Aflição de ser pessoa

Foto: Paul Sancya (AP Photo)

Os laçarotes não passam de roupas, que são a marca distintiva do ser humano. Todos os animais devem andar nus.

George Orwell, in Quinta dos Animais

 

1.Em entrevista a Filipe Santos Costa, publicada no semanário Expresso (18.10.13), a antiga secretária de estado dos Estados Unidos, Madeleine Albright, nas administrações republicanas de Ronald Reagan e de George Bush – e a propósito do seu livro “Fascismo – Um Alerta” – fala de uma realidade de tirar o sono às pessoas. Às pessoas que, natural e civicamente, olham reagem e participam no corpo da ação dos dias.

Registo, assim a modos que confirmação de que a senhora é uma visionária: um fascista é alguém que se identifica fortemente com – e fala em nome de – toda uma nação ou um grupo, não se importa com os direitos dos outros, e está disposto a usar quaisquer meios necessários, incluindo violência, para atingir os fins desejados.

O fascismo cresce onde as pessoas são convencidas de que toda a gente mente e que é precisa uma mão forte para impor ordem num mundo caótico. É por isso que media corajosos e independentes são tão essenciais à democracia.

2. Admitindo que durante a sua ação política a senhora me pareceu menos atenta às dores do mundo, dou a mão à palmatória e vinco estas suas palavras: nenhuma nação pode ter sucesso, ou tornar-se grande, procurando separar-se da comunidade internacional.

Ups! Que definição e que olhar sobre a instalação do caos que por aí vai!

Claro! Para quem nasceu na Checoslováquia, percebe-se.

3. Como se percebe perfeitamente estas suas afirmações: o fascismo fez milhões de vítimas e alterou as vidas de muita gente na minha geração e, por extensão, dos que vieram depois. E preocupa-me que pessoas demasiado habituadas à liberdade possam assumir que os seus direitos jamais serão ameaçados.

Mas atenção! Há um olhar vestido de esperança: existem muitos líderes na Europa e noutros lugares que estão a esforçar-se para juntar as pessoas e restaurar a fé pública nas instituições democráticas.

 

Ah! Inquieta-me aquilo que parece ser um esforço deliberado para desacreditar o jornalismo profissional e para espalhar confusão sobre a própria definição de “verdade” e “factos”.