Ratos na sala de visitas?

Já escreveu de tudo o que sabia, e agora anda às voltas com tudo o que não sabe.

Ernest Hemingways, in Fiesta

 

Pelos vistos há ratos no centro histórico de Guimarães ratos! Mesmo ratos; roedores…

E a coisa parece ter dimensões dantescas; assim tipo aquele filme de 2006 ratos – invasão em Paris, de Charlotte Brandstrom. Já viram?

Imagine-se que até o ferreiro mais famoso do território vimaranense (e que passa os dias ali mesmo ao lado da praça de Donães), diz sofrer com a reprodução descontrolada dos bichanos que um certo sexo feminino abomina!

Caramba! Tanta ratice!

Ah! A senhora vereadora responsável pelos serviços urbanos e ambiente em Guimarães – leio na peça que a Elisabete Pinto assina na edição do dia de santo António de O comércio de Guimarães –, e depois de afirmar que “não esconde a preocupação e a existência do problema”, afirma que a autarquia vimaranense faz a desinfeção periodicamente. E eu acredito; acredito mesmo! Até porque depois de umas legionellas pequenitotas que ocuparam, de forma selvática e abusiva, certas fontes cá do burgo ninguém quer ratos no espaço público vimaranense, pois não?

Era o que faltava!

 

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Amanhã ainda cá estamos?

foto: climatempo.com.br
Apesar de Guimarães estar a quarenta quilómetros do mar, não podemos pensar que não temos responsabilidades na sua contaminação. São os rios que alimentam os oceanos, levando a água, e tudo o mais que nela for depositado.

José Cunha, in reflexodigital, 18.06.14

 

 

Poeira das imagens

Espero a chuva de inverno que lave as ruas.

Ana Cristina Leonardo, E, 17.09.29

 

Se o governo presidido pelo senhor Costa for capaz de concretizar em lei e no dia-a-dia das pessoas que “as garrafas de plástico vão ter tara recuperável a partir de 2022” (título do jornal Público, 18.06.07) ficará na história das cosias boas quando se falar de Ambiente em Portugal.

Mas, da minha parte, não só vou ficar a ver onde vão parar as modas. Desde logo, porque não tenho medo em afirmar: como posso acreditar num ministro do Ambiente que diz, desdiz e faz de conta?

Olhemos, por favor!, para o que (não) aconteceu no rio Tejo!

Felizmente, que pelo menos para isso, a chuva não larga o país!

Há pedras no caminho; sim senhor!

 

O sítio onde estás é largamente responsável pelo que és.

Wim Wenders, E, 18.06.02

 

A ecovia – todas as ecovias – que (quase) já cruza Guimarães de lés-a-lés no seu miolo mais ou menos urbano, é para quê? Ou para quem?

A foto mostra uma realidade vimaranense quase diária. Facilmente localizável; na saída do miolo urbano e em direção à veiga que (ainda) alimenta a cidade.

O que estará mal?

O dinheiro público gasto num espaço para as pessoas usufruírem ou o atropelo dos automóveis?

Sendo certo que, formal e oficialmente, não existe ecovia de Guimarães, não ficaria nada mal às policias irem circulando por aqueles equipamentos, pois não?

Até podia ser de bicicleta. Afinal os vimaranenses já viram tantas fotografias e vídeos dessa realidade em alguns momentos promocionais!

 

Somos mesmo idiotas?

 

Toda a ilegalidade carreia no seu executor um suplemento vitamínico de consciência.

Manuel S. Fonseca, E, 18.05.12

 

Os termómetros continuam a subir e estão mais acelerados no continente europeu. Porém, pouco se tem feito para inverter esta tendência. E a verdade é que a temperatura na Europa subiu muito mais do que no resto do mundo. E o sistema Copérnico revela que termómetros aumentaram 0,8 graus na Europa e 0,5 no planeta. Está tudo num trabalho jornalístico de Carla Tomás (Expresso, 18.04.28).

Segundo a peça não há uma explicação linear para este fenómeno, mas os cientistas sabem que as temperaturas sobem mais nos continentes do que nas zonas oceânicas. E outra triste realidade é que a seca extrema que atingiu 90% do território português (…) e os dramáticos incêndios de junho e outubro do ano passado são exemplos de consequências associadas ao aumento das temperaturas do ar. Daí que, conclui a jornalista, seja “necessário reduzir as emissões de gases de efeito de estufa (GEE) no planeta, limitando o consumo de combustíveis fosseis, a desflorestação e os incêndios, e fazendo a transição energética da economia para enfrentar as alterações climáticas.

Já sabíamos disso, mas nunca é demais repetir. Até porque somos, ou temos a tendência a ser, muito casmurros. E queremos lá saber dos avisos que a natureza nos vai fazendo. Cada vez mais maior acuidade, mas também violência.

E depois, como fica claro no texto da jornalista do semanário Expresso, não nos preocupa muito que as consequências sejam “graves em termos ambientais, sociais e económicos”, pois não?

Mas era bom, aliás, é urgente que pensemos bem nas asneiras que vamos fazendo a todo o momento.

 

A mudança não está à vista

 

Não é verdade que investir em cultura se perca em coesão social

Rui Moreira, E, 16.01.22

 

Para o Instituto Politécnico do Cávado e Ave (IPCA) “a falta de transportes entre os municípios do quadrilátero” continua, por estes dias (mais os de ontem do que os de amanhã), a ser a pedra de toque do crescimento e da harmonia no interior de um quadrilátero pouco exigente e distante dos dias das pessoas.

Calma! Quem o diz – referindo-se muito especificamente às dores do IPCA – é Maria José Fernandes, uma senhora que é perentória: “a mobilidade não é só para o IPCA, mas para toda a população”.

Olhando para os números apresentados pela senhora presidente do IPCA – mais de três mil almas movendo-se entre as cidades de Guimarães, Barcelos e Braga – entre as 08H20 e as 23H00 –“ não faz muito sentido” que seja a instituição privada de ensino a “suportar a despesa” os custos desta mobilidade.

Não estive no pequeno-almoço que os senhores do conselho de administração dos transportes urbanos de Braga realizam mensalmente, mas, ciente de que a mobilidade no velho minho é um problema muito sério e a merecer (mais do que uma reflexão profunda) decisões de fundo, fico com uma dúvida do tamanho das cifras que controlam investimos privados: por que carga de água tem que ser o poder público a pagar ligações assim?

Ah! Se a ideia para minimizar esta realidade passar por uma rede de transportes, até pode ser que a coisa mude de figurino!

Mas fica(-me) uma dúvida importante: saber quem paga; e a vai gerir.

 

Eis-nos; então no fim

foto: EPA/HARISH TYAGI

Para provar a si próprio a inexistência de Deus, ele estava agora no meio da sala de jantar no hotel mais famoso da cidade, com os porcos a caírem-lhe da boca para fora

Salman Rushide, in Versículos Satânicos

Ups! Que caos!

Ilha de plástico do Pacifico tem 17 vezes o tamanho de Portugal, título do jornal Público, 18.03.23

Num trabalho com a assinatura de Teresa Serafim ficamos com mais uma preocupação sobre os dias destruidores que aí vêm: “grande mancha de lixo” que povoa o oceano Pacifico “é um a ilha em que não se pode andar” porque é “toda feita de plástico flutuante”. Uma ilha que prende e mata as espécies animais e, nas suas ínfimas partículas, já começou a entrar na cadeia alimentar. Os humanos, os mesmos humanos que criaram o plástico, vamos morrer pelo plástico. E não é só por causa das partículas das garrafas por onde os humanos bebem a água (cada vez mais poluída). E sim porque o plástico asfixia.

Umberto Eco é que tinha razão, pouco tempo antes de nos deixar, quando manifestava publicamente a sua preocupação com o plástico.