Tudo; menos normal

foto: duascaras.pt

O modelo atual baseia-se na expulsão. Expulsam-se as pessoas dos lugares. E expulsa-se a natureza do planeta. São expulsões e ocupações. Ocupam-se os mundos das pessoas, há genocídio e também ‘ecocidio’.

Arturo Escobar, E, 17.02.11

 

1. Na última assembleia municipal (AM) de Guimarães a deputada da CDU Mariana Silva levou à tribuna principal da discussão politica local um assunto sério; muito sério: a falta de qualidade nos transportes públicos vimaranenses. E muito bem! Porque se trata de uma realidade inquietante para o futuro de todos nós; vimaranenses.

 

2. Mas esta preocupação sobre transportes públicos em Guimarães não é nova para a CDU. Vale, pois, a pena recuar no tempo. E olhar para o trabalho jornalístico de Catarina Abreu publicado no jornal taipense Reflexo, na sua edição digital do dia 19 de janeiro deste ano: inação por parte da câmara municipal na politica de transportes merece criticas por parte da oposição. Num ponto CDS e Coligação Juntos por Guimarães concordam: é necessário atribuir uma parte do orçamento municipal aos transportes públicos, se se quiser fazer chegar os autocarros às freguesias mais afastadas do centro da cidade.

Sobre esta realidade não há (não pode haver) nenhum vimaranense que não que não concorde com as posições da CDU: não há transportes públicos a sério em Guimarães que sirvam as necessidades dos vimaranenses que moram afastados da cidade, mormente no início da noite quando acabam as realizações de índole cultural.

Na mesma peça podia ler-se que com a criação da autoridade municipal dos transportes o vereador Amadeu Portilha anuncia o que considera ser “uma pequena revolução” num setor que se mantém inalterado há 20 anos.

Sinceramente penso que a questão da autoridade municipal pode ser uma grande ajuda. Mas urge olhar para o calendário. E abril está no fim sem nenhuma novidade. Pelo menos publicamente comunicada.

 

3. Porque se trata de uma questão de grande importância para Guimarães; afinal todos os dias os vimaranenses que utilizam os transportes públicos são agitados pelas opções politicas assumidas há tempos, vale a pena voltar ao texto de Catarina Abreu: Amadeu Portilha, no final da reunião do executivo vimaranense explicava – como o fez na última sessão da AM – que a rede concessionada de transportes públicos em Guimarães tem uma geografia muito limitada que, praticamente se limita ao centro da cidade, sobre a qual a autarquia não pode intervir. Algo que tira o sono, obviamente, a quem se preocupa com o futuro das pessoas. Até porque, pelos vistos, o resto da rede interurbana de transportes que é gerida de acordo com os interesses dos operadores e que é validade pelo IMT.

Preocupante; naturalmente! Mas para o vice-presidente de câmara, há, finalmente, uma janela de esperança para que tudo seja diferente: hoje temos uma autoridade dos transportes que tem total legitimidade opara intervir em todo o território concelhio, respeitando os contratos existente, porque não podemos anular a concessão dos transurbanos, pelo que, dizia Portilha, agora será possível definir um conjunto de linhas e frequências no território. E porque será a câmara municipal de Guimarães que vai assinar contratos com os operadores. Os operadores vão dizer se as linhas são ou não rentáveis. Terá que ser provada a insuficiência económica da linha e o interesse público da mesma para estabelecer os termos da indemnização do défice em que poderá incorrer.

4. Se bem entendi as palavras de Mariana na AM e, sendo verdade que optar pelo transporte público é contribuir para uma menor dependência do automóvel, dos produtos petrolíferos e para uma melhoria da qualidade de vida na cidade, o que se avizinha em Guimarães, com mais parques de estacionamento no miolo urbano é mais um passo para o caos que se vai instalar e o mais grave é que as 780 mil toneladas de CO2 que desapareceram da circulação de autocarros no centro da cidade vão voltar em força.

Daí que, vinca Marina Silva, a CDU defende e sempre defendeu uma rede de transportes públicos coletivos que sirva as populações, com qualidade, a preços acessíveis e de acesso a todos, mesmo os que têm mobilidade reduzida ou condicionada.

 

5. É necessário relembrar que, apesar dos transportes urbanos de Guimarães terem a sua rede sobrelotada à volta do centro da cidade, não é suficiente, não é satisfatória e é até discriminatória, diz a deputada municipal eleita nas listas da CDU. Pelo que é urgente criar hábitos de utilização de transporte público. Algo que implica a criação de redes de transportes fiáveis.

6. Ah! A preocupação da Mariana Silva tem a ver com algo muito sério, algo que não faz qualquer sentido: por um lado, a Câmara PS propõe parque de estacionamento entre a Rua de Camões e a Caldeiroa com 400 lugares. Por outro lado, a Coligação PSD/CDS contrapõe com dois parques, um parque de estacionamento no Toural com 500 lugares e o outro parque de estacionamento no Largo da República com 300 lugares. Ambos prometem resolver o problema da cidade, ou seja, o estacionamento… ou a falta dele. A cidade invadida por carros.

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