Palavras ocas; vestidas de opacidade

O futuro também muda o passado.

Alexandra Lucas Coelho, in ao deus dará

 

Alguém se lembra do senhor Mario Vargas Llosa?

Aquele senhor que seria programador da Capital Europeia da Cultural em Guimarães (CEC 2012)?

Não foi, pois não?

Claro! O senhor nem (sempre) usa as palavras certas no sítio certo.

Mas, convencido de que é um herói da palavra (não confundir com vendedor de livros que agências promovem com toda a naturalidade dos números da faturação), o dito senhor vaidoso resolveu falar. Em Barcelona.

Caramba! Um ‘dono’ da palavra escrita falou!

Para dizer coisas sem sentido; vestidas de palavras agressivamente encomendadas. Sensatez é algo que não fica à espera de palavras bacocas; sensatez é a verdade saída dos olhares de quem sente os dias e as suas dores na rua da opressão distante.

Pronto senhor! Ainda bem que Guimarães, em 2010, ignorou o seu desejo vazio de ‘programar’ a CEC!

Estamos tão felizes; mesmo a esta distância.

O mesmo não dirão os senhores catalães, principalmente aqueles que viram a praça Urquinaona ocupada por gente sem ideia de estado e nação; recrutada à pressa para engrossar as manias fascistas do senhor Mariano.

 

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Não há memória sem esquecimento *

Se voa o mundo como uma enorme barata, o que poderia esperar dos meus semelhantes?

Virgilio Piñera, in O grande Babo e outras histórias

 

Escreve Joaquim Martins Fernandes (Diário do Minho, 17.08.21) que “Braga é a terceira cidade do país no público em espetáculos ao vivo”. E justifica o seu trabalho, ou melhor, a sua afirmação dizendo que “é na área da cultura que Braga se afirma”. E, caramba!, diz o jornalista do Diário do Minho que “só em Lisboa e Porto as sessões de teatro, os concertos e outros espetáculos artísticos cativam mais público que na capital minhota”.

A sério, Joaquim?

E esses números são de onde?

Da Fundação Manuel dos Santos, na base de dados PORDATA?

A sério, Joaquim?

E em que se baseiam esses números da Fundação Manuel dos Santos?

Ah! Só no final da peça jornalística é que descortinamos a verdade:

«trata-se, no entanto, de uma evolução face ao ano de 1999, data em que Braga “não dispunha de nenhuma sala”».

Assim não vale, Joaquim. Quase me convencias que Braga é a terceira cidade portuguesa em espetáculos culturais.

Mesmo que muitas notas oficiais (ou oficiosas) possam servir de suporte a muitos trabalhos jornalísticos.

 

* nem história sem contradição.

 

Perder é importante

Era impossível fazer pior depois de Mesquita Machado, em particular depois dos desastrosos meses do seu derradeiro mandato. Por isso, tendo ganho as eleições de 2013,

a Coligação Juntos por Braga tinha o caminho aberto para brilhar. Conseguiu desiludir em inúmeras áreas, incluindo naqueles em que podia falhar.

Luís Tarroso Gomes, Rua, setembro 2017

 

Olhar zangado

O ato de lançar a tortilha no ar é um triunfo da serenidade sobre o terror.

Virgilio Piñera, in O grande Baro e outras histórias

 

Com a memória do “eu tenho um sonho”, de Martin Luther King, mais de mil líderes religiosos marcharam, 54 anos depois, em Washington, pelos direitos civis e contra o governo de Donald Trump, leio no suplemento do Diário do Minho, Igreja Viva, na sua edição do passado dia 7.

 

Registei do texto, um excerto do que foi dito em público nessa manifestação:

estamos aqui para que o país saiba que não toleramos o racismo. Estamos aqui para que o país saiba que não toleramos o fanatismo.

Há movimentos lindos, às vezes!

 

 

Elevado desempenho

foto: Miguel A. Lopes (Lusa)

Vocês veem as coisas como elas são e perguntam-se porquê? Eu sonho com coisas que nunca foram e digo: porque não?

George Bernard Shaw, escritor irlandês

 

Há uma entrevista a Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda conduzida pelos jornalistas Adriano Nobre e Luísa Meireles, que tira todas as pedras do caminho por onde seguirá o Portugal do senhor Costa dentro de pouco tempo. É uma entrevista muito, muito importante onde os dias que aí vêm depois das autárquicas – altura em que o senhor Costa perceberá que perdeu – e, no que concerne ao Orçamento de Estado do próximo ano.

Dessa conversa com os jornalistas do Expresso fico, assim de repente, com duas afirmações de Catarina Martins. A primeira que faço questão de vincar é esta: quando se fala de um Bloco brando, é a saudade que a direita tem do partido de protesto.  Que bom! E essa direita anda por aí feita pavão vaidoso, porra!

Depois duas afirmações que sossegam as minhas noites:

Há esta retórica no PS de que se tivesse a maioria absoluta ia fazer o mesmo. Não significa nada, não vai.

E o PS, e não é de agora, interiorizou o discurso de austeridade europeu. Mesmo quando compreende os resultados económicos positivos e fica contente com eles.

Pronto! Sempre gostei de quem não está com meias palavras e mariquices.

Acabou o tempo; vamos em frente

Foto: Alberto Frias (Expresso)

Os bolsos dos portugueses estão cheios de otimismo, mas o dinheiro que lá encontram, sempre que remexem os bolsos é praticamente o mesmo de há dois anos.

Rosália Amorim, Dinheiro Vivo, 17.09.09

 

O semanário Expresso, na sua edição em papel do último sábado, publica um trabalho – com assinatura de Adriano Pinto e Rosa Pedroso Lima – sobre o estado do governo do senhor Costa. É um trabalho que nos dá o retrato do princípio do fim. Mesmo que a remodelação do governo do senhor Costa ainda – sublinho – ainda “seja tabu, chutado para depois do Orçamento de estado”.

Confesso que, mesmo vincando as palavras dos dois jornalistas, mormente no que concerne à lamentável e triste realidade dos incêndios, o que mais gostei foi da ilustração das páginas 4 e 5. Caramba!  Sérgio, não te imaginava com esta pinta para o desenho!

Importa vincar que a gravura que ilustra o trabalho jornalístico “estarão as chamas a atingir o Governo” é de Sérgio Sousa Pinto, antigo líder da JS e antigo deputado europeu.

Parabéns, Sérgio! Sempre apreciei a tua lucidez.