Esperança há demasiado tempo negada

Peço perdão por todas as vezes que os cristãos, perante uma pessoa pobre ou diante de uma situação de pobreza, olharam para o outro lado.

Papa Francisco, audiência do Jubileu das pessoas socialmente marginalizadas.

 

1. O I dia mundial dos pobres – o atual líder católico não para de inovar – é só no próximo dia 19 de novembro, mas Francisco já publicou a sua mensagem: não amemos com palavras, mas com obras. Tem data de 13 de junho e urge olhá-la com toda a atenção. Principalmente por parte dos presbíteros que por aí circulam feitos donos dos ‘seus’ cristãos – amorfos, quase todos! – que os endeusam em paroquialidades de meter dó. Basta (só) tirar os pés de casa para confirmar de forma tremendamente realista e dolorosa, este retrato dos líderes católicos locais.

 

2. Desde logo, o papa que abanou a história romana; aquela que sempre rejeitou líderes que não continuassem a ‘louvar’ os favores de Constantino, quer uma “nova visão da sociedade”, onde as ”obras concretas” estejam por cima das “palavras vazias”. E não tem dúvidas: “nos nossos dias, enquanto sobressai cada vez mais a riqueza descarada que se acumula nas mãos de poucos privilegiados, frequentemente acompanhada pela ilegalidade e a exploração ofensiva da dignidade humana, causa escândalo a extensão da pobreza a grandes setores da sociedade no mundo inteiro”.

 

3. Ou seja, importa que aqueles que levam o “corpo de Cristo” para as suas liturgias – seria tão bom terem-no presente nos seus dias estranhamente agitados, não seria? – não tenham dúvidas: se “não permitas que seja desprezado nos seus membros, isto é, nos pobres que não têm que vestir, nem O honres aqui no tempo com vestes de seda, enquanto lá fora O abandonas ao frio e à nudez”.

Que olhar o de Francisco!

 

4. Seria tão bom que o líder católico tivesse a possibilidade – e não tem (é humanamente impossível ser omnipresente e pouca gente lá em Roma está interessada em mostrar-lhe as realidades violentas do seu rebanho – de olhar para alguns dos seus presbíteros que – em momentos de oportunismo mediático – fazem peditórios para pobres (que ignoram e, na verdade, nunca conhecem porque os obriga a sair do comodismo da mesa lá da residência) e depois deixam tudo a estragar-se nos seus armazéns onde – quase todos – estão impedidos de entrar.

 

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