Uma questão de queda

O vereador Freitas propões também a declaração de que em nenhum caso fossem os vereadores recolhidos ao asilo doa alienados.

Machado de Assis in O Alienista

 

Está o PSD a tornar-se um partido racista e xenófobo?

É a pergunta que Cristina Figueiredo coloca no semanário Expresso na sua edição de hoje.

Não espanta, por isso, que Pedro Passos Coelho esteja nos BAIXOS daquele semanário.

Como estará na cotação dos portugueses?

 

 

Estilhaços de uma vida

foto: Paulo Pimenta (Público)

O passado que falta comer é futuro.

Alexandra Lucas Coelho, in ao deus dará

 

1. Pegando no semanário Expresso do último sábado, deparo-me logo na primeira página, com este destaque:

Donativos usados como arma política em Pedrógão

Empregos e a promessa de uma rápida reabilitação das casas ardidas são as ofertas que circulam entre as vítimas.

 

2. Na página 24 daquele semanário – num trabalho de Amadeu Araújo – leio com toda a atenção o que vai acontecendo por terras de Pedrógão Grande, tão martirizadas pelo fogo. Retiro esta afirmação: com tudo perdido no fogo que há quase dois meses destruiu parte do modo de vida da população local, as vítimas da tragédia vão-se sujeitando a uma ajuda alegadamente subjugada ao calendário eleitoral.

 

3. E, da peça jornalística, considero muito importante vincar esta afirmação de Nádia Piazza, da associação das famílias vítimas do incêndio daquela localidade: tudo conta neste grande puzzle que é reconstruir toda uma região fustigada pela tragédia.

 

4. Há tantos dramas sem resposta.

Há tantos oportunismos de oportunistas ocos.

Há tanta gente a sofrer; gente esquecida e sem respostas dos oportunistas vácuos.

Há tanta gente, de repente, lembrada; oportunisticamente.

 

Nota de rodapé – Tremei: os relatórios preliminares à tragédia de Pedrógão Grande sugerem um processo disciplinar, uma multa e medidas futuras. O estado adora-se. (Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 12.08.12)

Um devir em crise

A astronomia será sempre uma solução quando a literatura já não der conta dela.

Alexandra Lucas Coelho, in ao deus dará

 

e pronto! lotação esgotada. de dentro para fora restamos nós. há tanto vazio vestindo palavras.

bela e perigosa; instalada na penumbra da sala, eis a solução. sombra de mitos…

outra vez!

uma maneira de ser feliz – deixemo-nos de olhar a água gelada! – é o olhar; olhar sempre atento. dissecando vazios. o medo.

orgulho-me das tuas escolhas; nunca forma tarefa fácil. sempre adoraste corpos que habitam o calor perto de ti.

há escolhas que se impõem, sabes? há uma bipolaridade exacerbada nos tempos que correm.

se há! ainda n o último fim-de-semana fiquei teimosa e demoradamente a olhar para estas palavras de António Guerreiro, no Ípsilon (17.08.11): Era uma bela utopia: abrir os sites dos jornais e revistas aos comentários dos leitores, promovendo assim o debate, a troca de argumentos, a socialização do saber, o ideal democrático de uma esfera pública alargada e cada vez mais esclarecida, conforme ao projeto moderno de uma sociedade transparente. Resultou, afinal, numa forma tenebrosa de obscurantismo. vês como nem sempre os nossos desejos utópicos são realidades boas?!

infelizmente é verdade e o jornalista tem toda a razão. é por isso que prefiro um olhar sereno; com jardim ao fundo. caminhar em tempos que não fazem sentido é um pesadelo.

os tempos, meu caro, fazem sempre sentido. os atores do tempo é que, tantas e tantas vezes, são parvos, ocos e adoram fazer-se de heróis.

assim do tipo aquele texto de Diogo Queiroz de Andrade (editorial, Público, 17.08.12)?

sim, sim. olha bem: o branqueamento do discurso ofensivo é um problema real, que se repete ciclicamente de cada vez que um André Ventura ou um Gentil Martins decidem balbuciar disparates em público. Eles têm o direito de dizer o que dizem, mas não podem legitimamente esperar não ser criticados — ou condenados — por isso.

Rei inútil

foto: pressminho.pt

À atenção do senhor Barreto, líder distrital bracarense dos socialistas:

No trabalho do semanário Expresso sobre as próximas eleições autárquicas em Portugal escreve o jornalista Filipe Santos Costa que “num distrito que é um molho de brócolos para o PS” há casos a merecer acompanhamento; a sério: Fafe e Vizela.

Lição das coisas

Na casa à direita pendem trapos da varanda, um colchão sujo, espólio de mendigos.

Alexandra Lucas Coelho, in ao deus dará

 

1.Guimarães voltou a cair no índice de transparência municipal.

Porra!

 

2. Da posição que (já) ocupou entre os dez primeiros daquela tabela da associação cívica Transparência e Integridade [9º lugar em 2009], no ano de 2016 passou para 114º.

Bolas!

 

3. Quantos pontos baixou a transparência em Guimarães?

Claro que, como vimaranense que gosta de Guimarães e das suas coisas lindas, esta realidade é uma nódoa negra; muito negra.

Choque ao contrário

A virtude da senhora mantinha-se pela prostituição da moleca. Por isso, também era melhor que os escravos não casassem.

Alexandra Lucas Coelho, in ao deus dará

 

1. A frase pintada num muro na cidade de Barcelona – Tourist go home – não é simpática, mas, como os habitantes daquela cidade se queixam do “turismo em excesso” – tal e qual como os vimaranenses que sentem a cidade e não se deixam endeusar por números que são uma merda feita treta de agências turísticas –, é um caso sério nos dias que correm e será pior no futuro.

 

2. Em catalão seny significa sensatez e sentido comum, escreve Nuno Ribeiro no jornal Público do passado dia 5. A peça que está na base do trabalho jornalístico – turistas são alvo na Catalunha, com pano de fundo do independentismo –, é um olhar muito sério da preocupação permanente sobre os exageros da faturação; com incidência no campo turístico.

É verdade que o trabalho jornalístico vai noutros sentidos, mas o que nos deve preocupar (a sério) é que tipo de protagonismo(s) deve ter uma cidade (de e) no futuro.

Desde logo o turismo não pode – nunca foi um peso no desenvolvimento das cidades – ser um pesadelo no dia-a-dia das pessoas, mas sim, há realidade (“um cocktail complexo”) que afeta futuros.

 

3. Ok! Diogo Queiroz de Andrade, em editorial no jornal Público (17.08.05), fala que em Espanha há uma nova forma de protesto que usa o argumento da pressão turística para cometer atos de violência à medida de discussões nas redes sociais.