Alquimia perdida

imagem: blogoosfero.cc

Um quarto de século depois da queda do Muro de Berlim os muros regressam à Europa. Uns são de betão a arame farpado, outros, mais insidiosos, são alimentados por ignorância.

Timothy Gaston Ash, Courrier internacional, janeiro de 2016

 

1. Tenho medo do devir? Tenho, sim senhor! Do devir que a extrema-direita e populista quer para todos nós que crescemos numa Europa unida e solidária – e que já vão mostrando as suas garras.

2. Leio com receios frios e assustadores a peça – os partidos anti-imigração têm de tomar o poder na UE, diz Orbán [Viktor; responsável máximo do governo na Hungria] – com assinatura de Clara Barata (Público, 19.01.11) e paro com medo do amanhã; do caos que por aí já espreita e nos vai destruir; apagando-nos.

3. Retenho, do lide da peça, estas palavras: Hungria, Itália e Polónia movimentam-se para formar aliança a pensar nas eleições europeias e também no controlo das instituições de Bruxelas. Perco por completo a esperança no devir.

4. Falta pouco – as eleições para o parlamento europeu são já em maio – para sermos esmagados; à boa maneira do senhor Adolfo e seus comparsas. E nós a ver futebol, telenovelas e outros entretinimentos; como eles gostam! Lembram-se dos famosos três Fs do senhor de santa Comba?

 

Nota de rodapé: se o senhor Macron é o líder pró-emigração, como diz o tal Órban – por Budapeste como será o devir dos cidadãos europeus com um senhor assim?

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Degolador da história

Foto: Getty Images

Não examinamos o passado, não confrontamos o passado. É o nosso maior problema.

Rodrigo Duterei, Ípsilon, 17.11.16

 

Há uma noticia – recorrente e em vários órgãos de comunicação social que (para já; só) me faz pensar: o exército alemão pretende recrutar especialistas dos países que integram a União Europeia, “sobretudo polacos, romenos e italianos”, segundo jornal Público (18.12.28).

Por que carga de água há tanta pressa em recrutar especialistas militares fora do país? Há, desde logo, uma razão plausível: a idades dos cidadãos alemães, mas…

Será que depois da minha geração a Europa volta a ser o caos que as guerras tanto gostam?

Discurso douradinho

Foto: Bruno Simão (Negócios)

O medo pode ser legítimo, mas a resignação implica optar pela desistência.

Sofia Branco, E, 16.03.05

 

Há tempos escrevi que a China iria retirar Portugal da União Europeia. Mantenho a mesma opinião.

Depois da visita ao nosso país do senhor Xi Jinping alguém tem dúvidas?

A sério?

Quem segue a imprensa portuguesa com regularidade não tem ficado indiferente ao “conteúdo comercial” da agência de notícias Xinhua – tutelada pelo governo chinês – ou será apenas exagero do meu olhar?

Absoluto êxtase

teia; aranha fria




Que bem que nós sabíamos morrer! Tínhamos aprendido a morrer com os índios, os mexicanos e os bandidos de mil westerns, com os piratas de capa e espada, com os filisteus que Sansão amassava com a sua força de braços. 

Manuel S. Fonseca, E, 18.03.24

 

Os senhores que olham o mundo a partir das janelas frias e distantes de Bruxelas estão todos felizes da vida por terem subido o tom de voz e aumentado a força no braço-de-ferro com Roma.

Pura ilusão! Tudo, infelizmente!, vai continuar na mesma. E se Bruxelas decidir pelo tal cartão vermelho a Roma as consequências práticas só virão depois das próximas eleições europeias.

E os ventos que aí vêm parecem ser bem piores do que os que sopram de Itália.

Bruxelas é que nunca aprendeu e ficou sempre à janela das realidades.

Ah! Eis um ponto de vista certeiro e realista: nunca, como por este tempo, a distância entre o processo de eleição para o Parlamento Europeu e o interesse dos cidadãos se afirmou tão distante tão desinteressante. (Ascenso Simões, Expresso, 18.11.24)

Cegamente bela

Foto: David Moir (REUTERS)

Não há pior debate do que aquele que assenta no preconceito, porque ele é sempre uma manifestação de ignorância.

Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 18.02.10

 

Portugal vai abandonar a União Europeia?

Quem sabe!

A vinda do senhor Xi Jinping a Portugal vai tirar todas as dúvidas. E já não falta muito.

E, depois, quem tem dúvidas de que a sedução começa sempre quando se quebra (ou compra) a energia de quem tanto quer?

Ah! E os portos são locais de passagem de tantas e tantas energias.

Confins de esperança

foto: cartacapital.com.br

Trump prometeu colocar 20 mil soldados na fronteira. Uma operação militar de grande escala contra migrantes e refugiados. Quem lançar pedras será abatido, prometeu. Aquilo é uma invasão. É uma guerra. É terrorismo. Diz ele. A caravana ou será parada ou arrastará tudo à sua passagem, incluindo a nossa humanidade.

Clara Ferreira Alves, E, 18.11.10

Olhar de perto

Fui buscar naquilo que muitos chamam de caixa de ferramentas para consertar o homem e a mulher, que é a Bíblia sagrada.

Jair Bolsonaro, presidente eleito do Brasil.

Há pessoas que, assim do aparente nada – mas com uma tremenda máquina promocional e cheia de interesses (muitas vezes bem obscuros) se arvora em dono do destino; deuses.

É o caso do presidente eleito do Brasil. Mas sobre essa realidade do homem, dos interesses e do devir é melhor dar atenção a outras formas de olhar.

  1. Esgotados os adjetivos, demorará até se perceber as consequências de uma eleição alimentada pelo ódio, pela mentira, pela alienação mítica de inspiração religiosa. Em vez de um Presidente, os brasileiros escolheram um “mito”. Inspirado em Deus, diz ele. Valdemar Cruz, E, 18.11.03
  2. O Brasil nunca transcendeu a sociedade pós-colonial que é. O Partido dito dos Trabalhadores também não fez. E assim veio o anjo negro Bolsonaro pairar sobre este medo atrasado e naturalista, agitando as asas da salvação depois de ser ter banhado no rio Jordão. Deus tem um plano para ele, diz ele. Não se riam. Clara Ferreira Alves, E, 18.11.03
foto: diariodomeiodomundo.com.br

E por cá como se olha esta nova realidade em terras de Vera Cruz?

Que a direita esteja fascinada com Bolsonaro, cavaleiro de triste figura, já é notório. Mas que justifique a adoração com o argumento da “ética”, é estranhamente moralista. E arriscado, não vai ser preciso muito tempo para que a “ética” abra a gabardina e exiba as suas misérias. Francisco Louçã, Expresso (Economia), 18.11.03

Está tudo explicado?

Se calhar vale a pena olhar com cinismo para a coisa: Portas não vê nada eticamente reprovável em Bolsonaro, mas estudou assunto com os mesmos óculos com que leu contratos dos submarinos. (o Inimigo Público, 18.11.02)

 

 

Aflição de ser pessoa

Foto: Paul Sancya (AP Photo)

Os laçarotes não passam de roupas, que são a marca distintiva do ser humano. Todos os animais devem andar nus.

George Orwell, in Quinta dos Animais

 

1.Em entrevista a Filipe Santos Costa, publicada no semanário Expresso (18.10.13), a antiga secretária de estado dos Estados Unidos, Madeleine Albright, nas administrações republicanas de Ronald Reagan e de George Bush – e a propósito do seu livro “Fascismo – Um Alerta” – fala de uma realidade de tirar o sono às pessoas. Às pessoas que, natural e civicamente, olham reagem e participam no corpo da ação dos dias.

Registo, assim a modos que confirmação de que a senhora é uma visionária: um fascista é alguém que se identifica fortemente com – e fala em nome de – toda uma nação ou um grupo, não se importa com os direitos dos outros, e está disposto a usar quaisquer meios necessários, incluindo violência, para atingir os fins desejados.

O fascismo cresce onde as pessoas são convencidas de que toda a gente mente e que é precisa uma mão forte para impor ordem num mundo caótico. É por isso que media corajosos e independentes são tão essenciais à democracia.

2. Admitindo que durante a sua ação política a senhora me pareceu menos atenta às dores do mundo, dou a mão à palmatória e vinco estas suas palavras: nenhuma nação pode ter sucesso, ou tornar-se grande, procurando separar-se da comunidade internacional.

Ups! Que definição e que olhar sobre a instalação do caos que por aí vai!

Claro! Para quem nasceu na Checoslováquia, percebe-se.

3. Como se percebe perfeitamente estas suas afirmações: o fascismo fez milhões de vítimas e alterou as vidas de muita gente na minha geração e, por extensão, dos que vieram depois. E preocupa-me que pessoas demasiado habituadas à liberdade possam assumir que os seus direitos jamais serão ameaçados.

Mas atenção! Há um olhar vestido de esperança: existem muitos líderes na Europa e noutros lugares que estão a esforçar-se para juntar as pessoas e restaurar a fé pública nas instituições democráticas.

 

Ah! Inquieta-me aquilo que parece ser um esforço deliberado para desacreditar o jornalismo profissional e para espalhar confusão sobre a própria definição de “verdade” e “factos”.

Ar do tempo

foto: catholicherald.co.uk

Os pobres estão no centro do Evangelho. O Evangelho põe os pobres no centro. Melhor, mete a pobreza no centro.

Papa Francisco, intervenção a um grupo de jovens da diocese de Grenoble-Vienne (França), Vaticano, 18.09.17

Óscar Romero, um sacerdote católico salvadorenho foi assassinado, no seu país, decorria o ano de 1980.

Porquê?

Simplesmente porque teve a coragem de denunciar na sua ação diária a pobreza, a tortura e os assassínios que não paravam naquele país.

Francisco, o atual líder dos católicos, vai canonizar este antigo sacerdote salvadorenho.

Se justiça não foi feita em vida, esta canonização de Óscar Romero, muito para além de uma justíssima homenagem a um lutador dos direitos humanos e defesa dos mais pobres, é um enorme murro no estômago dos líderes políticos populistas e totalitários que crescem como cogumelos por todo o lado.

Compor a intensidade

Há muitos inquietantes a percorrer as vias secundárias.

Paulo Vinhais, E, 18.10.05

Agora que já foi inaugurada a primeira fase da ecovia de Guimarães e, portanto, aquele espaço de fruição

(calma senhores do PSD e do CDS!, andaram a dormir na forma durante tanto e tanto tempo e agora já querem uma ecovia que vos leve aos vossos locais de trabalho? Não? Vi logo que a vossa burguesia não permitia bicicletas a não ser na vossa vaidade.)

Importa perguntar: como são as regras para a sua utilização?

Pode-se circular ou estacionar automóveis na mesma?

Era fundamental sabermos onde colocar o automóvel, não era? Assim – e isso acontece em plena ecovia vimaranense, os automóveis que são reis e senhores da ecovia (olhe-se na foto).