Silenciando o espetáculo

As pessoas acreditam nas coisas mais bizarras.

Ana Cristina Leonardo, E, 17.04.14

 

1. Estive, finalmente, até ao fim de uma sessão da assembleia municipal (AM) de Guimarães; a sessão de quinta-feira, 13. Melhor tivesse vindo embora a seguir ao período de antes da ordem do dia! Mas depois de ter recebido o desafio da deputada laranja Paula Lemos Damião, fui sensível aos argumentos social-democratas e fiquei até tardíssimo. Sem que a reunião terminasse.

Aquilo foi um jogo jurídico, uma conversa de causídicos à direita e ao centro. Infelizmente! – e percebo a forma como o PS fez questão de resolver o desafio lançado pelo anterior responsável da Segurança Social de Braga; percebi e considero que os socialistas têm razão em deixar tudo claro naquela sessão –, a sessão foi um caos.

 

2. António Magalhães usou – como há muito não via – pinças para resolver algo que é tão simples: o acompanhamento dos progressos na candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia; um instrumento normalíssimo, aceite por todas as forças políticas representadas na AM. Infelizmente o senhor deputado do CDS/PP que levou o requerimento à mesa colocou uma areia – pequenita; é certo, mas uma cariopse tremendamente perigosa – na engrenagem das comissões criadas no âmbito da AM.

Por mim, e para encerrar este assunto, registo com tristeza a guerra de juristas e um momento marcante: o tom do discurso do líder parlamentar do PS. José João Torrinha é um senhor! Bem cedo percebeu o que estava em jogo.

 

3. Mas, como estive até ao fim da sessão de quinta-feira, 13 (como seria se fosse sexta-feira, 13?) não podia deixar de registar algumas entradas a pés juntos. Outras cosias bem ditas; muita representação pré-eleitoral e discursos de afastar toda a gente da sala; e da politica.

Seguirei, por comodismo pessoa, o ritmo das entradas em cena.

Joaquim Teixeira, na sua quase derradeira intervenção na AM (será mesmo?) entrou muito sereno; com palavras lentas para dizer que jamais aceitará, tal como o seu Bloco, que “Guimarães se transforme num estaleiro durante cinco anos para aplicar esses milhões em pequenos autocarros”. Provavelmente terei percebido mal as suas palavras, mas o que o senhor deputado bloquista queria era mesmo malhar na “posição da coligação que tanto mal causou a Portugal, ou seja, Joaquim Teixeira – ao jeito de Santos Silva – estava a bater nas propostas do PSD; e no PS no que concerne a aparcamentos na cidade de Guimarães. Daí o seu desafio aos socialistas para “dizerem de sua justiça” sobre a proposta de criação de um parque de estacionamento no Toural.

 

4. Estava o caldo entornado?

Estava, porque, logo de seguida, o senhor ex-responsável pela Segurança Social no distrito de Braga, mostrou-se pronto a exibir o consenso político à volta da capital verde europeia, que “todos subscreveram”. E desafiou António Magalhães a dizer o que lhe ia na alma.

As coisas adoeceram bastante, de seguida, com um discurso em tom de vendedor ambulante de Gabriela Nunes, deputada eleita pelo PS. Foram dez minutos para nada ser dito. Teve o condão de acalmar certos ânimos que iam subindo pelo céu do auditório da Universidade do Minho.

Marina Silva, da CDU, que subiu à tribuna de seguida fez uma brilhante intervenção. E a sala entrou em velocidade de cruzeiro. Até que César Teixeira, do PSD pretendeu limitar intervenções públicas de conteúdos ou interesses autárquicos. Só no período eleitoral que se avizinha.

Paulo Silva, do PS, trouxe ao de cima o excelente trabalho no campo cultural em Guimarães e Luis Cirilo e César Teixeira calaram-se. Por não quererem falar de futuro. Não me recordo de o deputado do PS ter falado a não ser do trabalho notório do vereador José Bastos e da sua equipa, mas, muitas vezes escapam-se-nos coisas, não é?

5. Pronto tinha terminado o período de antes da ordem do dia. Faltava a intervenção da câmara; pela voz de Amadeu Portilha. Registo, por ser de capital importância para o futuro de Guimarães, as palavras (voltarei a elas) do senhor vice-presidente da câmara de Guimarães: o transporte público em Guimarães é fundamental.

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