Mau Ambiente

A Terra está doente e precisa que cada cidadão do mundo seja um escuteiro.

Domingos Bragança, na inauguração do monumento ao escutismo em S. João de Ponte, 16.12.08

 

1. Realidades que importa ter presente quando olhamos para o último ato eleitoral que teve lugar em Portugal; em maio: O BE é campeão do clima na Europa, CDS o pior classificado (título do jornal Público, 19.04.19)

Ah! A peça, com assinatura de Luciano Alvarez, não deixa dúvidas: PS e PCP também obtém notas positivas. PSD integra o grupo com piores médias.

 

2. Realidades que importa ter bem presente quando, em outubro próximo, os portugueses voltarem às urnas: não é aquela coisa que mistura animais, plantas, pessoas, touradas e coisas bem menos óbvias, que se preocupa com o futuro dos portugueses. É gente que segue as modas das redes sociais.

Ali não há algodão; como na promoção do detergente.

 

3. Realidades para olhar com atenção: se Portugal é uma gota minúscula no planeta, não deixa de ser importante que os portugueses votem com as preocupações ambientais em cima da mesa. E o texto do jornalista do Público deve fazer-nos pensar.

 

4. Em suma: estando, como está – cada vez mais –, em causa o fim do planeta, devia ser importante que os portugueses olhassem a sério para o futuro. No passado dia 26 de maio já mostraram um pequeno ‘olhar’ sobre esta realidade. Infelizmente ninguém ligou às eleições europeias.

Mas, as legislativas, estão aí!

Vale a pena entrar na sala de voto com a mente aberta.

 

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Celebrar o ocaso e o outono

foto: cheia no Campo da Feira, 08.08.26

O jornalista [Joaquim] Novais Teixeira arranjou-me uns biscates para o Estado de S. Paulo. Há uma história engraçada com ele. [Ele disse] este é o José Rentes de Carvalho, escritor.

Rentes de Carvalho, E, 16.04.23

 

1. Falando das realidades – mais ou menos parvas e despidas de conteúdo – que atravessam os dias da minha terra – ah!, nunca serei pirata no mar agitado dos salteadores de tesouros cá do burgo – direi em jeito de introito, que sou um daqueles que nada têm para oferecer aos fantasmas citadinos. Não; não direi jamais “que se lixe a sociedade, os políticos e os líderes”; isso era ficar à espera do abismo!

2. Olhando para a minha terra, o que poderei libertar da minha vontade de dizer, será (mesmo) prender um olhar vadio sobre a fragilidade dos líderes. Políticos, partidários, sociais e (ditos) de elite…

Sim, não há líderes de elite em Guimarães nos dias que atravessam a nossa desilusão. Não; não há! Isso já foi! Há tempos. Recordo; pela proximidade em que vivemos: José Augusto Silva – fomos amigos e vizinhos – e Emídio Guerreiro; jogamos umas vezes às cartas lá em cima no lar que tem o seu nome. Com outro senhor que Guimarães teima em reconhecer: Armando Fernandes.

E lideres sociais? Outro Fernandes; o Joaquim. Irmão do Armando. Dois Fernandes de bitola larga. Este Joaquim de obra publicada: em fotografia; uma Guimarães feita imagem do passado. Ou outro Fernandes, Fernando no primeiro nome. Homem da música ou das artes e ofícios. Também com obra publicada, um senhor na alfaiataria vimaranense.

Paro por aqui; hoje e agora. Porque o passado de homens bons de Guimarães é extraordinariamente marcante. E o presente é tão diferente!

Mas o correr da pena (agora isso já não se diz assim, pois não?) traz-me tantas memórias dos Homens de Guimarães.

3. Resta olhar para os políticos de Guimarães.

E que tal terminar por aqui?

É que a (minha) memória já não é capaz de sorver (um) tempo; mesmo que mais recente que se perde no tempo, mesmo sendo até uma memória que tudo faz para trazer aos dias tão parvos que nos vão desfazendo realidades lindas de antanho.

4. É claro que este é um texto incompleto. Muito mesmo! Por isso, antes de terminar, importa vincar um outro nome. Também Joaquim. Santos Simões. Uma grande marca liderante em Guimarães. E é; é mesmo uma marca liderante! As suas marcas cruzaram a cultura, o associativismo e a política, uma coisa que se perde em terras de D. Afonso, não perde? Ou é mesmo erro meu e as associações já acordaram para o futuro?

Por detrás da aparência

Mudar o mundo é um poço sem fundo. Sem desânimo, sigo trovador.

António Manuel Ribeiro, E, 19.01.19

 

1. A 16 de abril de 1879 o governo português entregou a Soares Velloso e ao visconde da Ermida a concessão e a construção e exploração do caminho-de-ferro de Bougado a Guimarães, com a condição de constituir uma companhia portuguesa que adquirisse o troço do caminho-de-ferro que a “Minho Railway Company” havia construído entre Bougado e Santo Tirso. Estava dado um passo importantíssimo e decisivo na industrialização do vale do Ave. As indústrias da região passavam a ter condições para alargarem os seus mercados dentro de portas e olhar para o mercado externo, especialmente depois de concluída a ligação por caminho-de-ferro ao porto de Leixões.

2. A história parece gostar de repetir-se. Penso isso ao ler no jornal famalicense Cidade Hoje (19.01.24) um texto com assinatura de Alzira Oliveira e Raquel Fernandes que nos diz que a Medway – Operador Ferroviário e Logístico de Mercadorias escolheu a freguesia de Lousado para criar o maior terminal ferroviário da Península Ibérica. Coisa grande, na verdade, num investimento que [também] implica dinheiro público que foi garantido pelo ministro do planeamento e infraestruturas.

3. Considerados os factos históricos na criação do ramal ferroviário com ligação a Guimarães (já foi até Fafe) da linha do Minho, a partir da decisão tornada pública a 16 de abril de 1879, e a realidade empresarial existente em Lousado, centro nevrálgico (a par da Trofa) nas ligações ferroviárias a norte de Portugal, importa dizer que é deselegante, para não utilizar outra expressão, que André Coelho Lima ouse alimentar o populismo – tão perigoso, mas tão em voga –, a propósito deste terminal ferroviário. Dizer que é bom para a nossa região, mas é preocupante para Guimarães que nós estejamos constantemente a passar ao lado dos grandes investimentos. Guimarães está a perder protagonismo regional, para além de demagogia fatalista, significa o quê para vimaranenses?

Nunca será demais ter todos os dados em cima da mesa quando produzimos afirmações com impacto junto das pessoas, não é? E as suas palavras induzem num tremendo erro de análise; oportunista, na verdade!

4. Daí que olhe para um ponto de vista – bem registado em rodapé às palavras de André Coelho Lima: mais lamúrias sem sentido que comprovam que pouca gente tem noção do que diz, inclusive o PSD de Guimarães. Não sei se faria tal afirmação, mas há uma verdade nas palavras de Gabriel Mendes: o terminal ferroviário a construir em Famalicão acontecerá porque Nine sempre foi, devido à sua posição geográfica, um terminal de cruzamento de linhas. Tal como Lousado, na verdade.

5. Noutro local o dirigente nacional do PSD – terminal de mercadorias em Lousado gera discussão na reunião de câmara, título do jornal O Comércio de Guimarães (19.01.23) com assinatura de Elisabete Pinto – André Coelho Lima utiliza palavras provocatórias e que não são sérias. Como estas: devemos estar satisfeitos por estar próximos deste importante equipamento ou por proximidade também podemos beneficiar. Por osmose.

Questionar o dia-a-dia da autarquia vimaranense é, na verdade, papel de André, mas falar de falta de capacidade de atração para Guimarães com provocações não lhe fica nada bem. Se André Coelho Lima não fosse dirigente nacional de um partido com responsabilidades na sociedade portuguesa – o que, desde logo, implica olhar muito para além da paroquialidade (ou bairrismo, como uma certa vimaranensidade adora dizer) e do lugar de nascimento – até seria de ignorar.

Debaixo da cidade

O nosso (Plano Diretor Municipal] PDM não reflete as exigências do paradigma atual de sustentabilidade e muito menos a ambição declarada do município [de Guimarães] em ser “mais do que verde” (seja lá o que isso for), pelo que vai sendo tempo de pensar na sua revisão.

José Cunha, reflexodigital, 19.01.31

Boa consciência

Leio para conhecer a interrupção.

Alberto Maugnel, E, 18.04.28

 

1. O bom povo português tem sempre razão quando diz não olheis para o que eu faço, mas para o que eu digo! É um povo ligado a liturgias, cada vez menos intensas, é certo, mas é um povo que foi enorme

Ou então, num olhar não menos religioso: bem prega frei Tomás!

2. Então o estado português, cujo governo é chefiado pelo senhor Costa, só tem um veículo a gás e 55 carros elétricos? Isto é que é olhar o devir; bem resguardado das preocupações ambientais!

Leio no jornal Público (19.02.02), que o atual governo não cumpre metas para carros poluentes nas novas aquisições. Que se pode, afinal, dizer?

Ah! O ditado popular do Frei Tomás!

Era tão bom que todos lêssemos a peça com assinatura de Helena Pereira – carros a gasóleo, poluentes e com mais de 15 anos!

É o exemplo do estado que vamos alimentando ou que nos vão iludindo com palavras do tipo homilia ritual?