Debaixo da cidade

O nosso (Plano Diretor Municipal] PDM não reflete as exigências do paradigma atual de sustentabilidade e muito menos a ambição declarada do município [de Guimarães] em ser “mais do que verde” (seja lá o que isso for), pelo que vai sendo tempo de pensar na sua revisão.

José Cunha, reflexodigital, 19.01.31

Boa consciência

Leio para conhecer a interrupção.

Alberto Maugnel, E, 18.04.28

 

1. O bom povo português tem sempre razão quando diz não olheis para o que eu faço, mas para o que eu digo! É um povo ligado a liturgias, cada vez menos intensas, é certo, mas é um povo que foi enorme

Ou então, num olhar não menos religioso: bem prega frei Tomás!

2. Então o estado português, cujo governo é chefiado pelo senhor Costa, só tem um veículo a gás e 55 carros elétricos? Isto é que é olhar o devir; bem resguardado das preocupações ambientais!

Leio no jornal Público (19.02.02), que o atual governo não cumpre metas para carros poluentes nas novas aquisições. Que se pode, afinal, dizer?

Ah! O ditado popular do Frei Tomás!

Era tão bom que todos lêssemos a peça com assinatura de Helena Pereira – carros a gasóleo, poluentes e com mais de 15 anos!

É o exemplo do estado que vamos alimentando ou que nos vão iludindo com palavras do tipo homilia ritual?

Colapso sobre rodas

Falemos de nós omitindo o que não fizemos.

Javier Marias, E, 19.01.12

 

O governo presidido pelo senhor Costa, com a ajuda do BE e do PCP, foi dando aos portugueses (algumas) coisas lindas; é verdade! E quando é verdade, importa vincar essa verdade.

Infelizmente nem tudo são rosas!

E então nas obras públicas e no ambiente!

Estamos falados, não estamos?

No último fim-de-semana a imprensa mostra-nos uma realidade para fazer pensar; melhor, preocupante no que às políticas ambientais diz respeito. Olhemos então esta afirmação, inserida no caderno de Economia do semanário Expresso: Não se conhece ao Governo de António Costa uma política de incentivos maciça à compra de carros elétricos.

E a rubrica Gente daquele semanário? Olhemos então: De cada vez que Pedro Marques vai a um local e inaugura uma obra que não está pronta ou promete milhões que ninguém sabe se algum dia existirão cumpre mais uma etapa da chamada “Operação Marques (não confundir com a Operação Marquês, que é a do…esse…). Ups!

Ó pá! o senhor Costa e o seu partido têm um trabalho sério pela frente, não têm? E a verdade é que já se vê essa labuta: Pedro Marques vai emigrar; para Bruxelas.

E o senhor (que devia ser responsável pelo Ambiente – como é mesmo o seu nome, como é? – vai para o Porto. Regressa a casa; de onde não deveria ter saído.

Constante reflexão

Não acredito muito na esperança. Não vejo muitas razões para a ter no mundo de hoje.

Jonathan Littell, E, 19.01.05

 

O presidente da associação vimaranense para a ecologia (Ave) Jónatas Couto, concede uma entrevista ao Jornal de Noticias (19.01.06) que os vimaranenses; todos os vimaranenses, independentemente das suas ores partidárias ou ligações religiosas, deviam ler. Desde logo, para agir; imediatamente.

É um olhar oportuno e fundamental sobre a realidade da montanha mais bela de Guimarães. Pela sua importância e impacto futuro nas nossas vidas ou a dos nossos filhos importa vincar, coim toda a veemência que há uma questão pertinente [na Penha] que são os 425 hectares que eram reserva ecológica ou agrícola. Temos um problema que tem a ver com a construção desenfreada que está a acontecer. Daqui a pouco só temos aquele bocadinho lá em cima, que felizmente a Irmandade da Penha preserva bem.

É sério, senhores! E o pior, diz Jónatas Couto, é que se nada for feito na Penha, vamos ter uma favela para ricos. Fala-se em empreendedores e empresários da construção civil que já compraram os seus lotes na encosta da Penha.

E, sendo certo, que a câmara quer fazer alguma coisa na encosta até pela questão das chuvas, como diz o atual líder da Ave, a verdade é que é preciso ver a montanha na questão dos licenciamentos. Isto é, travar a favela dos ricos no monte de santa Catarina.

Contar algo de novo

A tendência dos nossos políticos para solenizar transforma vulgares declarações de ambição num certo pronunciamento.

Ana Cristina Leonardo, E, 17.10.14

 

O texto cidades saudáveis – jornal Público, 18.12.28 – de Gonçalo Canto Moniz é uma leitura dos dias citadinos que violentam as nossas vidas. Mas, muito mais do que o olhar sobre as dores que vamos sentido diariamente, as palavras do investigador do Centro de Estudos Sociais e professor no Departamento de Arquitetura da Universidade de Coimbra obriga a pensar (ou repensar) a forma como o poder político (principalmente, mas não só) olha para o crescimento do território – embora transitoriamente – de que é responsável. Ou melhor: como esse poder próximo das pessoas não olha para as pessoas. Porque, sendo (tantas e tantas vezes) um poder interesseiro, esquece que transformar as cidades jamais pode ser uma transformação contra as pessoas. Ou seja, torna-se urgente colocar os cidadãos no centro do processo de transformação das cidades, porque são eles que as vão criar, usar e manter.

Como subscrevo este olhar de Gonçalo Canto Moniz!

É uma lição para tantos autarcas vaidosos e convencidos, não é?