Olhar a dois tempos; no meio do rio gelado

Quando tu nasce fudido tu aprende depressa.

Alexandra Lucas Coelho, in ao deu dará

 

O passado

O erro maior foi a Europa e o Fundo Monetário Internacional (FMI) terem resistido a enveredar por respostas heterodoxas à crise da dívida soberana. Por exemplo, terem recusado o perdão ou a mutualização da dívida da Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha.

Kenneth Rogoff, professor de economia de Harvard e historiador das crises, Expresso (Economia), 17.08.05

 

O futuro

O risco número um é Trump. O segundo uma crise de crescimento na China.

Idem

 

Ah! Este senhor avisou que a crise que começou em 2009, disse que todos aqueles que diziam que “a crise seria diferente, passageira e leve” que “estavam iludidos”.

O resto, todos sabemos o que aconteceu.

 

Os olhares devem ser sempre iguais?

foto: pcp.pt

Dado que entramos oficialmente na “estação tola”, e salvo na Casa Branca onde continuam as banalidades de Trump, os políticos foram maioritariamente a banhos (os da oposição a Maduro, não se sabe bem para onde foram).

Ana Cristina Leonardo, E, 17.08.05

 

O PCP censura o governo português por não reconhecer o resultado eleitoral na Venezuela e, na quinta-feira, criticou o executivo do senhor Costa por este tomar uma posição “contrária aos interesses da comunidade portuguesa naquele país”; afinal diz a comunicação oficial dos comunistas portugueses – que “saúda o povo venezuelano pela defesa da democracia e da Paz” –  o que está em causa é a segurança da comunidade portuguesa residente na República Bolivariana da Venezuela, o que “implica a condenação das ações desestabilizadoras, terroristas e golpistas”.

Não tenho nada contra a favor da posição política dos partidos, mas sempre gostaria de ver coerência nas suas tomadas de posição. Por exemplo no que concerne a um país de nome Coreia do Norte.

 

Nota de rodapé: Na Venezuela corre-se contra o tempo numa pista manchada de sangue (título do jornal Público, 17.08.04)

Sons dos ditadores; aconselha-se prudência

Qualquer pessoa que pense que pode resolver os problemas deste mundo com isolacionismo e protecionismo está a cometer um grande erro.

Angela Merkel, in Público, 17.07.17

 

Tenho vergonha de ser europeu numa Europa que fica à espera que um senhor de nome Donald venha a Varsóvia – Varsóvia, capital da Polónia, Polónia populismo, populismo Donald Trump, Donald Trump caos, dores permanentes – dizer que o “ocidente enfrenta ameaças existenciais” – Infelizmente o senhor até tem razão! E goza com essa anomalia do dia-a-dia dos europeus; com essas dificuldades no campo do existencialismo dos estados e dos cidadãos –, vai daí, aterra num dos países mais populista da Europa e entra de cabeça a exibir os populismos que quer para uma coisa vaidosamente só para certos eleitos com nom de G20.

Deve ser por isso que a senhora Merkel não teve – nem terá nunca; enquanto os ismos bem ao gosto dos senhores Putin e Trump por aí andarem livre a enganadoramente à solta – “a cimeira que ambicionava”. (Vale a pena ler com muita atenção – e apreensão o trabalho jornalístico inserido nas páginas 2, 3,4 e 5 do jornal Público do último dia 7, do mês 7 do ano 2017 (tanto sete!, não é?).

Ah! o que foi lamentável foi mesmo as cargas policiais. Vinte mil policias?! Porra!

Seria para esmagar as pessoas que – natural e democraticamente – têm direito a mostrar o descontentamento pelo caos que reina no planeta; por culpa de uma casta vaidosa e destruidora?

 

Poder é importante ou sol do desejo?

foto: publico.es

Havia um reverso horrível das coisas e, quando se perdia a razão, nós víamo-lo; morrer era impedir o destino ao extremo e nele se abismar.

Jean-Paul Sartre, in As Palavras

 

logo de manhã; pela fresca, salto o muro e desço – para sentir as infiltrações do mar.

ah! homem do tempo! isso é percurso de dor ou narrativa ignorada?

não, não é, nem tão pouco qualquer desejo de avalanche emocional pelas dores dos dias.

então que se passa com os teus – sempre esplêndidos, diga-se! –, brancos à parte?

ora!, ora; nada. luzes, sombras. e depois…

… e depois?

acreditas mesmo que há por aí momentos capazes de degolarem, o mundo?

então não há? olha-me para esta merda: Pablo Iglesias – Qual Trump ibérico, mas com menos poder, o homem que prometia regenerar a democracia excluiu órgãos de comunicação hostis de uma reunião de jornalistas com o Podemos. (Do céu ao inferno, Expresso, 17.06.23)

não aquele tipo de rabicho que encanta toda a esquerda portuguesa?

toda a esquerda portuguesa? não durmas.

 

Realidade de coisas fantásticas

O que une um homem a outro é o tempo.

António Pedro Lopes, E, 17.03.05

 

 

Há anos, poucos anos, diga-se, um líder partidário – que já não o é – defendia que uma das formas de ultrapassar a crise que grassava na zona euro falou – que me recorde foi o primeiro político português a fazê-lo em público – na necessidade de emissão de eurobonds.

Eurobonds? O que é isso?

Pois então, obrigações europeias que permitem a partilha dos riscos financeiros entre os países. Obrigações que seriam emitidas de forma centralizada.

A Alemanha, principalmente a Alemanha, opôs-se de forma tremenda.

Eis que os eurobonds voltam à discussão na Europa. Pela mão da Comissão Europeia na sua proposta de reflexão da União Económica e Monetária.

 

Ah! António José Seguro abandonou a vida política e pública. É agora estudante e professor.

Na boca da cena

Sou especialista em fantasia e, por isso mesmo, difícil de engana, quando se trata de devaneios. Consigo ver logo se um devaneio é fruto de uma genuína imaginação.

Maria João Lopes, P2 (Público), 17.05.28

 

já viste?, há um olhar de maravilhamento em crescendo

só pode ser algum compromisso de discórdia…

… ena! nunca mais aprendes que cargas emocionais inesperadas são para evitar? tu só queres viver em agitação – em debates à porta fechada. pareces aquele senhor alemão. como muito bem salienta Nicolau Santos – Expresso (Economia), 17.05.27 – alguém pensa que em dois meses Schäuble mudou de opinião e considera que as ideias de Centeno teriam sido uma boa alternativa, aquelas que sempre advogou para combater a crise que se abateu sobre a zona euro?

bom… quase que concordamos…

quase?

pronto!, se me mostras quem adora planícies agrestes ou os tempos quentes que teimam em perseguir-nos no inferno dos nosso dias; todos os dias.

ou de quem só desenha o tempo em tratados de melancolia por cidades moribundas onde só existem viagens ao íntimo das faturas expostas.

já chega!

deixa-me terminar, por favor: é gente para quem o olhar de hoje só pode andar perdido na incerteza do futuro.

pronto! junto-me a ti: o futuro não pertence às carpideiras. por isso te sugiro que olhes com atenção para estas palavras do antigo diretor do jornal Público Vicente Jorge Silva, inseridas na edição do passado dia 28, no referido jornal:

Vimos Portugal arrumar a casa – apesar dos engulhos da oposição – com a saída do procedimento por défice excessivo, o que proporcionou ao inefável Schäuble a mesquinha ironia de comparar Centeno com Ronaldo. Aliás, por causa de Schäuble e do seu duelo com o FMI, a Grécia continua refém de um fundo financeiro insuportável.