Assumir de posição; uma carta aberta

Foto: Roberto Cifarelli

Vivo com seres humanos que tentam levantar a cabeça e não conseguem, porque lha cortaram.

Pilar Del Rio, E, 17.04.22

 

Caro presidente de câmara, Domingos Bragança, principal responsável pelo financiamento das coisas lindas que acontecem no Centro Cultural Vila Flor,

cara presidente da cooperativa Oficina, Adelina Pinto, rosto politico nas ações culturais que por ali vão acontecendo,

caro João Pedro Vaz, rosto real da programação que acontece e acontecerá nos próximos tempos em Vila Flor,

caro Ivo Martins, programador e ideólogo do Guimarães Jazz,

 

nunca, desde que existe o Centro Cultural Vila Flor, abandonei aquela sala de que tanto gosto no decurso de um espetáculo, mesmo que no palco acontecesse algo com que me não identificasse; o respeito pelo ator, artista, dançarino, músico… é fundamental. E esse respeito para mim é sagrado.

Infelizmente, abandonei na penúltima sexta-feira, a sala de Vila Flor, quando no palco Avishai Cohen e o seu quarteto ainda nem tinham aquecido os instrumentos. Não porque não estivesse a gostar, muito pelo contrário, mas porque continuo a defender que se queremos estar por dentro de um concerto temos que estar com os olhos no palco. Tarefa impossível numa noite de sexta-feira; pelo menos na sexta 16 de novembro!

Porquê?

Porque o palco principal eram a plateia, os telemóveis e as vaidades de uns pategos sem respeito por quem estava ao seu lado, em frente; em suma na sala fabulosa que é o grande auditório.

Só isso.

Saí de Vila Flor revoltado pela total falta de respeito: E principalmente pela total inoperância de quem, na sala, tinha a obrigação de fazer algo para que os estúpidos telemóveis deixassem de estar em permanente atividade. Apesar de um aviso inicial – em português e em inglês – não deixar dúvidas: recolha de imagens ou sons não; é proibido.

 

Por fim, caros senhores Domingos Bragança, Adelina Pinto, João Pedro Vaz e Ivo Martins, se entenderem que os telemóveis numa sala com a qualidade e excelência da do grande auditório de Vila Flor podem continuar é um direito vosso. Mas, não acredito que gostem. Daí que fique o apelo: arrumemos os telemóveis em Vila Flor.

 

Nota de rodapé – Mesmo à minha frente, uns tipos lá da capital, num gozo solene enquanto grunhiam os disparos dos telemóveis falavam em voz alta: nesta sala cabe meia cidade de Guimarães.

Convencidos lisboetas de um raio!, Vila Flor é uma sala de excelência que faz muita raiva ao vosso centralismo.