Esculpir o silêncio

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Talvez a destruição que parte dos EUA enfrentam e cuja dimensão é também resultado das alterações climáticas faça

mudar de ideias

um Presidente que em junho passou a rasgar o Acordo de Paris sobre clima.

Francisco Ferreira, presidente da ZERO, Público, 17.09.08

 

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Recuso ser mais uma vítima da moda

As coxas, apesar do seu coxear, vão e vêm pelas ruas.

Virgilio Piñera, in O grande Baro e outras histórias

 

 

Coisas que não entendo na minha cidade, a Guimarães que será (alguém duvida?) uma referência ambiental nos próximos tempos: a travessa de Camões com trânsito.

Não me entra; a minha cabeça sempre ocupada com outras realidades bem mais simpáticas não aceita, pronto!

E então ver as pessoas na ‘esplanada’ (quase no fim da dita) de um restaurante (ali localizado) a ‘gramarem’ com dose massivas de dióxido de carbono diz-me que não há quem saiba como viver. Ou não queira saber.

Pronto!

Jamais faria uma refeição ali, na travessa de Camões. Nem guardarei a bicicleta do lado esquerdo da travessa onde há uma planta velha e a morrer.

Uma forma de estar no mundo

Nós precisamos de um espelho o mais diferente possível de nós para medir melhor o que somos e não somos capazes.

Eduardo Lourenço, Público, 17.07.31

 

Coisas que não compreendo, principalmente nestes dias azedos, quentes e agrestes: regar varandas, com enormes quantidades de água desperdiçada. E então em tempo de seca!

Pois bem, a verdade é que isto acontece – todas as noites – numa qualquer varanda da cidade vimaranense. Provavelmente noutras zonas urbanas também.

Mas, porra!, com o vamos ser capazes de abraçar um desafio para capital verde quando somos incapazes de dizer às pessoas que regam varandas: vocês são parvos ou não pensam no futuro?

 

 

Espaços de permanência?

A coisa melhor da noite era que não existia o dia, a coisa pior do dia era que só existia a noite.

Alexandra Lucas Coelho, in ao deus dará

 

Ainda, e mais uma vez – com toda a naturalidade da constatação – vale a pena olhar para comparações a fazer (com maior incidência; tipo cartazes eleitorais nas fronteiras de outros territórios com mensagens ocas, balofas e feitas confetes de confraria em festa de aldeia) nas próximas horas: à partida, passar o mês de agosto em Braga é uma ideia deprimente. Não há um parque para passear, não há local para andar uns quilómetros de bicicleta sossegado, a única praia fluvial decente vai estar sempre cheia. (Luís Tarroso Gomes, revista Rua, agosto 2017)

E se Luís Tarroso Gomes não fosse um cidadão da cidade dos arcebispos?

 

Mas também Rui Marado Moreira, revista Rua, agosto 2017, não deixa grandes possibilidades de comparações entre realidades vizinhas: sem rodeios, a melhor coisa que se pode fazer em Braga durante o verão é ir a Esposende. Ou a Caminha, para quem estiver disposto a andar mais um pouco.

Ainda bem que, quer Luís Tarros Gomes quer Rui Marado Moreira são cidadãos atentos às realidades de um certo modo de fazer saloio e vestido de luzes muito brilhantes.

 

Sabe sempre bem estar deste lado admirando quem, de dentro, desmonta as vaidades e ilusões atiradas aos olhares dos cidadãos.

Deformação da pulcritude

Somos nesta nossa cidade portadores de um segredo, um tesouro que nos foi deixado chamado identidade.

Marcos Barbosa, Mais Guimarães O Jornal, 16.07.05

 

Os bancos de jardim na Alameda S. Dâmaso dão um ar de calmaria aquele espaço de excelência na cidade de Guimarães inquestionável.

Pena é que estejam totalmente borrados de dejetos de pombas.

O local merece outra atenção, não merece?

E já agora a responsabilidade será da câmara de Guimarães ou da União de Freguesias da cidade?

Choque ao contrário

A virtude da senhora mantinha-se pela prostituição da moleca. Por isso, também era melhor que os escravos não casassem.

Alexandra Lucas Coelho, in ao deus dará

 

1. A frase pintada num muro na cidade de Barcelona – Tourist go home – não é simpática, mas, como os habitantes daquela cidade se queixam do “turismo em excesso” – tal e qual como os vimaranenses que sentem a cidade e não se deixam endeusar por números que são uma merda feita treta de agências turísticas –, é um caso sério nos dias que correm e será pior no futuro.

 

2. Em catalão seny significa sensatez e sentido comum, escreve Nuno Ribeiro no jornal Público do passado dia 5. A peça que está na base do trabalho jornalístico – turistas são alvo na Catalunha, com pano de fundo do independentismo –, é um olhar muito sério da preocupação permanente sobre os exageros da faturação; com incidência no campo turístico.

É verdade que o trabalho jornalístico vai noutros sentidos, mas o que nos deve preocupar (a sério) é que tipo de protagonismo(s) deve ter uma cidade (de e) no futuro.

Desde logo o turismo não pode – nunca foi um peso no desenvolvimento das cidades – ser um pesadelo no dia-a-dia das pessoas, mas sim, há realidade (“um cocktail complexo”) que afeta futuros.

 

3. Ok! Diogo Queiroz de Andrade, em editorial no jornal Público (17.08.05), fala que em Espanha há uma nova forma de protesto que usa o argumento da pressão turística para cometer atos de violência à medida de discussões nas redes sociais.

 

Ingenuidade principal

Eu não escolhi a minha vocação; impuseram-ma outros.

Jean-Paul Sartre, in As Palavras

 

Segundo a gestora de investimentos Schroders, “ao ritmo atual do progresso, a temperatura global vai aumentar 4º até 2100, o dobro da meta estabelecida pelo Acordo de Paris”, leio na edição do passado sábado, dia 22, do jornal Dinheiro Vivo.

Ah! Esta gestora de investimentos criou o Climate Progress Dashboard para identificar o aumento da temperatura previsto para as próximas décadas para “ajudar as equipas de gestão de carteiras a gerir de forma mais eficaz os riscos que os riscos que as alterações climáticas representam”.

Seria bom que o Ambiente; as dores ambientais sobre as pessoas dissesse alguma coisa a esta gestora, não seria?