Continuar a viver na aldeia ou em vaidades encenadas? II

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Os artistas têm de trabalhar.
João Pedro Vaz, Teatro da MemóriaA Oficina ano zero – Café Milenário, 19.01.17

 

5. Feitas as considerações laterais ao plano de atividades e orçamento 2019 da cooperativa a Oficina é chegada a hora de olhar para o programa; preconizado.

A calendarização? O habitual. Coisas lindas. A começar pelo GuiDance.

Porra! O GuiDance 2019 – para além do senhor Vítor Pontes (é um senhor, sim senhor!), traz Mão Morta ao palco da dança em terras afonsinas. Ainda na periferia. E verdade!, mas já saiu do jardim; em Vila Flor.

Que coisa linda!

6. A seguir, depois do espanto da dança, surge uma coisa, mais ou menos estranha; fraca e vazia (se for como das outras vezes), o Westway Lab. Este ano, é o ano da ressurreição ou da morte. Aguardemos o que nos reserva a edição de 2019, mas é mesmo o ano da ressurreição ou da morte desta feira de vaidades para uma paroquialidade feita de pequenez, viagens e falta de ideias.

(A esse respeito – e porque a coerência nas palavras e no olhar é fundamental – volto ao texto aventuras em Guimarães (publicado no dia 4 de abril de 2017) e recordo o que escrevi: infelizmente Guimarães – pelo menos por aqui; não agarrou nada. Por isso importa vincar Guimarães vai ter que agarrar seriamente este festival. Ai vai, vai! Nem tudo pode ficar nas residências artísticas que andam ali pelo palco do centro de criação de Candoso.)

Infelizmente, Guimarães – pelo menos por este desejo de realidade não (plenamente) concretizada, não agarrou nada, pois não? Quem será que ainda não entendeu esta realidade? Que é o Westway Lab para além das residências em Candoso? E os vimaranenses; a maioria dos cidadãos do território vimaranense, o que sabem desta mostra?

Ah!, nem tudo é catastrófico: a ideia de redes e da internacionalização da música é boa. E há grupos e cantores vimaranenses que começam a circular com os seus espetáculos por uma Europa sem norte.

7. Ah!, residências artísticas e coproduções são mesmo o futuro. Senhores de a Oficina, sigam em frente, mas não se deixem iludir com longas viagens de programadores que adoram mostrar fotos de aeroportos para exibir imensos quilómetros. Ficar por vaidades, exibições e escolhas, mais ou menos óbvias ou próximas dos programadores, nunca será o caminho do futuro; com ou sem anos zeros. Trinta anos de trabalho sério, profícuo e intenso já o mostraram.

8. Há teatro; como sempre, nos desafios de a Oficina. Com os festivais Gil Vicente. Respeito; por mim. Em frente. Habituei-me a ver coisas lindas por aqui.

9. Num olhar mais apressado sobre as apostas de a Oficina, resta um desabafo; muito pessoal. Na verdade, recorrente: se coisas assim tipo noite branca ou assim, se ficarem pelas promoções de marcas de cerveja, confusão, ruído e exibição carnavalesca, nem tudo é bom no devir vimaranense, pois não?