Melancolia do trabalho?

foto:radaris.com

O mundo é um lugar perigoso para viver, não por causa daqueles que fazem mal, mas sim por causa daqueles que o observam e deixam o mal acontecer.

Albert Einstein, físico

 

O PSD vimaranense, apesar de nunca o ter admitido publicamente – o que, natural e obviamente se percebe – tem muitas dificuldades em encostar às cordas a gestão socialista em Guimarães. Não; não é, de forma alguma, um exagero ou um preciosismo de palavras.

Olhemos, assim de seguida e sem fôlego, para estas enormes palavras – que são afirmações contundentes! – de Tiago Laranjeiro (PSD) na última assembleia municipal de Guimarães:

  1. Quem vir de relance os números do município poderá eventualmente ficar com uma ideia de saúde das contas da câmara municipal. Afinal, a câmara acumula excedentes a cada exercício, tem uma boa autonomia financeira e reduz endividamento.
  2. Este cenário, sendo verdade, oculta um quadro não tão cor-de-rosa, esconde um historial de violência fiscal desnecessário sobre os vimaranenses.
  3. A Câmara tem, de facto, vindo a acumular excedentes. Mas tal deve-se a uma política deliberada.
  4. Desde 2014 que que faz uma cuidadosa orçamentação da receita. Cuidadosa porque teima sem em suborçamentar as receitas de impostos e taxas dos munícipes, sempre ultrapassadas pela receita cobrada a cada ano.

Mesmo que o jovem social-democrata tente vincar que esta moeda tem um reverso duro para os vimaranenses, porque – e (afinal, qual a fonte de tanto dinheiro?) – o engordar da câmara municipal faz-se à custa dos cidadãos; a verdade é que não há nenhum – vinco; nenhum – argumento de peso que ponha em causa a forma como a atual gestão autárquica vimaranense olha o futuro.

O que, desde logo, me coloca uma dúvida: A sério? O PSD está preocupado com os cidadãos, em Guimarães?!

Ah! Está percebido: assim, a Câmara Municipal de Guimarães foi constituindo uma almofada financeira na qual se senta agora confortavelmente, em ano de eleições.

 

Não concordo, de todo, com este ponto de vista ou prisma de futuro, porque percorro o território vimaranense e vejo o quão diferente ele está (a propósito: estranho o silêncio de todos os partidos em Guimarães sobre a qualidade da segurança que fica depois do trabalho de topo no troço vimaranense da Via Intermunicipal (VIM) mais segura do país – e Famalicão queria fazer a diferença, não era? onde estão as obras de qualidade sobre a VIM?).

 

Pronto! meu caro Tiago.

Se o argumento é dizer que esta moeda tem um reverso duro para os vimaranenses, porque foi do seu bolso que a Câmara cobrou em 2016 quase 4 milhões de euros de derrama, o dobro do que cobrava em 2013, quem sou eu para dizer que a Câmara Municipal deve uma explicação aos cidadãos: qual a razão de ter exigido.

E porquê? Porque tenho bem presente na memória a ousadia que os senhores Pedro e Paulo tiveram ao infligir aos – aos portugueses e aos vimaranenses, pois claro! (em anos difíceis para os portugueses) dores tão violentamente destruidoras?