Olhar da memória

Não tenho paciência com os artistas que se imaginam acima dos seres humanos.

Lucrécia Martel, Ípsilon, 18.04.27

 

Nós, os portugueses feitos réis sem castelo, adoramos uma nesga de sol; mesmo entre nuvens.

Nós, portugueses feitos réis num castelo sem ameia, somos os maiores. A gastar; mesmo que isso nos acarrete logo, logo depois, dores imensas.

Então não é que já “há vários sinais de alarme a chegar ao Gabinete de Apoio ao Sobreendividamento (GAS) da Deco”.

Sim! O nosso castelo sem ameias não dá para guerras sem lanceiros, muito menos de bazucas.

Mas, por via de todas as dúvidas que o olhar lá de cima do castelo nos impede de ter, vale a pena ler a peça que Rosa Santos assina no jornal Público (18.10.31).

Pedidos de ajuda de famílias endividadas estão a subir desde março. Ali ficamos saber que “o número de famílias que vão deixar de conseguir pagar de conseguir pagar os encargos dos empréstimos” pode tornar-se igual ao que aconteceu em 2008; de má memória.