Oceano de homens; maresias muito intensas

A investigação só atrapalha a preguiça ou o medo.

Bento Domingues, Público, 16.05.15

 

1. Há dois textos no fim-de-semana, curiosamente os dois como editorial das respetivas publicações, que importa vincar quando se olha para o que aconteceu em Tancos.

Começo pelo texto do editorial do semanário Expresso: o furto de 120 granadas ofensivas, 1500 munições, 44 lança-granadas e quatro engenhos explosivos “prontos a detonar” dos Paióis Nacionais de Tancos é gravíssimo e impensável. Gravíssimo pelo que revela de incúria e falta de segurança. Impensável porque é inadmissível que uma instituição militar possa ser roubada.

(…) é mais uma prova da lenta degradação dos organismos do Estado e do desinvestimento nas estruturas militares.

E termino com as palavras do diretor do jornal Público, David Dinis, na edição de sábado: houve um ministro deste governo que se demitiu por ofender um cronista deste jornal no Facebook. Houve um outro que se demitiu por ter inventado um curso. Outro que saiu por fazer um gesto feio na AR. Aqui, onde é evidente o laxismo e a desresponsabilização, não sai o ministro nem se demite o CEME.

 

2. Tancos esteve 20 horas sem ronda de vigilância na noite do assalto, título de uma peça jornalística esclarecedora de Ana Dias Cordeiro no jornal Público, 17.07.02.

Do texto – excelentemente esclarecedor – vinco as palavras de Azeredo Lopes, ministro com responsabilidades na área militar: assumo a responsabilidade politica pelo facto de estar em funções.