Um dia na corrida

Os atores não se transformam, os atores são sempre eles, adaptados às circunstâncias do personagem, mais nada.

João Canijo, E, 17.04.22

 

Analisando aquilo que foram os dias da governação em Guimarães, Cândido Capela Dias (CDU), fez questão de vincar que o equilíbrio económico-financeiro da câmara não é o objetivo primeiro da sua atividade, mas antes o resultado que chega após a realização de ações e obras visando o reforço da coesão social e territorial, isto é, na leitura levada ao púlpito da última assembleia municipal de Guimarães pelo antigo vereador comunista, uma perspetiva de melhorar as condições de vida e a qualidade de vida a quem vive e ou trabalha em Guimarães. Daí que para o também antigo deputado na Assembleia da República, o seu partido, mormente a coligação com Os Verdes, tem a certeza que quando as necessidades e aspirações das populações são satisfeitas, os números estão explicados e justificados.

 

Por isso, Cândido Capela Dias, olhando para o relatório de 2016 da câmara de Guimarães não hesite: somos forçados a dizer que não nos agrada. E justifica: é público e notório que a CDU tem divergências antigas com a câmara quanto ao modo como ela encara e trata as desigualdades sociais. Outra coisa, na verdade, não seria de esperar da parte da CDU. Afinal, apesar de a nível nacional existir um fechar de olhos tácito às cosias que um governo socialista vai levando a cabo, as divergências são históricas; vêm de tempos – quase imemoriais para a maioria dos portugueses – em que Mário Soares abandonou o local onde cresceu do ponto de vista da reflexão e ação politica; o Partido Comunista.

 

Mas a CDU de Guimarães também não está em sintonia com a ação do executivo vimaranense liderado por Domingos Bragança por questões ambientais – divergimos da câmara nas questões de Ambiente. Queremos mais do que reconhecimento, títulos ou prémios que sendo irrecusáveis não são mais do que o momento de recompensa politica por práticas amigas do ar, do silêncio, da natureza – ou nos transportes públicos de passageiros e da mobilidade temos sérias e antigas divergências.

Vamos assistindo a iniciativas avulsas, investimentos mal justificados, intenções que mais parecem devidas à necessidade de reagir a ondas que nascidas nas redes sociais ganham estatuto de evidência quando são assumidos pela comunicação social, diz o deputado municipal.

 

Mas, da intervenção de Cândido Capela Dias na última sessão da AM, ficam duas dúvidas sem respostas: Há uma geografia da miséria que cobrindo todo o território tem o seu pico em Urgeses e Fermentões e com expressão significativa em Creixomil, São Paio e Polvoreira e Da Universidade gostaríamos de saber o que está a ser feito – se é que alguma coisa está a ser feita – no plano de reforçar e dinamizar o polo de Guimarães, a fixação de cursos e alunos.

Confesso a minha total ignorância sobre estas palavras. A verdade, porém, é que nada mais ouvi sobre estes enigmáticos reparos.

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