Falar de deus é pecado

Foto: hiveminer.com

Abomino, pelo aborrecido que me palpita ser, a ideia de um medo libertino

Manuel S. Fonseca, E, 17.09.09

 

Coisas que não entendo – ou, se calhar, são (mesmo) só confusão do meu olhar: Rui Massena e o seu Rui Massena Banda tem agendado seis concertos ao vivo. Coisa linda, senhor maestro!

O mais perto dos vimaranenses destes concertos – programado para o dia 26 de janeiro próximo – é em Braga; no Teatro Circo. Merda!

Não era este senhor que andava por terras de D. Afonso em tempos de capital europeia da cultura?

E não era ele que se dizia apaixonado por Guimarães e pelas suas realidades?

Felizmente que há em Guimarães outras coisas lindas. Mesmo na área em que o senhor mastro Massena navega.

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Experiências com fracasso; impossível desejo de crescimento

Há momentos em que a prudência no discurso é aconselhada.

Catarina Martins, Expresso, 17.09.09

 

Na dúvida que continuo a manter; na verdade!, não me sai da cabeça quando olho para o exagero de palavras que alguns vimaranenses – incluindo alguns daqueles que (ainda) persistem em dizer que o poder politico sediado em Santa Clara não quer saber do Vitória – sobre o verdadeiro dono do posto de abastecimento de combustível ali bem junto ao pavilhão do INATEL e logo ao lado do estádio do Vitória. Ou, se não o dono, quem gere aquele espaço.

Quando (me) tinha assumido que não olharia para as parvoíces dos dias eleitorais que cruzam os dias eleitorais que cruza de forma intensa Guimarães, eis que me cai sobre a almofada quente um olhar para o qual não encontro resposta. Ou então, foi mesmo um sonho; feito

pesadelo tudo o que ouvi e li nas últimas semanas sobre apoios municipais a coletividades desportivas.

 

Acabou o tempo; vamos em frente

Foto: Alberto Frias (Expresso)

Os bolsos dos portugueses estão cheios de otimismo, mas o dinheiro que lá encontram, sempre que remexem os bolsos é praticamente o mesmo de há dois anos.

Rosália Amorim, Dinheiro Vivo, 17.09.09

 

O semanário Expresso, na sua edição em papel do último sábado, publica um trabalho – com assinatura de Adriano Pinto e Rosa Pedroso Lima – sobre o estado do governo do senhor Costa. É um trabalho que nos dá o retrato do princípio do fim. Mesmo que a remodelação do governo do senhor Costa ainda – sublinho – ainda “seja tabu, chutado para depois do Orçamento de estado”.

Confesso que, mesmo vincando as palavras dos dois jornalistas, mormente no que concerne à lamentável e triste realidade dos incêndios, o que mais gostei foi da ilustração das páginas 4 e 5. Caramba!  Sérgio, não te imaginava com esta pinta para o desenho!

Importa vincar que a gravura que ilustra o trabalho jornalístico “estarão as chamas a atingir o Governo” é de Sérgio Sousa Pinto, antigo líder da JS e antigo deputado europeu.

Parabéns, Sérgio! Sempre apreciei a tua lucidez.

Esperanças adiadas ou os dilemas dos dias que correm?

Trânsito às oito da manhã. Marcelo Rebelo de Sousa não é um aselha na estrada. Há uns condutores fora de mão. Irritados. Outros pacientes. A rádio debita recados. O presidente da República leva os quatro piscas ligados. A todos acena. A todos sorri. E ninguém lhe passa à frente. Nem pela esquerda. Nem pela direita. A estrada é dele. (…) O presidente da República sabe que é mais sinaleiro do que condutor. Mas alguém tem que fazer fluir o trânsito.

 

Domingos de Andrade, Jornal de Noticias, 17.09.09

A verdade da ilusão; recompensa sempre

Julgava entender enfim o herói sem nenhum caráter: no fundo, no fundo, o futuro dava-lhe preguiça.

Alexandra Lucas Coelho, in ao deus dará

 

Num minimercado de proximidade, daqueles onde as pessoas que por ali moram vão quase todos os dias, a simpatia é uma realidade.

Num minimercado de proximidade onde (quase) todos nós vamos a correr é bom sentir um sorriso das pessoas que nos recebem o dinheiro na caixa.

Num minimercado de proximidade é tremendo encontrar sobre a caixa registadora, onde pagamos as compras feitas a correr, publicidade de um candidato de proximidade.

Pois é! Encontrei um destes dias – por cima da caixa registadora do supermercado de proximidade – campanha eleitoral de um dos candidatos; curiosamente aquele em quem serei incapaz de votar no próximo dia 1.

E não gostei. Como não gostaria se outro candidato de um outro partido fizesse o mesmo.

A não ser que a política local tenha decidido ser igual aos hipermercados onde vale tudo.

 

 

Tricotar a noite na cidade fria

A virtude do mago é de Portugal

Guilherme Glória, in V Império é uma realidade no futebol

 

1. vou sentar-me em silêncio. esperando a razão. e o fim da precipitação dos dias. não suporto estes tempos que impõem olhar um quarto com grades ma janela.

juro-te que quero encarar a luz de frente. mas há razões para ficar inquieto. e já não sou um guardião de memórias. tenho medo dos dias e de quem se quer impor á toa. assim deste tipo: Cavaco Silva tinha muita coisa a dizer. Para quem já tinha dito que iria reformar-se politicamente e que nunca criticaria o seu sucessor, deu um autêntico tiro no pé. Helena Pereira, in Baixos (Altos e Baixos), Expresso, 17.09.02.

 

2. no ruído da rua houve um desafio comovente; um regresso que afasta (de vez) a vergonha que não para de me atravessar a alma. tenho algumas noções do que é a vida, mas tenho medo da forma como a janela projeta a noite.

sempre planeio um caminho, mesmo que a subida à montanha se torne muito dolorosa. é uma longa viagem! ora vê: o ideal de uma homossexualidade completamente despolitizada e silenciosa, subtraída à guerra do reconhecimento, é a mais profunda aspiração dos defensores de uma ordem antiga que se disfarça com roupagens modernas. António Guerreiro, Ípsilon, 17.09.01

 

3. paremos por aqui. olhemos mais para a nossa casa. tenho medo. a janela está ao desmazelo de sempre.

a tua morte faz-me pensar na ausência de projetos. de ideias para além da rotina dos nossos dias. foi dolorosa a tua morte! disseram-me que ela ficaria suavizada depois de escutar os sinos da nossa aldeia.

paremos por aqui. olhemos mais para a tua casa. tenho medo. há uma janela florida. a janela está ao desmazelo de sempre. fico-me com estas palavas: O poder instituído interiorizou a vitória como certa e faz apenas cumprir o calendário da peregrinação habitual. Não muda nada, nem nas opções e nem no discurso. À direita o PSD faz uma coligação redutora que condena qualquer crescimento de centro esquerda apesar do discurso inclusivo do seu líder. Maria do Céu Martins Mais Guimarães O Jornal, 17.08.29

e não são os dias que correm? sem luz e com as janelas mortas, de tanta secura?

 

Experiências com fracasso

Foto: Daniel Rocha (Público)

E pensei não poderiam os homens morrer como morrem os dias?

José Luís Peixoto, in Morreste-me

 

António Chora, que durante vinte anos liderou a comissão de trabalhadores da empresa (CT) da Autoeuropa e é do Bloco de Esquerda, reformou-se. Foi no início do ano. Oito meses depois acontece a primeira greve geral da empresa, apoiada por 75% dos trabalhadores, mas liderada pelo SITE-Sul, sindicato filiado na CGTP, escreve Nicolau Santos, na revista E, do último sábado.

Ui! Temos – vamos ter, não vamos? – festa a sério nos próximos tempos!

E será que o ‘aviso’ sindicalista não é mesmo um aviso bem sério do PCP ao governo do senhor Costa?