No tempo do nosso encontro; o medo fez-me mal

É muito bom ter vida além da política. Não conseguimos ser bons aqui dentro se não tivermos vida lá fora.

Miguel Tiago, Expresso, 18.07.21

Foto: Global Imagens

No último ano e meio, foram sete as vezes que o PS frustrou as pretensões dos bloquistas. Os socialistas até deitaram por terra acordos estabelecidos e meteram o BE no bolso, escreve a jornalista Rosa Pedroso Lima, no semanário Expresso (18.07.28).

Na sua peça as sete vezes em que o PS ‘comeu o BE, a jornalista recorda o deputado comunista Miguel Tiago que na última edição daquele semanário garantia que o PCP não se deixa comer.

Esta peça jornalística (que vale a pena ler para percebermos a diferença entre a experiência e o novel desejo de poder) assenta que nem uma luva nos dias vaidosos que por aí correm! Vaidosos e esclarecedores, diga-se!

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Império à parte, nada fiz

 

Eu estava um pouco bêbado. Não em qualquer sentido efetivo, mas o suficiente para estar descuidado.

Ernest Hemingawy, in Fiesta

 

Ao longo dos dias agitados que todos – ou a grande maioria, para ser mais exato – nós portugueses, espantados com carpires de mágoa para eleitor ver, ou com palavras parvas, vale a pena olhar para o que nos dizem os jornais semanários. Mais elaborados, ou melhor, com mais tempo de amadurecimento das agitações do que os diários ou os digitais.

Olhando para o Expresso, é impossível não deitar um olhito – ainda que passageiro na rubrica Gente. Da última edição (18.07.28) fico um sabor a prosa deliciosa este naco de palavras tão belas: António Costa foi trabalhar a imagem no programa “5 para a Meia Noite”. E entre outros tesourinhos, fez uma confissão bombástica: mentiu uma vez a um jornalista. Gente aposta que, um pouco por todo o país, jornalistas de várias redações acharam que era a eles que o primeiro-ministro se referia.

E este olhar do diretor daquele semanário sobre as coisas que por aí se vão dizendo com a importância que o vazio, cada vez mais, engalana? Carlos Abreu Amorim – A tentativa de aproveitamento político dos incêndios na Grécia foi um momento de vulgaridade facebookiana deste deputado. Não surpreendente, ainda assim escusado.

Pronto!

Realidades de um país que teima em olhar para o umbigo ou para as parvoíces que lhe impõem e que desistiu de ser sério.

 

O artigo 65º

 

É um facto que o ceticismo em relação à democracia aumenta, na população, com o crescimento da desigualdade social, ao passo que a participação política decai.

 

Jürgen Habermas, atual, 14.01.11

 

Se a habitação é uma necessidade em muitos locais do planeta também o seu incremento é uma realidade que os poderes públicos têm que abraçar. Uma realidade que, quer em Portugal, quer em Guimarães, há tempos que o tempo não nos traz novidades. Muito embora, tal direito seja constitucional. E nem as diferentes revisões constitucionais alteram tal realidade.

 

Daí que olhar para estas palavras de Torcato Ribeiro (reflexo digital, 18.05.31) – qualquer política séria para a habitação exige a sua direta promoção pelo Estado, em articulação com uma lei de solos, que priorize a dimensão pública do direito de urbanizar, sendo para isso necessário garantir a estabilidade do arrendamento urbano – fique com a obrigação cívica de olhar para o que não se faz. Uma posição que nos deve obrigar a pensar.

Sei que há outros partidos que também pensam e agem de forma muito parecida, mas têm estado muito calados. Há demasiado tempo! Por isso, e mais uma vez, o ex-vereador da CDU na câmara de Guimarães tem razão: defendemos igualmente o exercício do direito de preferência pela Câmara em relação a edifícios considerados nucleares, suscetíveis de contribuir para a resposta efetiva do direito à habitação e fixação dos nossos jovens.

 

Sendo certo que o número 1 do artigo 65º, como aliás o Torcato abre o seu texto, vinca o direito aos portugueses, “para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar”, importa encarar esse mesmo direito constitucional de frente e com coragem para não esquecer que “o direito à habitação incumbe ao Estado” que, entre outras obrigações deve “estimular a construção privada, com subordinação ao interesse geral, e o acesso à habitação própria ou arrendada” e “incentivar e apoiar as iniciativas das comunidades locais e das populações, tendentes a resolver os respetivos problemas habitacionais e a fomentar a criação de cooperativas de habitação e a autoconstrução”.

Mas parece que Portugal e em Guimarães os políticos que dirigem os destinos dos cidadãos esquecem a lei suprema da nação ou fazem dela tábua rasa.

 

O futuro é duro; corpulento (para alguns)

Foto: Nuno Veiga (Lusa)

 

Há demasiada promiscuidade entre o poder político e os grupos económicos.

António Carrapatoso, Jornal de Negócios, 07.10.12

Leio, com muita atenção o que o atual líder do PCP diz sobre a realidade portuguesa. E respeito-o imenso pelo olhar que coloca nas coisas que criam (ou aumentam) as dores dos portugueses.

Reparemos nestas suas palavras, quando, questionando no parlamento os apoios públicos aos bancos em dificuldade: falta dinheiro para muita coisa, para a banca é que nunca falta.

Começo a perceber o afastamento da CDU das coisas do governo do senhor Costa!

O poder dos livros *

foto: dinheirovivo.pt

A politica é constituída por homens sem ideias e sem grandeza.

Albert Camus

 

Rui Rio, quando, em 2005, ganhou a liderança câmara municipal do Porto não fez questão de se atirara ao PS, à CDU ou ao BE, como seus adversários políticos; não. Fê-lo aos órgãos de comunicação social, a todos os órgãos de comunicação social. Por, segundo podemos lera na revista E do último sábado, “andarem a denegri-lo desde o primeiro dia”.

 

O PSD tem um líder que não tem medo de dizer ao que vem.

Será que o PS – o do senhor Costa – vai esquecer as origens do senhor Rio; educado no colégio alemão?

 

* Parece que Rui Rio já não se recorda qual o último livro que leu.