Experiências com fracasso

Foto: Daniel Rocha (Público)

E pensei não poderiam os homens morrer como morrem os dias?

José Luís Peixoto, in Morreste-me

 

António Chora, que durante vinte anos liderou a comissão de trabalhadores da empresa (CT) da Autoeuropa e é do Bloco de Esquerda, reformou-se. Foi no início do ano. Oito meses depois acontece a primeira greve geral da empresa, apoiada por 75% dos trabalhadores, mas liderada pelo SITE-Sul, sindicato filiado na CGTP, escreve Nicolau Santos, na revista E, do último sábado.

Ui! Temos – vamos ter, não vamos? – festa a sério nos próximos tempos!

E será que o ‘aviso’ sindicalista não é mesmo um aviso bem sério do PCP ao governo do senhor Costa?

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Com o passado bem presente

Só é capaz de virar uma coisa exatamente ao contrário quem conhece profundamente a sua forma original.

Ricardo Araújo Pereira, in A dança, o sofrimento e a morte entram num bar

 

Coisas que não me interessam nada – mesmo nada: “orçamento da coligação por Braga é maior que soma de Guimarães, Famalicão e Barcelos”. (Título do diário bracarense Diário do Minho, 17.08.20)

Coisas que me interessam muito – mesmo muito: nem todos os orçamentos são verdadeiros e espelho dos objetivos que servem; ou deviam servir.

Coisas que me preocupam muito – mesmo muito: infelizmente, gasta-se em Portugal demasiado dinheiro para vender a banha da cobra; no fim nada resta.

Um vazio supremo percorre as ausências; de mensagem e sem conteúdo e dos sorrisos colocados à pressa em cartazes brilhantes.

 

Trabalho a várias mãos

foto: jornaldenegocios.pt

Toda a desobediência é sinal de vida

Alexandra Lucas Coelho, in ao deus dará

 

Manuel Carvalho escreve no jornal Público (17.08.23) que sorrateiramente, nas férias grandes, entre o prazer do sol e o drama dos incêndios, o Governo andou entretido a urdir o mais consistente plano de ataque às liberdades públicas fundamentais dos últimos anos. Fielmente ajudado pelo CDS e pelo PSD, avalizado pela aura presidencial e pelo prestígio do constitucionalista Marcelo Rebelo de Sousa, o Governo não se deu por satisfeito ao autorizar o acesso dos serviços secretos ao cruzamento do rasto das nossas conversas telefónicas com as portagens que passamos ou com os sites da internet que visitamos.

Estão a ver, senhores do PCP e do BE, como funcionam as coisas com o governo do senhor Costa – que, pasme-se!, já alguém anda a vender como próximo presidente da República.

Ah! Quem leu a entrevista que o senhor Costa concedeu ao semanário Expresso (E, 17.08.19) ou não entendeu ou viu logo que fica claro que a geringonça é para destruir e logo que Pedro Passos Coelho seja enterrado tudo será diferente.

Queridos senhores do BE, dos Verdes e do PCP gostei da vossa coragem. Aconteceram algumas boas mudanças – obrigado pela vossa ousadia. Mas agora, não duvidem – e não duvidam, tenho a certeza – o vosso tempo na geringonça acabou.

Uma questão de queda

O vereador Freitas propões também a declaração de que em nenhum caso fossem os vereadores recolhidos ao asilo doa alienados.

Machado de Assis in O Alienista

 

Está o PSD a tornar-se um partido racista e xenófobo?

É a pergunta que Cristina Figueiredo coloca no semanário Expresso na sua edição de hoje.

Não espanta, por isso, que Pedro Passos Coelho esteja nos BAIXOS daquele semanário.

Como estará na cotação dos portugueses?

 

 

Há verdades e a realidade

O PCP é historicamente um defensor do princípio “os ricos que paguem a crise” e também por isso o temos visto tão ativo na defesa do novo adicional do IMI (um imposto, por acaso sugerido pelo BE, que afeta os detentores de património imobiliário com um valor superior a 600 mil euros). Mas isso é o PCP, partido da luta de classes. Porque o PCP, proprietário é igual a todos os outros e queixa-se do volume de impostos que tem de pagar de cada vez que compra ou aliena um dos seus bens.

Gente, Expresso, 17.08.12

É tempo de voltar para trás?

Amar na dor e na desgraça é a lei suprema da vida.

Raul Brandão, in O pobre de pedir

 

Há um relatório da ONU – completamente indignado que me sinto como português, caramba! – que diz que as condições no Bairro da Torre, “são condições que ninguém espera ver em lado nenhum”.

Bairro da Torre? Onde é que é isso?

Ah! Em Loures. Portugal. “Um dos casos mais graves de falta de condições de vida em Portugal”.

E o que se passa? Vive-se na escuridão total. “Tanto faz ser de dia ou de noite”.

Aconselho leitura do trabalho de Joana Pereira Bastos, no semanário Expresso (17.07.22)