Choque ao contrário

A virtude da senhora mantinha-se pela prostituição da moleca. Por isso, também era melhor que os escravos não casassem.

Alexandra Lucas Coelho, in ao deus dará

 

1. A frase pintada num muro na cidade de Barcelona – Tourist go home – não é simpática, mas, como os habitantes daquela cidade se queixam do “turismo em excesso” – tal e qual como os vimaranenses que sentem a cidade e não se deixam endeusar por números que são uma merda feita treta de agências turísticas –, é um caso sério nos dias que correm e será pior no futuro.

 

2. Em catalão seny significa sensatez e sentido comum, escreve Nuno Ribeiro no jornal Público do passado dia 5. A peça que está na base do trabalho jornalístico – turistas são alvo na Catalunha, com pano de fundo do independentismo –, é um olhar muito sério da preocupação permanente sobre os exageros da faturação; com incidência no campo turístico.

É verdade que o trabalho jornalístico vai noutros sentidos, mas o que nos deve preocupar (a sério) é que tipo de protagonismo(s) deve ter uma cidade (de e) no futuro.

Desde logo o turismo não pode – nunca foi um peso no desenvolvimento das cidades – ser um pesadelo no dia-a-dia das pessoas, mas sim, há realidade (“um cocktail complexo”) que afeta futuros.

 

3. Ok! Diogo Queiroz de Andrade, em editorial no jornal Público (17.08.05), fala que em Espanha há uma nova forma de protesto que usa o argumento da pressão turística para cometer atos de violência à medida de discussões nas redes sociais.

 

Ingenuidade principal

Eu não escolhi a minha vocação; impuseram-ma outros.

Jean-Paul Sartre, in As Palavras

 

Segundo a gestora de investimentos Schroders, “ao ritmo atual do progresso, a temperatura global vai aumentar 4º até 2100, o dobro da meta estabelecida pelo Acordo de Paris”, leio na edição do passado sábado, dia 22, do jornal Dinheiro Vivo.

Ah! Esta gestora de investimentos criou o Climate Progress Dashboard para identificar o aumento da temperatura previsto para as próximas décadas para “ajudar as equipas de gestão de carteiras a gerir de forma mais eficaz os riscos que os riscos que as alterações climáticas representam”.

Seria bom que o Ambiente; as dores ambientais sobre as pessoas dissesse alguma coisa a esta gestora, não seria?

 

Um olhar vestido de calor

Foto: Pinterest

O velho e gasto expediente das cócegas nunca seria posto em prática por um povo inovador.

Virgilio Piñera, in O grande Baro e outras histórias

 

Os alunos da Universidade do Minho (UM) são uns festivaleiros; só querem farra!

E então os estudantes da Escola de Arquitetura! Só forrobodó!

Calma! Os alunos da UM são iguais a todos os jovens universitários, mas estão entre os melhores dos melhores na Universidade.

Então não é que os “senhores arquitetos” – que vivem a sua vida estudantil em Guimarães e por cá fazem maravilhas (não é por ali que está uma senhora de nome Maria Manuel?) – cometeram mais uma ‘loucura’ e criaram uma coisa de nome estranho?

Pois é! Capsule House venceu o concurso nacional de ideias que o portal de construção sustentável EcoHut vem promovendo.

E terão três mil euros no ‘papo’ da criatividade.

Excelente!

Quem quer experimentar este “alojamento inovador e ecológico para festivais de verão” já em Paredes de Coura?

Afinal é uma festa tão intensa e com data tão redonda, não é?

Parabéns João Pedro Moreira, Luís Ferreira, Eduardo Lopes e Joel Duarte.

 

Corrida contra o tempo

foto: tudonumclick.com

 

Depois de se habituarem é muito fácil viver no inferno, mas até lá…

Virgilio Piñera, in O grande Baro e outras histórias

 

Há uns tempos o Bloco de Esquerda (BE) desafiou publicamente a câmara de Guimarães a criar uma bolsa (ou banco) de terras no território sob administração do executivo vimaranense; algo que – eu sei que sou distraído, mas não me recordo de ter sido posto em causa.

Lembro muito bem dos sorrisos amarelos de alguns senhores que agora se vestiram de gala para caberem no retrato oficial do município de Guimarães que anunciou com pompa circunstancialmente eleitoral uma incubadora de base rural, como um projeto “inovador”.

Caramba!

Será que houve por terras afonsinas uma geringonça sem que ninguém se apercebesse?

Não; não houve, o BE, às vezes, mostra – por terras de D. Afonso tem sido Pedro Soares; que convém que fique bem vincado, tem olhado para Guimarães muito mais que outros deputados nascidos e criados por cá – o caminho certo do devir.

 

A verdade da ilusão

Se todos vivem como palhaços, como consentir que alguém se manifeste de modo sério?

Virgilio Piñera, in O grande Baro e outras histórias

 

Leio num título do semanário Expresso (17.07.15) uma informação de morte: empresa de ex-assessor de Capoulas faz ajuste direto com o Ambiente.

Comentários?

Para quê? A empresa – com responsabilidade de Gonçalo Alves, chefe de gabinete do ministro da Agricultura; é um dos quatro sócios – é que ganhou o concurso “para prestação de serviços da área das alterações climáticas”.

Ah! Importa dizer que Capoulas [Santos] é ministro do governo do senhor Costa.

 

 

Mundo em turbulência

Eu não acredito absolutamente nada num mundo que está ser governado por gente em que não acredito nem quero acreditar.

Pilar Del Rio, E, 17.04.22

 

perto do descalabro há um regresso – afinal não tão negativo como o que nos dizia ontem a noite –, doce saber do regresso; muito mais forte do que a eternidade que pintamos. será o início de um novo amanhã?

tomara!

a poluição luminosa, ruidosa e malcheirosa; quase reinando. eternamente. folhas que calam a noite; folhas que não cabem na porta de uma oportunidade.

achas mesmo que há um regresso? se achas, desafio-te a leres a edição de maio deste ano do le Monde diplomatique. Olha bem: há hoje no planeta 65 milhões de refugiados e deslocados.

e? qual é a tua dúvida?

a minha dúvida, pá!? refugiados que tem a ver com poluição?

andas mesmo a dormir! olha-me para estas palavras de quem já acordou para uma terrível realidade: criamos um futuro sustentável quando investirmos nos pobres, e não quando insistimos no seu sofrimento (Bill Gates, empresário e filantropo).

E o senhor que criou um império enorme tem razão, não tem?

Tem, sim senhor! Já agora desafio-te a olharmos juntos para estas de um enorme senhor, Steppen Hawking, de seu nome: as ações de Trump podem levar a Terra à beira do abismo e transformá-la em Vénus, com uma temperatura de 250º e chuva ácida. Está na revista Visão do passado dia 6.

olha que é um senhor que sabe muito, mas muito bem do que fala, sabes?

Se sei! Desde que há anos li Uma Breve História do Tempo – caramba! Já foi em 1990! Como o tempo passa para nós humanos – que não deixo nada por ler que venha do senhor que já ocupou a cátedra de um outro grande senhor: Isaac Newton.

E se o senhor Stephen tiver razão?

 

 

Sons dos ditadores; aconselha-se prudência

Qualquer pessoa que pense que pode resolver os problemas deste mundo com isolacionismo e protecionismo está a cometer um grande erro.

Angela Merkel, in Público, 17.07.17

 

Tenho vergonha de ser europeu numa Europa que fica à espera que um senhor de nome Donald venha a Varsóvia – Varsóvia, capital da Polónia, Polónia populismo, populismo Donald Trump, Donald Trump caos, dores permanentes – dizer que o “ocidente enfrenta ameaças existenciais” – Infelizmente o senhor até tem razão! E goza com essa anomalia do dia-a-dia dos europeus; com essas dificuldades no campo do existencialismo dos estados e dos cidadãos –, vai daí, aterra num dos países mais populista da Europa e entra de cabeça a exibir os populismos que quer para uma coisa vaidosamente só para certos eleitos com nom de G20.

Deve ser por isso que a senhora Merkel não teve – nem terá nunca; enquanto os ismos bem ao gosto dos senhores Putin e Trump por aí andarem livre a enganadoramente à solta – “a cimeira que ambicionava”. (Vale a pena ler com muita atenção – e apreensão o trabalho jornalístico inserido nas páginas 2, 3,4 e 5 do jornal Público do último dia 7, do mês 7 do ano 2017 (tanto sete!, não é?).

Ah! o que foi lamentável foi mesmo as cargas policiais. Vinte mil policias?! Porra!

Seria para esmagar as pessoas que – natural e democraticamente – têm direito a mostrar o descontentamento pelo caos que reina no planeta; por culpa de uma casta vaidosa e destruidora?