Discurso que falta

foto: Nelson Garrido (Público)

Nem nos apercebemos da violência que representa passarmos uns aos outros apenas coisas, sem uma palavra que harmonize e dê sentido a esse trânsito.

José Tolentino Mendonça, Expresso, 18.11.03

 

Há uma entrevista a Fontainhas Fernandes, um vimaranense, que é um murro no estômago vaidoso do governo do senhor Costa.

O senhor reitor da universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) aponta o dedo, bem certeiro e doloroso para o olhar dos portugueses a uma realidade que tira o ar a quem gere as instituições de ensino superior em Portugal.

A entrevista, conduzida pelo jornalista por Samuel Silva no jornal Público (18.12.28) – passamos o ano a pedir para cumprir obrigações – não deixa nenhuma dúvida: os políticos portugueses sabem lá o que é o ensino superior. Desde logo, porque “não podem pensar o ensino superior para uma legislatura”. Talvez seja por isso que Fontainhas Fernandes não hesite em afirmar que “o financiamento do estado não é suficiente para o pagamento de salários, muito menos para o financiamento das instituições”.

Ah! Caramba! Também na educação e em melhores apostas nos jovens do governo do senhor Costa é fabuloso!

Não?

Peço desculpa. Percebo as palavras de Fontainhas Fernandes: como vamos “dar resposta a uma questão que é premente que é a precaridade”.

Nota final: há uma pergunta de Fontainhas Fernandes que me tira o sono: mais de metade dos jovens com 18 anos não concorre ao ensino superior. Porque será?

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