Destino *

Era tudo proibido e havia portanto toda a liberdade.

Manuel S. Fonseca, E, 18.04.14

Quando vejo (ou revejo) o filme Dois homens e um destino recordo sempre as palavras da minha mãe: o teu avô sofreu tanto naquela guerra!

Não, não conheci o meu avô materno que pagou caro a sua passagem pelas trincheiras em França na I Guerra Mundial. Só vejo memórias estampadas: olhares tão meus, dizem-me, simétricos; aos meus.

Uma raiva dos dias que me percorrem: adoraria conhecer a beleza de um avô que foi (sempre) o génio do lugar, homem sem deus. Não temendo os dissabores dos dias.

Ah! Temos o mesmo nome. Ele, o primeiro, eu, o segundo.

* Ou será de uma volta à conformação; onde entrar no pensamento é um a fotografia anónima de uma primavera selvagem?

A mentira das férias

foto: esquerda.net

O dinheiro – não crescendo nas árvores, nem medrando nos rios – foi criado por nós à nossa imagem e semelhança: os ricos têm muito, os pobres têm pouco, os miseráveis, nicles.

Ana Cristina Leonardo, E, 19.05.11

 

Herdeiros de Arnaut e Semedo revoltados com o PS, leio (título) no semanário Expresso do passado dia 22.

Herdeiros de quem?

O PS que por aí circula em vaidades insulares sabe lá quem foi um senhor com nome António; Arnaut que faz a diferença.

Pelo menos no BE toda a gente sabe, muito bem, quem foi um senhor de nome João; Semedo com diferenças bem óbvias.

Diferenças! Que a carteira dos portugueses não para de sentir.

Bom rebelde

Sem o reflexo dos outros, sem as palavras dos outros, às quais responder, não podem,0s construir aquilo a que chamamos ‘nós mesmos’.

Alberto Maugnel, E, 18.04.28

 

O PÚBLICO gosta de provocar e inovar. E isso é muito bom. Lançar o desafio para que os seus assinantes se candidatassem às seis vagas existentes para integrar o seu Conselho de Leitores e aparecerem 366 pessoas a inscrever-se é obra, não é?

Manuel Carvalho, o diretor deste diário de referência em Portugal tem razão: tanta gente interessada em integrar o Conselho de Leitores confirma a necessidade que os leitores têm de estar mais perto dos processo de decisão dos jornais e dos jornalistas.

Num tempo desgraçado onde as falsas notícias são uma festa com foguetes a toda a hora, é tão bom olhar para realidades assim!

Continuar a viver na aldeia ou em vaidades encenadas? III

A oficina são as pessoas; trabalhar para as pessoas.

Nuno Faria, diretor artístico do Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), debate do Teatro da MemóriaA Oficina ano zero – Café Milenário, 19.01.17

 

Se trinta anos depois do seu nascimento a cooperativa municipal a Oficina, detida em grande maioria pelo município vimaranense, ainda não soubesse o que é o futuro, então, todos os vimaranenses – mesmo os que se deslocam às conversas no café Milenário; sempre agradáveis e simpáticas, andavam enganados.

Seria algo do tipo a cooperativa vimaranense responsável pelas coisas lindas no que à cultura diz respeito era uma treta.

Felizmente que não é assim. E, trinta anos depois do senhor António Xavier ter olhado com carinho para o artesanato vimaranense, eis que a Oficina é uma referência. Fabulosa. Em Guimarães. E no país.

Ai se não fosse a Oficina como teria sido a Capital Europeia da Cultura?

 

Uma nota final e de rodapé, e fazendo uma ligação abusiva à conversa do Teatro da Memória – A Oficina ano zero – Café Milenário, 19.01.17, cito as palavras de Ivo Rainha (frepass Guimarães): os artistas do gangue não estão cá. No Milenário só vi dois, na verdade.

Continuar a viver na aldeia ou em vaidades encenadas?

Se queremos um país que entre em concorrência internacional, tem de se criar um eixo de conhecimento que passe pela educação e tecnologia. A cultura é que dá articulação e sentido a isto tudo.

Luís Filipe Castro Mendes, E, 17,02.25

 

1. Muitas vezes para entendermos os dias e, principalmente, as suas veredas – tantas e tantas vezes estranhas e complicadas –, temos que beber conhecimentos, informação (também promoção, na verdade) na fonte certa; em princípio, límpida, porque original.

É assim com tudo na vida; principalmente nos dias apressados, vazios e tão encenados em que estamos apaticamente mergulhados. Dias em que tudo nos é apresentado como o lado mais belo de uma realidade que nem sempre conhecemos para continuarmos dormindo ou anestesiados.

2. Feita esta introdução ao jeito de quem, saindo há muito da aldeia, odeia a encenação da vaidade, entremos nos desafios que a Oficina lança aos vimaranenses (e não só) no ano que já anda por aí.

E o melhor sítio para o fazer é (tentar) esmiuçar o plano de atividades e orçamento 2019 desta cooperativa vimaranense detida em grande maioria pela câmara municipal de Guimarães.

3. A Oficina – com uma visão integrada, com programação integrada, isto é, o novo ciclo de direção artística iniciado em 2018, sob a batuta de João Pedro Vaz, é uma (nova) realidade para os vimaranenses. É sempre assim; todos os anos, com especial ênfase quando há mudanças nas equipas diretivas.

Percebe-se então que o tal novo ciclo da cooperativa onde a câmara de Guimarães injeta uma pipa de massa, estenda o colégio de programadores com uma equipa que trabalha em conjunto para estabelecer a programação para as pessoas, num processo de partilha de conceitos e atividades. Boa! É uma filosofia interessante que (também) estabelece um novo modelo operacional, ou seja, um corpo único. Está bem! Ver o CCVF, o CIAJG e a CDMG juntos poderá ser muito atraente. E se a relação com o território acompanhar a explosão da internacionalização poderá ser muito mais aliciante. Os dias por que aí já circulam só nos vão dizendo que o território é uma palavra de uso diário no trabalho d’Oficina e prioridade de ação. Mas há mais dias por vir.

4. Os vimaranenses, na verdade, só alguns vimaranenses, sabem bem; conhecem, na verdade, coisas lindas na dança e no novo circo. O pior é que há vimaranenses afastados das mostras no Milenário que não verão tão nobres e sublimes novidades. Daí que seja urgente abrir todas as portas e não deixar ninguém à porta – mas onde é que já ouvi isto, onde foi? Sendo certo que há uma nova estratégia de Comunicação, os outros vimaranenses, os que não passam pelo café Milenário às oito da noite (que raio de hora!), podem e devem ser informados de que há coisas lindas a acontecer na urbe vimaranense; de forma sistemática. Aqueles senhores que, fora da malha urbana, não sabem o que há de belo em terras de D. Afonso, são vimaranenses, não são?

Se tal acontecer – e todos acreditamos que com uma nova dinâmica nascida do ano zero de uma instituição com três décadas de vida intensa, isso será um facto incontornável – então estaremos todos em condições de afirmar que, finalmente, em 2019, será evidente que, para além da mudança profunda nos materiais gráficos de divulgação, haverá uma comunicação inteligente.