Palavras ocas; vestidas de opacidade

O futuro também muda o passado.

Alexandra Lucas Coelho, in ao deus dará

 

Alguém se lembra do senhor Mario Vargas Llosa?

Aquele senhor que seria programador da Capital Europeia da Cultural em Guimarães (CEC 2012)?

Não foi, pois não?

Claro! O senhor nem (sempre) usa as palavras certas no sítio certo.

Mas, convencido de que é um herói da palavra (não confundir com vendedor de livros que agências promovem com toda a naturalidade dos números da faturação), o dito senhor vaidoso resolveu falar. Em Barcelona.

Caramba! Um ‘dono’ da palavra escrita falou!

Para dizer coisas sem sentido; vestidas de palavras agressivamente encomendadas. Sensatez é algo que não fica à espera de palavras bacocas; sensatez é a verdade saída dos olhares de quem sente os dias e as suas dores na rua da opressão distante.

Pronto senhor! Ainda bem que Guimarães, em 2010, ignorou o seu desejo vazio de ‘programar’ a CEC!

Estamos tão felizes; mesmo a esta distância.

O mesmo não dirão os senhores catalães, principalmente aqueles que viram a praça Urquinaona ocupada por gente sem ideia de estado e nação; recrutada à pressa para engrossar as manias fascistas do senhor Mariano.

 

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Político do paraíso *

Se condescendermos com o populismo, seremos varridos por ele enquanto as redes sociais esfregam um olho. André Ventura não ganhará Loures, mas se subir muito a votação do seu partido então vence. E escancara uma estrada.

Pedro Santos Guerreio, Expresso, 17.09.02

 

Leio no jornal Público (17.09.02) e, embora feliz pela realidade, fico incrédulo: «Pierre Moscovici concorda que algo tem que ser feito para inverter o “défice de solidariedade” do grupo do euro. O Eurogrupo “é informal e opaco”» e «não dá contas “nem a um parlamento, nem aos cidadãos”».

A sério, senhor comissário europeu dos assuntos económicos e financeiros?

Nós, os cidadãos europeus, é que andamos distraídos, não é?

 

* podemos acreditar que já acabou o desespero dos senhores (estranhamente desconhecidos) que esmagam Bruxelas e os nossos dias?

 

Ilusões da realidade

As democracias nacionais são desmanteladas, porque os governos nacionais tornam-se, de facto, cada vez mais dependentes dos imperativos sistémicos de um ambiente global que já não controlam.

Jürgen Habermas, atual, 14.01.11

 

os teus ecos ficaram lá atrás, em cima do muro, desfazendo-se no rio que abriu os montes e trouxe o teu poema até nós; tangidos nas tuas mãos sem amor…

.. a idade tem uma grande vantagem: ensina-nos a ser seletivos.

não tentes outra fuga em frente, está bem? não é justo chamar o passado para aqui, muito menos se as suas recordações vierem enumerar as imensas curiosidades que tu nunca és capaz de escrever.

não? nunca deixes de olhar para além de ti e dos teus frágeis dias. olha sempre para além das tuas vaidades mesquinhas.

ui! vai lá devagar!

devagar? não fico é à espera de tudo seja destruído; as memórias apagadas…

já conheço este teu ímpeto…

ai é! olha só este trecho das palavras do investigador e docente universitário César Madureira, inseridas na edição de agosto do semanário le Monde diplomatique: o emprego e o Estado foram um dos laboratórios da engenharia neoliberal proporcionada pela crise financeira iniciada em 2008.

e daí?

eu esqueço-me que tu não tens memória; só olhas para a rapidez e volatilidade das palavras dos teus líderes de ocasião. olha bem o devir e depois voltamos a falar.

 

Olhar a dois tempos; no meio do rio gelado

Quando tu nasce fudido tu aprende depressa.

Alexandra Lucas Coelho, in ao deu dará

 

O passado

O erro maior foi a Europa e o Fundo Monetário Internacional (FMI) terem resistido a enveredar por respostas heterodoxas à crise da dívida soberana. Por exemplo, terem recusado o perdão ou a mutualização da dívida da Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha.

Kenneth Rogoff, professor de economia de Harvard e historiador das crises, Expresso (Economia), 17.08.05

 

O futuro

O risco número um é Trump. O segundo uma crise de crescimento na China.

Idem

 

Ah! Este senhor avisou que a crise que começou em 2009, disse que todos aqueles que diziam que “a crise seria diferente, passageira e leve” que “estavam iludidos”.

O resto, todos sabemos o que aconteceu.

 

Os olhares devem ser sempre iguais?

foto: pcp.pt

Dado que entramos oficialmente na “estação tola”, e salvo na Casa Branca onde continuam as banalidades de Trump, os políticos foram maioritariamente a banhos (os da oposição a Maduro, não se sabe bem para onde foram).

Ana Cristina Leonardo, E, 17.08.05

 

O PCP censura o governo português por não reconhecer o resultado eleitoral na Venezuela e, na quinta-feira, criticou o executivo do senhor Costa por este tomar uma posição “contrária aos interesses da comunidade portuguesa naquele país”; afinal diz a comunicação oficial dos comunistas portugueses – que “saúda o povo venezuelano pela defesa da democracia e da Paz” –  o que está em causa é a segurança da comunidade portuguesa residente na República Bolivariana da Venezuela, o que “implica a condenação das ações desestabilizadoras, terroristas e golpistas”.

Não tenho nada contra a favor da posição política dos partidos, mas sempre gostaria de ver coerência nas suas tomadas de posição. Por exemplo no que concerne a um país de nome Coreia do Norte.

 

Nota de rodapé: Na Venezuela corre-se contra o tempo numa pista manchada de sangue (título do jornal Público, 17.08.04)

Sons dos ditadores; aconselha-se prudência

Qualquer pessoa que pense que pode resolver os problemas deste mundo com isolacionismo e protecionismo está a cometer um grande erro.

Angela Merkel, in Público, 17.07.17

 

Tenho vergonha de ser europeu numa Europa que fica à espera que um senhor de nome Donald venha a Varsóvia – Varsóvia, capital da Polónia, Polónia populismo, populismo Donald Trump, Donald Trump caos, dores permanentes – dizer que o “ocidente enfrenta ameaças existenciais” – Infelizmente o senhor até tem razão! E goza com essa anomalia do dia-a-dia dos europeus; com essas dificuldades no campo do existencialismo dos estados e dos cidadãos –, vai daí, aterra num dos países mais populista da Europa e entra de cabeça a exibir os populismos que quer para uma coisa vaidosamente só para certos eleitos com nom de G20.

Deve ser por isso que a senhora Merkel não teve – nem terá nunca; enquanto os ismos bem ao gosto dos senhores Putin e Trump por aí andarem livre a enganadoramente à solta – “a cimeira que ambicionava”. (Vale a pena ler com muita atenção – e apreensão o trabalho jornalístico inserido nas páginas 2, 3,4 e 5 do jornal Público do último dia 7, do mês 7 do ano 2017 (tanto sete!, não é?).

Ah! o que foi lamentável foi mesmo as cargas policiais. Vinte mil policias?! Porra!

Seria para esmagar as pessoas que – natural e democraticamente – têm direito a mostrar o descontentamento pelo caos que reina no planeta; por culpa de uma casta vaidosa e destruidora?

 

Poder é importante ou sol do desejo?

foto: publico.es

Havia um reverso horrível das coisas e, quando se perdia a razão, nós víamo-lo; morrer era impedir o destino ao extremo e nele se abismar.

Jean-Paul Sartre, in As Palavras

 

logo de manhã; pela fresca, salto o muro e desço – para sentir as infiltrações do mar.

ah! homem do tempo! isso é percurso de dor ou narrativa ignorada?

não, não é, nem tão pouco qualquer desejo de avalanche emocional pelas dores dos dias.

então que se passa com os teus – sempre esplêndidos, diga-se! –, brancos à parte?

ora!, ora; nada. luzes, sombras. e depois…

… e depois?

acreditas mesmo que há por aí momentos capazes de degolarem, o mundo?

então não há? olha-me para esta merda: Pablo Iglesias – Qual Trump ibérico, mas com menos poder, o homem que prometia regenerar a democracia excluiu órgãos de comunicação hostis de uma reunião de jornalistas com o Podemos. (Do céu ao inferno, Expresso, 17.06.23)

não aquele tipo de rabicho que encanta toda a esquerda portuguesa?

toda a esquerda portuguesa? não durmas.