Marcas solenes

Quero ver se em terras ermas não se pode também viver, respirar, ser, querer e fazer.

Rober Walser, in Jackob Von Gunten um diário

 

Não sei da minha professora – extraordinária mulher! – da primária.  Há muito tempo, na verdade!

A esta hora, tenho, pelo menos, uma certeza: não está numa qualquer escola sem rei nem roque deste país em descontrolo total. Mas, hoje, tantos anos depois, tenho saudades; muitas saudades da melhor professora da minha vida: a professora Rosa.

Hoje, de uma coisa tenho a certeza: a professora Rosa, há umas dezenas de anos atrás antecipou-me o futuro. E de que maneira! E eu tão puto!

Modéstia à parte, acredito no futuro; o futuro que a professora Rosa me mostrou; bem cedo. E eu, à boa maneira descomprimida da mulher que, tão cedo no meu caminhar, me ensinou como percorrer o caminho; estou por aqui; tão feliz.

Não é que, nessa altura, a professora Rosa dizia à turma dos putos de Brito – ali onde o futuro; de repente, se espanta – que esta merda onde vivemos que está a matar professores e professores ia acontecer?

Não é que a professora Rosa nos avisava que se nós desistíssemos e afrouxássemos o ritmo dos dias, morríamos ou éramos ultrapassados pela agonia do Homem?

A professora Rosa, sei muito bem, morava em Braga. Provavelmente já não mora. Mas, tantos anos depois, parece-me vê-la a cada dia que o tempo nos diz que já somos o que sonhamos.

Obrigado professora!