Escândalo suspenso

Não sei organizar carateres, mas é divertido ver a importância que coisas aparentemente insignificantes têm.

Kmut Hamsun, in Mistérios

 

1. vou erguer uma grande muralha; um muro alto.

para quê?

para impedir a identificação do futuro; longo. barulhento e excessivamente presente.

não entendo?

não entendes?! há lideranças tremendas. presas num tempo suspenso; tempo vazio em ilusões de poder.

então?

olha bem para portugal.

 

2. O Governo tem um discurso descentralizador para fora e centralizador para dentro. Na teoria, descentraliza. Na prática, centraliza. (Amílcar Correia, editorial, Público, 17.07.14)

 

3. sabes?, há quem não rejeite um desafio. ou um ar de montanha e esteja farto dos abismos à janela. e, meu caro, sabes muito bem que os anjos já não abalam os céus.

 

4. deixa-te de lérias. pensa que no está em causa. e, os abismos à janela, são mesmo algumas reformas no futuro. tempo lento. olha quem põe o dedo na ferida é Domingos de Andrade (Jornal de Noticias, 17.06.17): o epílogo da candidatura da agência do Medicamento não se cinge a uma guerra Porto-Lisboa. Ou Braga-Porto. Ou Coimbra-Aveiro. Todas temendo que outras assumam um centralismo piro do que o da capital.

O epílogo, ou a moral da história, está na total falta de descentralização do país. Nos avanços e recuos de leis vãs. Na falta de empenho em diminuir as diferenças regionais.

 

5. vês? Há ou não há lideranças tremendas que se prendem em ilusões de poder?

 

Nota de rodapé: é tão triste ver deputados da nação que votaram num determinado sentido andar por aí a questionar o seu voto.

 

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