Contar algo de novo

A tendência dos nossos políticos para solenizar transforma vulgares declarações de ambição num certo pronunciamento.

Ana Cristina Leonardo, E, 17.10.14

 

O texto cidades saudáveis – jornal Público, 18.12.28 – de Gonçalo Canto Moniz é uma leitura dos dias citadinos que violentam as nossas vidas. Mas, muito mais do que o olhar sobre as dores que vamos sentido diariamente, as palavras do investigador do Centro de Estudos Sociais e professor no Departamento de Arquitetura da Universidade de Coimbra obriga a pensar (ou repensar) a forma como o poder político (principalmente, mas não só) olha para o crescimento do território – embora transitoriamente – de que é responsável. Ou melhor: como esse poder próximo das pessoas não olha para as pessoas. Porque, sendo (tantas e tantas vezes) um poder interesseiro, esquece que transformar as cidades jamais pode ser uma transformação contra as pessoas. Ou seja, torna-se urgente colocar os cidadãos no centro do processo de transformação das cidades, porque são eles que as vão criar, usar e manter.

Como subscrevo este olhar de Gonçalo Canto Moniz!

É uma lição para tantos autarcas vaidosos e convencidos, não é?