Indústria do medo

foto:istoe.com.br

A viragem populista é inseparável da crise financeira de 2008 e da demonstração do declínio relativo das potências ocidentais perante a emergência das potências asiáticas.

Carlos Gaspar, Expresso, 16.11.12

 

O cruzamento da vontade com o terror deixa as imagens da noite num tempo de imagens. E sem poder acertar as horas.

É terrível; mesmo que um relógio vermelho bata a hora fatídica e não se sinta.

Acredita! Olha bem para estas palavras do músico Samuel Úria (in Madre Media, Sapo 24, 17.08.18): 2017 não é nada. É só um número vago, mesmo que seja recordista – o maior numeral de todos os Annis Domini. É o ano mais contemporâneo, mas com cada vez menos características para que lhe chamemos avançado. (…) O mal renova-se e confunde-nos a cronologia. (…) [o atentado em Barcelona] é uma triste confirmação para o pessimismo com que escrevia.  Os ódios são tão significativos que tornam este ano insignificante. 2017 não é nada porque não chegámos a lado nenhum.

É terrível; mesmo que um relógio vermelho bata a hora fatídica e não se sinta. Sabes?, tudo fica desfeito, as pessoas sem possibilidade de sentir como se dá início ao princípio da tarde. Ou poisar o piano lá para trás na prateleira cheia de pó.

O pior é que há tanta gente a fomentar a destruição dos fins de tarde; gente com responsabilidades enormes nos dias. Gente que fomenta destruições…

Há disso sim senhor; pessoas que não vivem sem a agitação oca. Mas estás a pensar em alguém em especial?

Estou a olhar para estas palavras de Pedro Filipe Soares (Diário de Noticias, 17.08.17): a tragédia de Charlottesville não pode deixar ninguém indiferente. A manifestação da extrema-direita foi tudo o que tinha prometido: homens e mulheres armados, muitos exibindo equipamento militar, com bandeiras nazis e cruzes suásticas, cartazes com insultos racistas e antissemitas, mensagens homofóbicas e muitos membros do Ku Klux Klan. A reação do presidente dos Estados Unidos da América a estes acontecimentos foi miserável.

Ficamos todos sem palavras, não é?

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