Sabes meu amor

 

Digo-te que tens usado de violência contra mim, mas não sabes.

Kmut Hamsun, in Fome

 

Quando olho em volta e vejo uma pessoa com o telemóvel na mão ou com os auriculares nos ouvidos só penso: ui! as agulhas da hemodiálise já só funcionam nos ouvidos ou as máquinas de oxigenação do corpo são muito mais sofisticadas?

 

É maldade minha? Jamais poderá ser. Sim! É pergunta pertinente; reflexão de agora: qual é o nosso caminho? – sim, pode ser o que ainda falta, mas falta tanto tino para o, cada vez menor, caminho, não falta?

Nem todos os kiwis usam tecnologia de ponta ou aplicações de ter na mão, mas há muitas produções com uma estrelinha no cimo.

Espera! Essa não percebi!

Pois não; se morasses nos sítios por onde passam vias dedicadas…

O quê?

Deixa. Uma mulher; fria entre homens melancólicos – uma mulher nos corredores da memória e do tempo. Vejo todas as palavras que nasceram dentro do desejo.

Olha, meu amor: a volta da prisão dos nossos dias há muitas identidades e palestras dançantes.

Ui! A sério? – pois – é tempo de castanhas; a terra fria está cada vez mais quente e seca. E o teatro do tempo feito melancolia. Chuvas milagrosas; chegou o frio. Atenção! Há quatro pedras no caminho; visíveis. As outras despertam sonhadores de história – guia perfeito para descobrir o mundo em que tudo circula à velocidade da lama pôs a descoberto podridões.

(mostra-me o tanto que se passou lá por baixo por onde te escondeste de mim?

Nos olhos da árvore vemos os nossos desejos traídos; pelas raízes que teimam em manter o corpo espraiando a melancolia que nos reteve; finalmente! Entram com os pés húmidos no mundo)

Ainda gostas da música dos Beatles?

 

 

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