argumento brutal


tanto lixo e a rua a putrificar. tanta merda

(e o teu corpo)

perdido em deambulações.

 

foge da noite

baixa a saia. ninguém vai encarar a liga encarnada

que teimas em exibir. ninguém olha. o teu corpo gélido

acervado de memórias curtas e pesarosas

sempre evasivas. há demasiado ruído no teu olhar; corre

uma espécie espantada de sangue frio em cada movimento

descontrolado. são danças ténues de suor e dúvida.

 

fecha os olhos. só um instante. perderá o animal

que por aí fazes rolar; ganharás outro corpo

noutra rua. ateada e sem lixo. com menos merda.

 

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