Destino *

Era tudo proibido e havia portanto toda a liberdade.

Manuel S. Fonseca, E, 18.04.14

Quando vejo (ou revejo) o filme Dois homens e um destino recordo sempre as palavras da minha mãe: o teu avô sofreu tanto naquela guerra!

Não, não conheci o meu avô materno que pagou caro a sua passagem pelas trincheiras em França na I Guerra Mundial. Só vejo memórias estampadas: olhares tão meus, dizem-me, simétricos; aos meus.

Uma raiva dos dias que me percorrem: adoraria conhecer a beleza de um avô que foi (sempre) o génio do lugar, homem sem deus. Não temendo os dissabores dos dias.

Ah! Temos o mesmo nome. Ele, o primeiro, eu, o segundo.

* Ou será de uma volta à conformação; onde entrar no pensamento é um a fotografia anónima de uma primavera selvagem?

Enfrentando o fantasma

Foto: arquivos Gesco, in Expresso

O declínio dos partidos tradicionais está a pôr em causa o consenso europeu que garantiu a estabilidade democrática no pós-Guerra
Carlos Gaspar, Investigador do Instituto Português de Relações Internacionais, Expresso, 18.12.29

Como Marine Le Pen, o senhor Ventura não é fascista. Já não se usa. André Ventura é outra coisa: é de extrema-direita, escreve a anterior diretora do jornal Público, Bárbara Reis, na edição da passada sexta-feira, dia11.

Vale a pena ler o texto “o senhor Ventura não é fascista”, inserto na página 11 daquele diário.

Por nada em especial!, perdão!, porque é evidente que as ideias do Chega são aquilo a que se convencionou chamar de extrema-direita.

Perigosa; lunaticamente indesejável para os cidadãos, para as pessoas que nunca souberam (felizmente!) o que foi um país chamado Portugal, nos tempos de um tal António; de Santa Comba.

Ah! Francisco Louçã tem toda a razão: há que simplesmente tratar Ventura como ele é, como faria Natália Correia, notando que se trata de um emproado que quer fazer carreira deitando lama para todo o lado. (Expresso/Economia, 19.10.19)

Dinâmica ímpar

Precisamos de arrumar o nosso interior, para que haja mais espaço, pois, desse modo, distinguimos melhor. É como quando numa casa repleta de coisas começas a tirar o que não é necessário e começas a ver.

Anselmo Borges, Diário de Noticias, 19.08.25

É tão bom quando estamos juntos – amados; vivendo – de pessoas fabulosas; pessoas das nossas vidas. Pessoas muito para além das carinhosas expetativas com que conduzimos os dias; que nos encantam e nos agradecem a vida; agradecendo o que sonhamos para que fossem o que são.

Pessoas encantadoras e encantadas com a vida.

Tão bom!

Vou mesmo respirar a ilha; um desejo com tantas luas.

lugar performativo

olhares na cidade

destruída; construída a cidade – o olhar atreve-se em ambiente sereno;

húmido

(terá consciência de mim?)

será a imagem da origem de nós diante do abismo?

e se for mesmo só um olhar efémero?

 

tudo é certo; até a encenação do ‘puto grande mimo”

bem ordenado o cartão; é verdade! até vereadores se perfilam

na memória a vibrar

 

destruída; construída a cidade – relâmpagos fortes e agressivos

na noite; vestida de intenso nevoeiro – a memória a vibrar.

o cartão; as caixas ordenadas falta desejo. sim!

 

quem passa ignora os movimentos do corpo

perda de lugar e da memória? mãe não deixes por favor!

as caixas vazias; a cidade perdida – sem memória da origem

 

sempre a sobrevivência!