer que é bom para a nossa região, mas é preocupante para Guimarães que nós estejamos constantemente a passar ao lado dos grandes investimentos. Guimarães está a perder protagonismo regional, para além de demagogia fatalista, significa o quê para vimaranenses?

Nunca será demais ter todos os dados em cima da mesa quando produzimos afirmações com impacto junto das pessoas, não é? E as suas palavras induzem num tremendo erro de análise; oportunista, na verdade!

4. Daí que olhe para um ponto de vista – bem registado em rodapé às palavras de André Coelho Lima: mais lamúrias sem sentido que comprovam que pouca gente tem noção do que diz, inclusive o PSD de Guimarães. Não sei se faria tal afirmação, mas há uma verdade nas palavras de Gabriel Mendes: o terminal ferroviário a construir em Famalicão acontecerá porque Nine sempre foi, devido à sua posição geográfica, um terminal de cruzamento de linhas. Tal como Lousado, na verdade.

5. Noutro local o dirigente nacional do PSD – terminal de mercadorias em Lousado gera discussão na reunião de câmara, título do jornal O Comércio de Guimarães (19.01.23) com assinatura de Elisabete Pinto – André Coelho Lima utiliza palavras provocatórias e que não são sérias. Como estas: devemos estar satisfeitos por estar próximos deste importante equipamento ou por proximidade também podemos beneficiar. Por osmose.

Questionar o dia-a-dia da autarquia vimaranense é, na verdade, papel de André, mas falar de falta de capacidade de atração para Guimarães com provocações não lhe fica nada bem. Se André Coelho Lima não fosse dirigente nacional de um partido com responsabilidades na sociedade portuguesa – o que, desde logo, implica olhar muito para além da paroquialidade (ou bairrismo, como uma certa vimaranensidade adora dizer) e do lugar de nascimento – até seria de ignorar.

Bom rebelde

Sem o reflexo dos outros, sem as palavras dos outros, às quais responder, não podem,0s construir aquilo a que chamamos ‘nós mesmos’.

Alberto Maugnel, E, 18.04.28

 

O PÚBLICO gosta de provocar e inovar. E isso é muito bom. Lançar o desafio para que os seus assinantes se candidatassem às seis vagas existentes para integrar o seu Conselho de Leitores e aparecerem 366 pessoas a inscrever-se é obra, não é?

Manuel Carvalho, o diretor deste diário de referência em Portugal tem razão: tanta gente interessada em integrar o Conselho de Leitores confirma a necessidade que os leitores têm de estar mais perto dos processo de decisão dos jornais e dos jornalistas.

Num tempo desgraçado onde as falsas notícias são uma festa com foguetes a toda a hora, é tão bom olhar para realidades assim!