Vamos mergulhar na beleza

Aquilo que sou depende muito do corpo que tenho, e o corpo que tenho depende muito daquilo que sou.

Isabel Figueiredo, E, 17.08.19

 

Da edição do mês em curso ainda não destaquei uma peça com assinatura de Andreia Filipa Ferreira na revista Rua e vale a pena olhá-la com atenção. Tem, desde logo, um título que gosto – Guimarães está marcado no seu corpo, esse corpo que desenha no espaço as histórias que quer contar.

Corpo que desenha no espaço histórias? Estamos a falar de dança, teatro… ah: a conversa é com Vítor Hugo Pontes, “o coreógrafo de quem todos falam” ou o “artista do momento”, como há uns tempos escreveu Rodrigo Affreixo na revista Sábado.

Então que nos diz o artista que se fez, ou melhor, nascido e criado na Oficina que continua “a fazer aquilo que fazia” só que agora tem mais gente a olhar para si? Bom importa vincar que “há uma fase antes e depois do Teatro Oficina”. E enquanto estava pela Oficina Vítor Hugo Pontes “era muito mais dedicado aos amigos, ao rancho e a uma cultura muito próxima da igreja”. Ah! O coreógrafo, “durante algum tempo” seguiu “essa filosofia de vida”.

E o que faz Vítor Hugo Pontes, o vimaranense nascido em Creixomil? Adora teatro, mas é “muito reticente em relação” ao “facto de contar uma história”, que lhe “deixa muito pouco espaço para criar alguma coisa em cima daquilo” que lhe estão a dar. E porque? É que “a partir do momento em que retiramos as palavras e ficamos como ação é como se estivéssemos a ver televisão sem som. Sou eu que construo ou que tento ficcionar o que se está a passar”.

E para si “coreografar é estar a fazer constantes desenhos no espaço” e a “dança é uma relação de um corpo no espaço e no tempo, sendo mais rápido ou mais lento”.

Ah! E será impulsivo? É que Vítor Hugo Pentes gosta “muito de fazer e pensar depois”. Nada pouco para quem é coreógrafo, bailarino e diretor artístico.

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