Preocupação com o ordenamento do território?

Os séculos anteriores seriam entediantes e agora, sim, acontecem coisas! Eis o que dirá o contemporâneo fascinado com o seu próprio tempo.

Gonçalo M. Tavares, Expresso, 18.06.30

 

1. O prédio que se agiganta hoje, visivelmente nas barbas do vetusto Mosteiro da Costa é um atentado à paisagem e ao cuidado dos vários planos que Guimarães urdiu pacientemente ao longo de décadas e que lhe deram até hoje um urbanismo aceitável, li, na edição do dia 4 de julho do semanário O Comércio de Guimarães, estas palavras intensas e cheias de eufemismos do líder da Muralha.

2. Rui Vítor Costa tem razão.

3. Mas para um cidadão (do meu tipo) distante dos dislates vimaranenses, fica uma dúvida – do tamanho do mosteiro da Costa – há quanto tempo foi licenciada aquela obra? Num tempo em que já existia a associação de defesa do património de Guimarães; certo?

4. Sim, senhor presidente da Muralha, a construção que cresce – tapando uma visão do mosteiro, “obstrói a visão da pousada”, principalmente a partir de uma linha reta traçada a partir da rua dr. José Sampaio e é – estamos de acordo – “um erro tão assustador e desnecessário, quanto escusado”.

E depois?

5. A associação Muralha não é “uma associação com opinião e com uma obrigação de intervir e alertar”?

Então, desde 2004, onde esteve ou para onde olhou a Muralha?

Há uns tempos – como o tempo passa! – uma outra Muralha abanou Guimarães por causa de uma construção na avenida D. João IV. Alguém se lembra? Por essa altura fez capa mais do que uma vez num jornal vimaranense de referência. Como me lembro! Fechei umas semanas seguidas a edição.

 

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Vulnerável a choques

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As gerações mais novas são mais conscientes ambientalmente, são mais sofisticadas. O problema é que elas não estão no poder.

Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 18.07.07

 

Espera lá!… preciso (mesmo) de mudar a graduação dos meus óculos ou li bem?

Luís Soares desautoriza vereador Seara de Sá no processo de requalificação do centro cívico da vila [de Caldas das Taipas].

Ó pá! Ainda não é já que terei que gastar uns troquitos no oftalmologista! Que bom! Isto está tudo tão difícil!…

Mas, sim! Li bem o texto inserido na edição de julho do jornal Reflexo; um texto com assinatura de José Henrique Cunha.

Caramba, senhor vereador do urbanismo na autarquia vimaranense!

Será o senhor o elo mais fraco para Luís Soares, o máximo responsável do PS em Guimarães?

 

Ontem o sol nascia na Penha

 

As pessoas não querem fazer perguntas a si próprias.

Andrew Haige (cineasta britânico), Ípsilon, 15.12.31

 

De vez em quando – cada vez mais fora de Guimarães; caramba! –, um órgão de comunicação social decide ouvir o presidente de câmara de Guimarães. E isso é bom. Ajuda a perceber o futuro ou os rumos ao devir que o edil vimaranense tem em mente.

Pena é – importa insistir, pois, na tecla do adormecimento da (pouca) comunicação social vimaranense – que tal aconteça fora de Guimarães. Mas pronto! Os vimaranenses adoram dormir na forma. E, porra!, estão cada vez mais anestesiados, não estão?

Um desses casos raros (e mais ou menos recente) é a conversa com Domingos Bragança que o jornal bracarense Correio do Minho publica no passado dia 17 de maio. Sim, já passaram uns dias, mas a conversa é de hoje. Pela sua importância e atualidade. Não é uma grande entrevista, não senhor!, mas, de entre essa conversa pobre, destacarei algumas ideias. Por esta ordem:

1. AmbienteA agenda central [do segundo mandado] é o desenvolvimento sustentável. E porquê? Bragança responde: desejo muito que os meus concidadãos vimaranenses sejam ecologistas no seu quotidiano, sejam “ecocidadãos”. Pronto! O que aprecio é mesmo esta afirmação: quando refiro todos os nossos concidadãos serem “ecocidadãos” inclui todas as profissões, todas as atividades e entre eles a industrial que muitas vezes é das maiores predadoras dos recursos ambientais.

Aceitando a ideia do ecocidadão, gosto muito deste olhar de Bragança. Afinal quem aparece nas promoções de brigadas verdes ou outro tipo de ações lindas está longe de imaginar o que é a atividade industrial e os seus custos ambientais…

Ah! Subscrevo, sem nenhuma dificuldade, esta afirmação do edil vimaranense: estamos perante um processo de mudança de mentalidades e de hábitos no domínio da sustentabilidade ambiental que é irreversível.

2. Cultura – Guimarães tem uma oferta excecional e uma boa programação cultural, mas o que nos dá sustentabilidade é a produção cultural, é termos artistas formados que sejam eles próprios a produzir a programação.

Enquanto Lisboa e Porto têm tido apoios muito consideráveis, Guimarães que também foi Capital Europeia da Cultura, não tem tido o mesmo tratamento. Aqui, por aqui, senhor presidente nada tenho a dizer. O dia-a-dia em Guimarães vinca as suas palavras.

3. Ah! E a agitação: O quadrilátero urbano tinha uma ambição bem maior do que aquela que está a revelar, temos de assumir. É preciso os autarcas definirem aquilo que é fundamental para os quatro municípios. Afinal, estamos de acordo em muitas coisas.

Nota de rodapé: Ninguém reparará nestas palavras: Eu trabalho muito bem com o Ricardo Rio. Precisamos é de tempo para nos reunirmos.

Ratos na sala de visitas?

Já escreveu de tudo o que sabia, e agora anda às voltas com tudo o que não sabe.

Ernest Hemingways, in Fiesta

 

Pelos vistos há ratos no centro histórico de Guimarães ratos! Mesmo ratos; roedores…

E a coisa parece ter dimensões dantescas; assim tipo aquele filme de 2006 ratos – invasão em Paris, de Charlotte Brandstrom. Já viram?

Imagine-se que até o ferreiro mais famoso do território vimaranense (e que passa os dias ali mesmo ao lado da praça de Donães), diz sofrer com a reprodução descontrolada dos bichanos que um certo sexo feminino abomina!

Caramba! Tanta ratice!

Ah! A senhora vereadora responsável pelos serviços urbanos e ambiente em Guimarães – leio na peça que a Elisabete Pinto assina na edição do dia de santo António de O comércio de Guimarães –, e depois de afirmar que “não esconde a preocupação e a existência do problema”, afirma que a autarquia vimaranense faz a desinfeção periodicamente. E eu acredito; acredito mesmo! Até porque depois de umas legionellas pequenitotas que ocuparam, de forma selvática e abusiva, certas fontes cá do burgo ninguém quer ratos no espaço público vimaranense, pois não?

Era o que faltava!

 

Uma longa estrada

Uma das razões pelas quais considero a observação dos pássaros um refúgio do resto do mundo é porque não há julgamentos morais.

Jonathan Franzen, in E, 17.10.21

 

Espera lá! Será que li bem?

As crianças das escolas de Guimarães estão a ajudar a construir e a reconstruir as memórias do território” vimaranense?

Escreve o Rui de Lemos (Diário do Minho, 18.06.13) que “em cada canto do concelho” de Guimarães, as crianças “perguntaram aos pais e avós por memórias e objetos que ajudam a enriquecer a história coletiva” do território que albergou Afonso Henriques para depois ficarem perpetuadas nos capitéis das recordações locais.

Ah! Esta coisa linda chama-se Pergunta ao Tempo e é um projeto de investigação, diz o jornalista do DM, que “acaba por estimular um bocadinho o espírito de pesquisa, recolhas e tratamento de informação cultural” de Guimarães.

Há coisas lindas por terras afonsinas, não há? Memórias que se guardam para devires pouco dados à memória. Nem tempo vazio, evasivo e indiferente às origens.

 

Desfeitos no meio do mundo

 

Se esperavam filosofia, não se prendam, que só vou falar de velhice e da linha do horizonte.

Manuel S. Fonseca, E, 17.12.08

 

Há um trabalho interessante sobre o comércio internacional no caderno de economia do semanário Expresso do último sábado.

Num texto da responsabilidade de Joana Nunes Mateus, e “agora que o Instituto Nacional de estatística (INE) já divulgou o valor das mercadorias exportadas por cada um dos 308 municípios portugueses até 2017”, o trabalho jornalístico não me deixa (totalmente) triste como vimaranense. Ou melhor, sobre a realidade exportadora das empresas vimaranenses. Guimarães até nem está mal colocada nos topes exportador e valor; muito embora eu vimaranense desiludido me confesso: esperava mais. Na verdade!; muito mais.

O pior! – o indicador que mais me tira o sono (e que consta dos quadros da peça jornalística) é mesmo o top dinamismo. Ninguém vê por onde anda Guimarães. E não havendo dinamismo não há milagres. E essa realidade cruza as realidades politica – sim senhor! –, mas muito, muito mesmo – não vale a pena vir com estórias da treta – ou principalmente, o empenho dos empresários ou investidores.

Ah! Aquilo que não me vai deixar dormir esta e as próximas noites: olhando para a realidade do município de Braga sinto um arrepio grande quando leio que o crescimento bracarense se deve ao “dinamismo da Universidade do Minho e demais protagonistas”.

Bolas! Não é por nada, nada mesmo senhores!, não fosse o facto de a UM também estar por Guimarães.