Confins de esperança

foto: cartacapital.com.br

Trump prometeu colocar 20 mil soldados na fronteira. Uma operação militar de grande escala contra migrantes e refugiados. Quem lançar pedras será abatido, prometeu. Aquilo é uma invasão. É uma guerra. É terrorismo. Diz ele. A caravana ou será parada ou arrastará tudo à sua passagem, incluindo a nossa humanidade.

Clara Ferreira Alves, E, 18.11.10

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Olhar de perto

Fui buscar naquilo que muitos chamam de caixa de ferramentas para consertar o homem e a mulher, que é a Bíblia sagrada.

Jair Bolsonaro, presidente eleito do Brasil.

Há pessoas que, assim do aparente nada – mas com uma tremenda máquina promocional e cheia de interesses (muitas vezes bem obscuros) se arvora em dono do destino; deuses.

É o caso do presidente eleito do Brasil. Mas sobre essa realidade do homem, dos interesses e do devir é melhor dar atenção a outras formas de olhar.

  1. Esgotados os adjetivos, demorará até se perceber as consequências de uma eleição alimentada pelo ódio, pela mentira, pela alienação mítica de inspiração religiosa. Em vez de um Presidente, os brasileiros escolheram um “mito”. Inspirado em Deus, diz ele. Valdemar Cruz, E, 18.11.03
  2. O Brasil nunca transcendeu a sociedade pós-colonial que é. O Partido dito dos Trabalhadores também não fez. E assim veio o anjo negro Bolsonaro pairar sobre este medo atrasado e naturalista, agitando as asas da salvação depois de ser ter banhado no rio Jordão. Deus tem um plano para ele, diz ele. Não se riam. Clara Ferreira Alves, E, 18.11.03
foto: diariodomeiodomundo.com.br

E por cá como se olha esta nova realidade em terras de Vera Cruz?

Que a direita esteja fascinada com Bolsonaro, cavaleiro de triste figura, já é notório. Mas que justifique a adoração com o argumento da “ética”, é estranhamente moralista. E arriscado, não vai ser preciso muito tempo para que a “ética” abra a gabardina e exiba as suas misérias. Francisco Louçã, Expresso (Economia), 18.11.03

Está tudo explicado?

Se calhar vale a pena olhar com cinismo para a coisa: Portas não vê nada eticamente reprovável em Bolsonaro, mas estudou assunto com os mesmos óculos com que leu contratos dos submarinos. (o Inimigo Público, 18.11.02)

 

 

Aflição de ser pessoa

Foto: Paul Sancya (AP Photo)

Os laçarotes não passam de roupas, que são a marca distintiva do ser humano. Todos os animais devem andar nus.

George Orwell, in Quinta dos Animais

 

1.Em entrevista a Filipe Santos Costa, publicada no semanário Expresso (18.10.13), a antiga secretária de estado dos Estados Unidos, Madeleine Albright, nas administrações republicanas de Ronald Reagan e de George Bush – e a propósito do seu livro “Fascismo – Um Alerta” – fala de uma realidade de tirar o sono às pessoas. Às pessoas que, natural e civicamente, olham reagem e participam no corpo da ação dos dias.

Registo, assim a modos que confirmação de que a senhora é uma visionária: um fascista é alguém que se identifica fortemente com – e fala em nome de – toda uma nação ou um grupo, não se importa com os direitos dos outros, e está disposto a usar quaisquer meios necessários, incluindo violência, para atingir os fins desejados.

O fascismo cresce onde as pessoas são convencidas de que toda a gente mente e que é precisa uma mão forte para impor ordem num mundo caótico. É por isso que media corajosos e independentes são tão essenciais à democracia.

2. Admitindo que durante a sua ação política a senhora me pareceu menos atenta às dores do mundo, dou a mão à palmatória e vinco estas suas palavras: nenhuma nação pode ter sucesso, ou tornar-se grande, procurando separar-se da comunidade internacional.

Ups! Que definição e que olhar sobre a instalação do caos que por aí vai!

Claro! Para quem nasceu na Checoslováquia, percebe-se.

3. Como se percebe perfeitamente estas suas afirmações: o fascismo fez milhões de vítimas e alterou as vidas de muita gente na minha geração e, por extensão, dos que vieram depois. E preocupa-me que pessoas demasiado habituadas à liberdade possam assumir que os seus direitos jamais serão ameaçados.

Mas atenção! Há um olhar vestido de esperança: existem muitos líderes na Europa e noutros lugares que estão a esforçar-se para juntar as pessoas e restaurar a fé pública nas instituições democráticas.

 

Ah! Inquieta-me aquilo que parece ser um esforço deliberado para desacreditar o jornalismo profissional e para espalhar confusão sobre a própria definição de “verdade” e “factos”.

Ar do tempo

foto: catholicherald.co.uk

Os pobres estão no centro do Evangelho. O Evangelho põe os pobres no centro. Melhor, mete a pobreza no centro.

Papa Francisco, intervenção a um grupo de jovens da diocese de Grenoble-Vienne (França), Vaticano, 18.09.17

Óscar Romero, um sacerdote católico salvadorenho foi assassinado, no seu país, decorria o ano de 1980.

Porquê?

Simplesmente porque teve a coragem de denunciar na sua ação diária a pobreza, a tortura e os assassínios que não paravam naquele país.

Francisco, o atual líder dos católicos, vai canonizar este antigo sacerdote salvadorenho.

Se justiça não foi feita em vida, esta canonização de Óscar Romero, muito para além de uma justíssima homenagem a um lutador dos direitos humanos e defesa dos mais pobres, é um enorme murro no estômago dos líderes políticos populistas e totalitários que crescem como cogumelos por todo o lado.

Compor a intensidade

Há muitos inquietantes a percorrer as vias secundárias.

Paulo Vinhais, E, 18.10.05

Agora que já foi inaugurada a primeira fase da ecovia de Guimarães e, portanto, aquele espaço de fruição

(calma senhores do PSD e do CDS!, andaram a dormir na forma durante tanto e tanto tempo e agora já querem uma ecovia que vos leve aos vossos locais de trabalho? Não? Vi logo que a vossa burguesia não permitia bicicletas a não ser na vossa vaidade.)

Importa perguntar: como são as regras para a sua utilização?

Pode-se circular ou estacionar automóveis na mesma?

Era fundamental sabermos onde colocar o automóvel, não era? Assim – e isso acontece em plena ecovia vimaranense, os automóveis que são reis e senhores da ecovia (olhe-se na foto).

Areia espelhada

Brasília estraga o Brasil

Alexandra Lucas Coelho, in ao deus-dará

 

O jardim parece esconder-se da montagem quase laboratorial da planagem dos dias.

Assim os olhos e os gestos dos corpos – dos dois corpos sentados lado a lado –, trazem a criação urbana. Sentida. Muito para além das cumplicidades.

O jardim, já tem luz. Emanada dos movimentos perdidos dos corpos quase celestiais que desceram sobre o final do dia. Parecem à beira do abismo?

Começou realmente a planagem dos dias. Sem distância. Rigidamente austera sobre os corpos. Forte. Gelada. Como todos os dias. É noite. E os corpos velam o sonho. Que se vai estendendo sobre os bancos vermelhos do jardim. Num discurso rigoroso sobre a pluralidade dos dias.

Que estranheza invulgar!

Será que Ana Sá Lopes (editorial do jornal Público, 18.09.20) tem razão? O perigo da chegada do jagunço-salvador-da-pátria à Presidência da República do Brasil é real. Quando os democratas falham, não perdem só eleições – abrem comportas de represas muito difíceis de estancar.

Há jardins estranhos; violentos, não há?

Como todos os dias acontece, vem a noite – já de seguida…

Até do outro lado do grande Atlântico.

O pior é que por ali, a história tende a repetir-se. E os corpos ensanguentam-se…

E qual é o teu espanto? Não sabes dos interesses dos grandes grupos económicos e das multinacionais que tudo pagam para terem os bens que lhes dão o poder de serem donos disto tudo? Querem lá saber da beleza dos corpos.

Espetáculo do drama humano

Uma coisa é uma rosa, outra o nome da rosa.

Ana Cristina Leonardo, E, 18.09.15

 

Portugal está em 10º lugar no ranking das democracias mundiais, título do jornal Público, 18.09.11. Em contraponto com a erosão a nível mundial, o país melhorou nos indicadores democráticos e de direitos e liberdades. Pode ler-se na peça jornalística com assinatura de Leonete Botelho.

É uma grande notícia sobre uma realidade portuguesa; linda. Ainda bem que os resquícios da troika, pelo menos por aqui, não se fazem notar – o que não deixa de ser muito, muito importante. Ainda para mais num país que vê nascer projetos mais ou menos estranhos!

Importa vincar que esta coisa linda no que à qualidade da informação que se faz em Portugal diz respeito, consta de um estudo do projeto V-Dem (variedades da democracia) que analisa 201 países.

Ah! E o que é esta V-Dem?

É uma rede global de investigadores e peritos com sede na Universidade de Gotemburgo, na Suécia.

Voltando ao texto da jornalista Leonete Botelho, importa vincar as palavras de Tiago Fernandes (coordenador do projeto V-Dem para a Europa do sul): Portugal é dos países em contra-tendência, já que a tendência mundial dos últimos 8 anos, dez anos, tem sido, não necessariamente de reversão, mas de alguma erosão da democracia, mesmo em democracias estabelecidas.

Caramba! Que bom que é ver que algo perdura de bom – do que já por cá existia -, depois dos anos negros em que, sob a batuta de Pedro e Paulo (os donos da chave dos coveiros de serviço às mãos de uns senhores que, como os vampiros, sugam tudo) os portugueses quase morreram asfixiados!