Um devir em crise

A astronomia será sempre uma solução quando a literatura já não der conta dela.

Alexandra Lucas Coelho, in ao deus dará

 

e pronto! lotação esgotada. de dentro para fora restamos nós. há tanto vazio vestindo palavras.

bela e perigosa; instalada na penumbra da sala, eis a solução. sombra de mitos…

outra vez!

uma maneira de ser feliz – deixemo-nos de olhar a água gelada! – é o olhar; olhar sempre atento. dissecando vazios. o medo.

orgulho-me das tuas escolhas; nunca forma tarefa fácil. sempre adoraste corpos que habitam o calor perto de ti.

há escolhas que se impõem, sabes? há uma bipolaridade exacerbada nos tempos que correm.

se há! ainda n o último fim-de-semana fiquei teimosa e demoradamente a olhar para estas palavras de António Guerreiro, no Ípsilon (17.08.11): Era uma bela utopia: abrir os sites dos jornais e revistas aos comentários dos leitores, promovendo assim o debate, a troca de argumentos, a socialização do saber, o ideal democrático de uma esfera pública alargada e cada vez mais esclarecida, conforme ao projeto moderno de uma sociedade transparente. Resultou, afinal, numa forma tenebrosa de obscurantismo. vês como nem sempre os nossos desejos utópicos são realidades boas?!

infelizmente é verdade e o jornalista tem toda a razão. é por isso que prefiro um olhar sereno; com jardim ao fundo. caminhar em tempos que não fazem sentido é um pesadelo.

os tempos, meu caro, fazem sempre sentido. os atores do tempo é que, tantas e tantas vezes, são parvos, ocos e adoram fazer-se de heróis.

assim do tipo aquele texto de Diogo Queiroz de Andrade (editorial, Público, 17.08.12)?

sim, sim. olha bem: o branqueamento do discurso ofensivo é um problema real, que se repete ciclicamente de cada vez que um André Ventura ou um Gentil Martins decidem balbuciar disparates em público. Eles têm o direito de dizer o que dizem, mas não podem legitimamente esperar não ser criticados — ou condenados — por isso.

Rei inútil

foto: pressminho.pt

À atenção do senhor Barreto, líder distrital bracarense dos socialistas:

No trabalho do semanário Expresso sobre as próximas eleições autárquicas em Portugal escreve o jornalista Filipe Santos Costa que “num distrito que é um molho de brócolos para o PS” há casos a merecer acompanhamento; a sério: Fafe e Vizela.

Consagrar a diversidade

Fomos para o mundo a querer mudar os outros, e incapazes de ser mudados por eles. Ajeitamo-nos, mas não mudamos.

Alexandra Lucas Coelho, in ao deus dará

 

O jornal que se publica na vila de Lordelo – Lordelo Jornal – onde há muito, muito tempo até publiquei umas coisitas, faz muito bem em dar voz aos candidatos a Santa Clara, isto é, à presidência da câmara de Guimarães.

Mas, será distração minha?, não falta por ali qualquer coisinha?

A sério, vi, na página 6 Torcato Faria, da CDU, na 7 André Coelho Lima da Coligação, e nas páginas 8 e 9 Domingos Bragança, do PS – que diferença de páginas! –, mas onde está o ponto de vista de Wladimir Brito, candidato pelo BE?

Ok, ok, o Lordelo Jornal é uma associação local que, por acaso, tem dirigentes seus numa das bancadas da assembleia municipal de Guimarães.

É tempo de voltar para trás?

Amar na dor e na desgraça é a lei suprema da vida.

Raul Brandão, in O pobre de pedir

 

Há um relatório da ONU – completamente indignado que me sinto como português, caramba! – que diz que as condições no Bairro da Torre, “são condições que ninguém espera ver em lado nenhum”.

Bairro da Torre? Onde é que é isso?

Ah! Em Loures. Portugal. “Um dos casos mais graves de falta de condições de vida em Portugal”.

E o que se passa? Vive-se na escuridão total. “Tanto faz ser de dia ou de noite”.

Aconselho leitura do trabalho de Joana Pereira Bastos, no semanário Expresso (17.07.22)

 

Racionalidade tortuosa

A rigidez atinge o seu ponto máximo quando o silêncio se faz rígido.

Virgilio Piñera, in O grande Baro e outras histórias

 

Acreditando nos relatos que nos chegaram da última reunião da câmara de Guimarães, os moradores do centro histórico de Guimarães são uns vidrinhos de cheiro.

Querem tudo limpinho à sua maneira, mas sem barulhos; isso é coisa para labrego que mora extramuros.

Que mania! Desde quando é que a recolha de lixo não faz ruído?

Quantos moradores do centro histórico estão a dormir quando os serviços de recolha de lixo chegam àquele local – cada vez mais a vaca sagrada das manias e das convergências/conveniências de alguns – para (como tem que ser) procederem à limpeza das ruas?

Pena é que haja quem, convencido que em tempo de campanha eleitoral tudo serve para atirar aos olhos incautos, dê cobertura á mania de meia dúzia de convencidos donos do centro histórico de Guimarães.

 

A verdade da ilusão

Se todos vivem como palhaços, como consentir que alguém se manifeste de modo sério?

Virgilio Piñera, in O grande Baro e outras histórias

 

Leio num título do semanário Expresso (17.07.15) uma informação de morte: empresa de ex-assessor de Capoulas faz ajuste direto com o Ambiente.

Comentários?

Para quê? A empresa – com responsabilidade de Gonçalo Alves, chefe de gabinete do ministro da Agricultura; é um dos quatro sócios – é que ganhou o concurso “para prestação de serviços da área das alterações climáticas”.

Ah! Importa dizer que Capoulas [Santos] é ministro do governo do senhor Costa.

 

 

Sons dos ditadores; aconselha-se prudência

Qualquer pessoa que pense que pode resolver os problemas deste mundo com isolacionismo e protecionismo está a cometer um grande erro.

Angela Merkel, in Público, 17.07.17

 

Tenho vergonha de ser europeu numa Europa que fica à espera que um senhor de nome Donald venha a Varsóvia – Varsóvia, capital da Polónia, Polónia populismo, populismo Donald Trump, Donald Trump caos, dores permanentes – dizer que o “ocidente enfrenta ameaças existenciais” – Infelizmente o senhor até tem razão! E goza com essa anomalia do dia-a-dia dos europeus; com essas dificuldades no campo do existencialismo dos estados e dos cidadãos –, vai daí, aterra num dos países mais populista da Europa e entra de cabeça a exibir os populismos que quer para uma coisa vaidosamente só para certos eleitos com nom de G20.

Deve ser por isso que a senhora Merkel não teve – nem terá nunca; enquanto os ismos bem ao gosto dos senhores Putin e Trump por aí andarem livre a enganadoramente à solta – “a cimeira que ambicionava”. (Vale a pena ler com muita atenção – e apreensão o trabalho jornalístico inserido nas páginas 2, 3,4 e 5 do jornal Público do último dia 7, do mês 7 do ano 2017 (tanto sete!, não é?).

Ah! o que foi lamentável foi mesmo as cargas policiais. Vinte mil policias?! Porra!

Seria para esmagar as pessoas que – natural e democraticamente – têm direito a mostrar o descontentamento pelo caos que reina no planeta; por culpa de uma casta vaidosa e destruidora?