Vida ausente

Foto: Daniel Rocha

Há outras Jamaicas para além da que existe no Seixal e há um denominador comum com todas elas: a discriminação e o estigma a que dificilmente escapa quem ali nasceu ou vive.

Amílcar Correia, editorial, Público, 19.01.25

 

1. dissecar da miséria; tudo está por fazer…

cidade que saiu da escuridão; repuxos que refrescam as ruas mais quentes

já poucos de nós nos espantamos, sabes?

sei, claro! margens distantes dos olhares instalados

maldade pura; escondida num infinito vão social.

2. Não nos indignamos com a miséria do Bairro da Jamaica, mas indignamo-nos com a violência do Bairro da Jamaica, escreve o escritor Bruno Vieira Amaral, na última edição do semanário Expresso.

3. olha, dissecar da miséria não podem ser as novas realidades; feitas de novas palavras? temos de olhar para quem sabe do que fala. Sem comentários escutemos as palavras do sociólogo do ISCTE-IUL António Pedro Nunes inseridas na edição do passado sábado do semanário Expresso: a violência contra esta população [do Bairro da Jamaica] era escondida. As denúncias por telemóvel são algo recente. Manifestações como as desta semana e as ações de violência urbana espalhada por vários concelhos são sem dúvida uma novidade em Portugal.

Na Europa, o racismo institucional tornou-se banal. Há um comportamento policial europeu racista.

Tenho pena que Marcelo e o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, não tivessem afirmado publicamente que o que viram no vídeo do Bairro da Jamaica não pode acontecer. Houve uma incapacidade politica preocupante.

4. que pontaria para o poder politico no nosso país, não te parece?

se parece! na muche dos olhares instalados.