Filhos da puta; nem um pingo de inocência

O mundo está esquisito e observamo-lo, analisamo-lo

José Mário Branco, E, 18.06.16

 

Há comerciantes racistas, xenófobos ou, sei lá que mais, por aí; até dói!

Com a calma que só as férias permitem, vi tanta estupidez, tanto sapo à porta de lojas e tanta falta de gosto no (chamado) comércio tradicional que desisti de defender os racistas do comércio local. E nem precisei de sair da cidade de Guimarães. Com gente parva desta dimensão alguém pensa que o comércio local vai longe?

Ah!, também não vou endeusar as grandes superfícies – desde logo, pelos exageros promocionais enganadores, mas nunca vi por ali parvoíces vestidas de sapos parvos e verdes à porta.

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Preocupação com o ordenamento do território?

Os séculos anteriores seriam entediantes e agora, sim, acontecem coisas! Eis o que dirá o contemporâneo fascinado com o seu próprio tempo.

Gonçalo M. Tavares, Expresso, 18.06.30

 

1. O prédio que se agiganta hoje, visivelmente nas barbas do vetusto Mosteiro da Costa é um atentado à paisagem e ao cuidado dos vários planos que Guimarães urdiu pacientemente ao longo de décadas e que lhe deram até hoje um urbanismo aceitável, li, na edição do dia 4 de julho do semanário O Comércio de Guimarães, estas palavras intensas e cheias de eufemismos do líder da Muralha.

2. Rui Vítor Costa tem razão.

3. Mas para um cidadão (do meu tipo) distante dos dislates vimaranenses, fica uma dúvida – do tamanho do mosteiro da Costa – há quanto tempo foi licenciada aquela obra? Num tempo em que já existia a associação de defesa do património de Guimarães; certo?

4. Sim, senhor presidente da Muralha, a construção que cresce – tapando uma visão do mosteiro, “obstrói a visão da pousada”, principalmente a partir de uma linha reta traçada a partir da rua dr. José Sampaio e é – estamos de acordo – “um erro tão assustador e desnecessário, quanto escusado”.

E depois?

5. A associação Muralha não é “uma associação com opinião e com uma obrigação de intervir e alertar”?

Então, desde 2004, onde esteve ou para onde olhou a Muralha?

Há uns tempos – como o tempo passa! – uma outra Muralha abanou Guimarães por causa de uma construção na avenida D. João IV. Alguém se lembra? Por essa altura fez capa mais do que uma vez num jornal vimaranense de referência. Como me lembro! Fechei umas semanas seguidas a edição.

 

Os dias negros que aí estão II

jornaleconomico.sapo.pt

No Céu, se existir, não há risos. As coisas boas não dão vontade rir.

Ricardo Araújo Pereira, in A doçura, o sofrimento e a morte entram num bar

 

Depois daquela parva (e longa) maratona do Conselho Europeu que decorreu até altas horas na última sexta-feira de junho, ainda haverá europeus que acreditem na Europa?

Adoro a ideia de Europa – uma coesão territorial, social, solidária e sem fronteiras –, mas tenho medo ao futuro; do futuro que por aí vem. Os italianos – os políticos oportunistas e populistas, cada vez mais próximos de um tal de Benito –, estão felizes: mandaram às malvas a ideia de uma Europa coesa e solidária e obrigaram a que as palavras – vagas, sem conteúdo e evasivas –, finais do encontro lhe satisfizessem o ego. Os tipos – protofascistas de um Leste em pânico depois da invasão de uns tanques assassinos – ajudaram imenso às estapafúrdias vontades italianas.

Agora, e para mim é mesmo uma novidade nas palavras: temo pela senhora Merkel, pelo seu futuro politico.

Olha; olha! II

imagem: visao.sapo.pt

 

O mercado serve-se da ética para dar lucro, não para se autorregular.

Marta Mendonça, E, 18.06.30

 

O senhor Costa pode ser um benfiquista assim a modos que benfiquista, mas o seu governo gosta muito do verde; pelo menos (voltou) a permitir a manutenção – em subida – dos recibos verdes.

Caramba!

Então, no final do ano passado, “quando já estava em curso o programa de regularização da precariedade do estado, o número de prestações de serviços no setor público aumentou para 17.728”. (Público, 18.07.10)

Caramba!

Ai o governo do senhor Costa!

 

Ratos na sala de visitas?

Já escreveu de tudo o que sabia, e agora anda às voltas com tudo o que não sabe.

Ernest Hemingways, in Fiesta

 

Pelos vistos há ratos no centro histórico de Guimarães ratos! Mesmo ratos; roedores…

E a coisa parece ter dimensões dantescas; assim tipo aquele filme de 2006 ratos – invasão em Paris, de Charlotte Brandstrom. Já viram?

Imagine-se que até o ferreiro mais famoso do território vimaranense (e que passa os dias ali mesmo ao lado da praça de Donães), diz sofrer com a reprodução descontrolada dos bichanos que um certo sexo feminino abomina!

Caramba! Tanta ratice!

Ah! A senhora vereadora responsável pelos serviços urbanos e ambiente em Guimarães – leio na peça que a Elisabete Pinto assina na edição do dia de santo António de O comércio de Guimarães –, e depois de afirmar que “não esconde a preocupação e a existência do problema”, afirma que a autarquia vimaranense faz a desinfeção periodicamente. E eu acredito; acredito mesmo! Até porque depois de umas legionellas pequenitotas que ocuparam, de forma selvática e abusiva, certas fontes cá do burgo ninguém quer ratos no espaço público vimaranense, pois não?

Era o que faltava!

 

Poeira das imagens

Espero a chuva de inverno que lave as ruas.

Ana Cristina Leonardo, E, 17.09.29

 

Se o governo presidido pelo senhor Costa for capaz de concretizar em lei e no dia-a-dia das pessoas que “as garrafas de plástico vão ter tara recuperável a partir de 2022” (título do jornal Público, 18.06.07) ficará na história das cosias boas quando se falar de Ambiente em Portugal.

Mas, da minha parte, não só vou ficar a ver onde vão parar as modas. Desde logo, porque não tenho medo em afirmar: como posso acreditar num ministro do Ambiente que diz, desdiz e faz de conta?

Olhemos, por favor!, para o que (não) aconteceu no rio Tejo!

Felizmente, que pelo menos para isso, a chuva não larga o país!

Somos mesmo idiotas?

 

Toda a ilegalidade carreia no seu executor um suplemento vitamínico de consciência.

Manuel S. Fonseca, E, 18.05.12

 

Os termómetros continuam a subir e estão mais acelerados no continente europeu. Porém, pouco se tem feito para inverter esta tendência. E a verdade é que a temperatura na Europa subiu muito mais do que no resto do mundo. E o sistema Copérnico revela que termómetros aumentaram 0,8 graus na Europa e 0,5 no planeta. Está tudo num trabalho jornalístico de Carla Tomás (Expresso, 18.04.28).

Segundo a peça não há uma explicação linear para este fenómeno, mas os cientistas sabem que as temperaturas sobem mais nos continentes do que nas zonas oceânicas. E outra triste realidade é que a seca extrema que atingiu 90% do território português (…) e os dramáticos incêndios de junho e outubro do ano passado são exemplos de consequências associadas ao aumento das temperaturas do ar. Daí que, conclui a jornalista, seja “necessário reduzir as emissões de gases de efeito de estufa (GEE) no planeta, limitando o consumo de combustíveis fosseis, a desflorestação e os incêndios, e fazendo a transição energética da economia para enfrentar as alterações climáticas.

Já sabíamos disso, mas nunca é demais repetir. Até porque somos, ou temos a tendência a ser, muito casmurros. E queremos lá saber dos avisos que a natureza nos vai fazendo. Cada vez mais maior acuidade, mas também violência.

E depois, como fica claro no texto da jornalista do semanário Expresso, não nos preocupa muito que as consequências sejam “graves em termos ambientais, sociais e económicos”, pois não?

Mas era bom, aliás, é urgente que pensemos bem nas asneiras que vamos fazendo a todo o momento.