Palavras ocas; vestidas de opacidade

O futuro também muda o passado.

Alexandra Lucas Coelho, in ao deus dará

 

Alguém se lembra do senhor Mario Vargas Llosa?

Aquele senhor que seria programador da Capital Europeia da Cultural em Guimarães (CEC 2012)?

Não foi, pois não?

Claro! O senhor nem (sempre) usa as palavras certas no sítio certo.

Mas, convencido de que é um herói da palavra (não confundir com vendedor de livros que agências promovem com toda a naturalidade dos números da faturação), o dito senhor vaidoso resolveu falar. Em Barcelona.

Caramba! Um ‘dono’ da palavra escrita falou!

Para dizer coisas sem sentido; vestidas de palavras agressivamente encomendadas. Sensatez é algo que não fica à espera de palavras bacocas; sensatez é a verdade saída dos olhares de quem sente os dias e as suas dores na rua da opressão distante.

Pronto senhor! Ainda bem que Guimarães, em 2010, ignorou o seu desejo vazio de ‘programar’ a CEC!

Estamos tão felizes; mesmo a esta distância.

O mesmo não dirão os senhores catalães, principalmente aqueles que viram a praça Urquinaona ocupada por gente sem ideia de estado e nação; recrutada à pressa para engrossar as manias fascistas do senhor Mariano.

 

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Perder é importante

Era impossível fazer pior depois de Mesquita Machado, em particular depois dos desastrosos meses do seu derradeiro mandato. Por isso, tendo ganho as eleições de 2013,

a Coligação Juntos por Braga tinha o caminho aberto para brilhar. Conseguiu desiludir em inúmeras áreas, incluindo naqueles em que podia falhar.

Luís Tarroso Gomes, Rua, setembro 2017

 

Elevado desempenho

foto: Miguel A. Lopes (Lusa)

Vocês veem as coisas como elas são e perguntam-se porquê? Eu sonho com coisas que nunca foram e digo: porque não?

George Bernard Shaw, escritor irlandês

 

Há uma entrevista a Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda conduzida pelos jornalistas Adriano Nobre e Luísa Meireles, que tira todas as pedras do caminho por onde seguirá o Portugal do senhor Costa dentro de pouco tempo. É uma entrevista muito, muito importante onde os dias que aí vêm depois das autárquicas – altura em que o senhor Costa perceberá que perdeu – e, no que concerne ao Orçamento de Estado do próximo ano.

Dessa conversa com os jornalistas do Expresso fico, assim de repente, com duas afirmações de Catarina Martins. A primeira que faço questão de vincar é esta: quando se fala de um Bloco brando, é a saudade que a direita tem do partido de protesto.  Que bom! E essa direita anda por aí feita pavão vaidoso, porra!

Depois duas afirmações que sossegam as minhas noites:

Há esta retórica no PS de que se tivesse a maioria absoluta ia fazer o mesmo. Não significa nada, não vai.

E o PS, e não é de agora, interiorizou o discurso de austeridade europeu. Mesmo quando compreende os resultados económicos positivos e fica contente com eles.

Pronto! Sempre gostei de quem não está com meias palavras e mariquices.

Operação de limpeza

É inevitável pecarmos. Mas nem todos reúnem os atrativos ou os meios para prevaricar com variedade e ardor.

Manuel S. Fonseca, E, 17.09.09

 

Li, como sempre leio, o semanário Expresso do último fim-de-semana.

Li, como sempre faço, com a distância que os dias nos provocam. Mas, lendo com toda esta naturalidade, fui incapaz de não notar e de registar estas palavras de Adelino Costa Matos, presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE): há regiões da zona norte onde a taxa de desemprego é baixa e onde os empresários têm dificuldade em recrutar. Há quem queira investir e fazer fábricas, mas não tem trabalhadores para abrir as portas.

E estas: agora lembramo-nos dos milhares de portugueses qualificados e não especializados que saíram do país e que já estão a fazer uma tremenda falta.

Claro!

Os dias continuam, como sempre, indiferentes às nossas vontades e exageros.

Felizmente que um tal de Pedro está quase à porta do cemitério politico. O outro, o Paulo, disse-se por aí, que se ri à fartazana.

 

Politica no paraíso

Foto: Rui Gaudêncio (Público)

O debate no espaço público é fulcral.

António Pinto Ribeiro, Visão, 17.09.07

 

Se o partido vencer, ganham todos. Se perder, o líder não cai. A um mês das eleições… é assim que começa a peça jornalística de Helena Teixeira da Silva, no Jornal de Noticias do passado sábado.

É um trabalho interessante sobre a realidade dos candidatos às eleições que mais motivam as pessoas em Portugal.

 

Desse trabalho destaco o lado direito da página 5 – o trabalho começa na página 4 – o olhar atento sobre o distrito de Braga: Vêm do PS sete dos oito candidatos independentes.

Claro que olhei para as palavras do senhor Barreto, mas sobre elas falarei depois; no dia 2 de outubro.

 

Ah! O inicio da reportagem deveria ser a realidade em todos os partidos; aqui à porta ou num outro lado qualquer.

 

Há uma solução ali; mais à frente

A angústia vem da necessidade de organização, de sistematização, da escolha de momentos que marcaram uma época.

António Borges Coelho, E, 16.04.02

 

De um lado a vida; do outro o desejo mórbido de entrega aos fantasmas que pairam no tempo – pelo tempo dos mortos.

Ui! O fantasma do desaparecimento?

Nunca acreditei na tua declaração de inocência. E, por mais triste que possas parecer, já só uma parte de mim celebra o teu olhar; outra não te vê.

Que queres dizer?

Eu? Na verdade nada; desabafos.

Então porque estás com esse teu olhar?

 

É apenas um olhar no devir. Vê se concordas comigo? Há partidos que parecem cultivar o prazer por não querer ganhar eleições, agindo como se tudo já estivesse no papo.

Onde para a iniciativa que comandava a agenda politica local?

Isso!, isso mesmo. Mas estás a olhar para onde?

Olha, mesmo aqui ao pé da porta…

 

Tricotar a noite na cidade fria

A virtude do mago é de Portugal

Guilherme Glória, in V Império é uma realidade no futebol

 

1. vou sentar-me em silêncio. esperando a razão. e o fim da precipitação dos dias. não suporto estes tempos que impõem olhar um quarto com grades ma janela.

juro-te que quero encarar a luz de frente. mas há razões para ficar inquieto. e já não sou um guardião de memórias. tenho medo dos dias e de quem se quer impor á toa. assim deste tipo: Cavaco Silva tinha muita coisa a dizer. Para quem já tinha dito que iria reformar-se politicamente e que nunca criticaria o seu sucessor, deu um autêntico tiro no pé. Helena Pereira, in Baixos (Altos e Baixos), Expresso, 17.09.02.

 

2. no ruído da rua houve um desafio comovente; um regresso que afasta (de vez) a vergonha que não para de me atravessar a alma. tenho algumas noções do que é a vida, mas tenho medo da forma como a janela projeta a noite.

sempre planeio um caminho, mesmo que a subida à montanha se torne muito dolorosa. é uma longa viagem! ora vê: o ideal de uma homossexualidade completamente despolitizada e silenciosa, subtraída à guerra do reconhecimento, é a mais profunda aspiração dos defensores de uma ordem antiga que se disfarça com roupagens modernas. António Guerreiro, Ípsilon, 17.09.01

 

3. paremos por aqui. olhemos mais para a nossa casa. tenho medo. a janela está ao desmazelo de sempre.

a tua morte faz-me pensar na ausência de projetos. de ideias para além da rotina dos nossos dias. foi dolorosa a tua morte! disseram-me que ela ficaria suavizada depois de escutar os sinos da nossa aldeia.

paremos por aqui. olhemos mais para a tua casa. tenho medo. há uma janela florida. a janela está ao desmazelo de sempre. fico-me com estas palavas: O poder instituído interiorizou a vitória como certa e faz apenas cumprir o calendário da peregrinação habitual. Não muda nada, nem nas opções e nem no discurso. À direita o PSD faz uma coligação redutora que condena qualquer crescimento de centro esquerda apesar do discurso inclusivo do seu líder. Maria do Céu Martins Mais Guimarães O Jornal, 17.08.29

e não são os dias que correm? sem luz e com as janelas mortas, de tanta secura?