Estilhaços de uma vida

foto: Paulo Pimenta (Público)

O passado que falta comer é futuro.

Alexandra Lucas Coelho, in ao deus dará

 

1. Pegando no semanário Expresso do último sábado, deparo-me logo na primeira página, com este destaque:

Donativos usados como arma política em Pedrógão

Empregos e a promessa de uma rápida reabilitação das casas ardidas são as ofertas que circulam entre as vítimas.

 

2. Na página 24 daquele semanário – num trabalho de Amadeu Araújo – leio com toda a atenção o que vai acontecendo por terras de Pedrógão Grande, tão martirizadas pelo fogo. Retiro esta afirmação: com tudo perdido no fogo que há quase dois meses destruiu parte do modo de vida da população local, as vítimas da tragédia vão-se sujeitando a uma ajuda alegadamente subjugada ao calendário eleitoral.

 

3. E, da peça jornalística, considero muito importante vincar esta afirmação de Nádia Piazza, da associação das famílias vítimas do incêndio daquela localidade: tudo conta neste grande puzzle que é reconstruir toda uma região fustigada pela tragédia.

 

4. Há tantos dramas sem resposta.

Há tantos oportunismos de oportunistas ocos.

Há tanta gente a sofrer; gente esquecida e sem respostas dos oportunistas vácuos.

Há tanta gente, de repente, lembrada; oportunisticamente.

 

Nota de rodapé – Tremei: os relatórios preliminares à tragédia de Pedrógão Grande sugerem um processo disciplinar, uma multa e medidas futuras. O estado adora-se. (Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 12.08.12)

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