O que o poder produz!

Suponho o espírito humano uma vasta concha, o meu fim é ver se posso extrair a pérola, que é a razão.

Machado de Assis, in O Alienista

 

Será o PS um partido inclusivo?

É!

Então por que razão demora (tanto; mesmo imenso tempo!) a sede nacional daquela força partidária a aceitar a filiação de pessoas de etnia cigana?

O texto que Margarida Gomes assina na página 10 do jornal Público de quinta-feira, dia 7, diz tudo.

 

Se o meu olhar sobre as palavras da jornalista do diário Público está correto o PS borrifa-se solene e literalmente para as minorias. Até parece a comissão dos putos nicolinos deste ano; aqui por terras afonsinas!

Que dó; meninos!

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Somos culpados e matamos futuros II

Prefiro ser rude e apontar com o dedo a ser acusado de conluio com qualquer dos falecidos filósofos franceses dos últimos anos.

Manuel S. Fonseca, E, 17.12.01

 

Adoro a liberdade; a opção individual sobre as ações e atos ou atitudes.

 

Adoro a liberdade que os partidos concedem às pessoas; os seus militantes. Oh! Se adoro!

Adoro a forma como as estruturas de poder adoram a liberdade de cada um, quando se trata do endeusamento ou do culto do chefe.

AH! Adoro a liberdade de pensamento; expressão e olhar. Aqui, lá mais em cima ou ali mais ao lado.

 

Como adoro pensar, olhar e expressar-me livremente deixei de adorar as estruturas e/ou instituições onde o culto do chefe, o endeusamento do líder ou a criação de um deus – com ou sem celebrações, parlamentos ou altares – são

(apenas)

janelas para o tributo.

 

Qualquer semelhança com os dias que correm nos dias processuais dos partidos, seitas ou grupos religiosos, não é mera coincidência; apenas faces de uma mesma moeda.

Tempo de grandes mudanças

Gravura: Helder Oliveira (Expresso)

O verniz estalou na ‘geringonça’ e não foi bonito de ver.

Luísa Meireles, E, 17.12.01

 

 

Mariana Mortágua – com o tempo certo e a apalavra exata – foi clara: o governo não honrou a sua palavra. O governo, todos sabemos, é o governo do senhor Costa. A palavra – tomara que a palavra fosse respeitada! – está nos acordos, à esquerda, que permitiu (ainda) manter o governo do senhor Costa.

A palavra – como seria de esperar; depois de tudo o que (todos) conhecemos, é uma vacuidade na gestão dos dias para o senhor Costa.

Resultado: a geringonça – parvoíce feita história de um senhor que por aí vai falando de “brigadas de ação rápida” – acabou.

E os dias já o disseram. Pela voz do mais que tudo do senhor Costa e do (dizem que será o próximo primeiro-ministro de um – outro – governo do PS) ministro dos transportes.

 

Fim da loucura

foto: freepass

 

Não estou preocupado com a humanidade, mas sim com o planeta: um de nós tem de desaparecer e, infelizmente, como não somos civilizados, como somos tão gananciosos, é melhor se formos nós a desaparecer e o planeta a ficar.

Aki Kaurismäki, Ípsilon, 17.10.26

 

Ouço 1755 – o novíssimo e poderosíssimo álbum dos Moonspell – e recordo Antropocenas *, há duas semanas estreado em Guimarães. Aliás, e sendo mais justo, estou lendo a publicação (de 800 exemplares) que acompanhou o espetáculo (muito bom) e saltei para Monspell e 1755 e, eis que entra nos meus ouvidos: não, não ficará pedra sobre pedra.

Caramba!

Fico apreensivo, mas não desiludido e olho – sim porque a memória tem olhares – para a Rita Natário:

– Eu sou uma pessoa doente.

– Sofres de quê?

– Alterações climáticas

Ui! O Fernando Ribeiro diz-me ao ouvido: em nome do medo, caímos, enfim!

Ó pa! Eu não queria o tormento por aí, do mundo sem fim!

Sou sangue do teu sangue, luz que se expande.

Quem disse que a música e o teatro não são enormes amigos do pensamento?

Esperamos nos lugares onde se mata e esfola para destituir certos lugares da natureza ou vamos com Rita Natário e João dos Santos (e os atores que os acompanham) e os Moonspell de bandeira levantada dançando entre plantas, pedras, gatos, dildos e relva nas axilas por entre uma cidade perdida e sete mares do sol, evitar que aconteça não restará ninguém sobre a terra. Não? Vamos mesmo continuar a ser escravos, retomar a terra.

Merda! Não somos amigos do pensamento? E, principalmente, os últimos exemplares vivos?

 

* Teve estreia em Guimarães, ali na black box da Plataforma das Artes e Criatividade, mas a imprensa nacional só falou dos espetáculos em Lisboa; curiosamente numa peça assinada por uma jornalista que (era suposto) ser amiga de Guimarães e que integra o semanário Expresso.

 

 

Somos culpados e matamos futuros

foto: agronegocios.eu

Os grandes senhores consentem sempre, nunca obedecem.

Virgilio Piñera, in O grande Baro e outras histórias

 

Um dia a geração a seguir à minha sabê-lo-á – infelizmente melhor e de forma mais vincada na dor, do que a minha geração (aquela que comanda grande parte dos destinos do meu país) – o que é viver rodeado de eucaliptos.

Ao ritmo a que esta peste-oportunista-para-grandes-interesses-instalados cresce!

 

(o governo do senhor Costa já autorizou a plantação eucaliptal em valores assustadores – um aumento de 57% é obra, senhores!

 

Tudo será um caos no que resta do outrora lindo Portugal. E o pior é que é nesta antigamente jardim, à beira plantado que vivem e viverão as pessoas da geração a seguir à minha.

Misturar com vaidade

foto: jornaldenegocios.pt

O individualismo excessivo tem efeitos altamente destruidores sobre a sociedade.

Isabel Capeloa Gil, Público, 17.08.21

 

A “anormalidade” do funcionamento da ERC [Entidade Reguladora da Comunicação Social] é da responsabilidade do Parlamento,

escreve Pedro Lima no caderno de Economia do semanário Expresso (17.10.28).

Sim! Carlos Magno, “contrariando o parecer técnico da ERC e as posições dos seus colegas no conselho regulador”, bloqueou “o veto à compra da Media Capital pela Altice numa altura em que a ERC não está a funcionar normalmente”.

O anormal, afinal, disto tudo é Carlos Magno ainda continuar a presidir à ERC, ou será só impressão minha?

 

Ah! Escreve Nicolau Santos na mesma edição do semanário Expresso: perante a brutal clareza deste perecer da ERC, há que perguntar a Carlos Magno: o que é que não percebeu? E o que pensam o PS e o PSD sobre este magno assunto?

Delicadeza do banal

Foto: jornaleconomico.sapo.pt

Não precisamos necessariamente de utopias, mas de horizontes éticos que nos guiem.

Isabel Capeloa Gil, Público, 17.08.21

 

ONG alertam Europa para falta de formação dos juízes portugueses

, escreve o jornal Público (17.10.26) em título.

Começando por confessar a minha absoluta ignorância quanto à formação e ao tipo de formação dos senhores juízes no meu país, não sou capaz de ficar indiferente a algumas conclusões publicadas de alguns juízes no exercício das suas funções.

Não só não fico indiferente como fico profundamente preocupado com a qualidade das palavras de alguns juízes; que levam contra si a sociedade civil, os cidadãos – pois claro! – e instituições com o peso do presidente da República ou da igreja católica.

É caso para ficarmos a pensar seriamente no devir, não é?