Rei pendente

As pessoas, e isso está na natureza humana, preferem uma ilusão que lhes dê segurança a uma verdade que as inquiete.

Michel Onfray, Ípsilon, 17.05.12

 

É manhã; ainda fria, o calendário marca junho.

Um jovem, com aspeto esbelto e atlético, caminha com o filho pela mão. Os dois parecem vir de uma caminhada, a julgar pelas roupas transpiradas.

Atiram para a berma da estrada, ali no sítio que marca a história local vimaranense; a Cruz de Pedra – e por onde deviam correr as águas pluviais – um saco plástico. Lá dentro; da transparência plástica, duas embalagens de iogurte líquido e cascas de banana.

Não resisto ao que vejo; reajo.

Conto a história de anomalias na rede; de saneamento, pois claro! A partir daí mais nada disse. Fiquei a aguardar palavras de esperança.

Não ouvi. Soube, apenas, que o jovem escrevia num jornal local sobre poluição e falta de hábitos de separação de lixos e que era um acérrimo defensor de um futuro verde.