início da descoberta

palavras; tantas palavras ocas

e vazias. sempre na imitação do cenário íntimo!

 

deixemos, então, em paz

as palavras.

olhemos; observando a sensação de felicidade,

momentos saborosos

 

tantas geometrias sónicas!

 

resgatar a diversidade

olho o absoluto consagrado; geometria

de esperança – dói tanto!

(quantos pobres são precisos para fazer um rico?)

sim! dói tanto o absoluto consagrado

pedaços brancos suavemente amaciados

 

pelo tempo, as águas agitadas; tanto sofrimento!

(quanto corpos sangrando são precisos para fazer

tantos ricos?)

 

outros corpos numa rota cruel; triste mundo

branco – como todos os absurdos – será isto

a geometria sónica de carlos bunga?

 

olho o absoluto consagrado; engolindo em silêncio a saliva da dor;

revoltado

a imagem de um pesadelo; real

(quantas destruições de corpos são necessárias

para a consagração do fim?)

 

em voz alta – ainda o orvalho prende a manhã

e os corpos – sinto o peso da luz

o olho absoluto; consagrado.

 

energia erótica

ver um bilhete no chão espanta o desejo?

sim! se o recado estiver – não na porta do quarto

como no cinema –, mas dentro do corpo

intenso do modernismo!

 

vê-se um sapo amarelado e parvo à porta do perigoso inverno

olhando o absurdo. é mesmo um campo de sonho

prodigiosamente feliz na diversão dos dias?

não! o bilhete é claro: luz fria, perigosa

 

com sabor a mar e a nós – explorando

toda a sexualidade num secretismo

do tamanho das ondas que perseguem

o nosso olhar

 

lugar performativo

olhares na cidade

destruída; construída a cidade – o olhar atreve-se em ambiente sereno;

húmido

(terá consciência de mim?)

será a imagem da origem de nós diante do abismo?

e se for mesmo só um olhar efémero?

 

tudo é certo; até a encenação do ‘puto grande mimo”

bem ordenado o cartão; é verdade! até vereadores se perfilam

na memória a vibrar

 

destruída; construída a cidade – relâmpagos fortes e agressivos

na noite; vestida de intenso nevoeiro – a memória a vibrar.

o cartão; as caixas ordenadas falta desejo. sim!

 

quem passa ignora os movimentos do corpo

perda de lugar e da memória? mãe não deixes por favor!

as caixas vazias; a cidade perdida – sem memória da origem

 

sempre a sobrevivência!

vida por uma corda

há pingos de luz – límpidos – a despertar por aí

gosto do otimismo da claridade. há realidades

que não dominas; o sol frágil indício de um senhor

inverno está aí; barbas frias e gélidas matando

todos os otimismos!

 

fala-me da tua velhice; da nossa ida mais além

falamos depois! abrimos carreiros entre o vazio

que resta do verde. dás-me um abraço?

 

dou; envolto em memórias muito húmidas – na praia

olhares panados pela areia noturna

fragmentos de memória – distante

há tantos ápices vitais a despertar por aí

 

passados os instantes da memória

é tempo de olhar os dias que aí chegam; pingo de luz

despertam-nos; o sol frágil