Tempo que (não) garante o devir

O meu delírio era manifestamente elaborado. A meus olhos, a questão principal seria antes a da sinceridade.

Jean-Paul Sartre, in As Palavras

 

1. Ordenados no distrito de Braga estão entre os piores do país, pode ler-se no diário bracarense Diário da Minho (17.03.15). Esta realidade que resulta das análises feitas pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social do governo de Portugal consta do último boletim estatístico emanado daquele ministério sobre as dores (cada vez mais emolduradas) dos portugueses.

 

2. A CDU de Guimarães quer que a qualidade do emprego a criar no território vimaranense tenha a preocupação de, na hora de atribuir apoios por parte da autarquia, valorizar as “preocupações ambientais e da qualidade do emprego”. Daí que, na última reunião da câmara de Guimarães o vereador da CDU tenha vincado que “o investimento tem trabalhadores”, ou seja, como deixou claro Torcato Ribeiro, “quando estamos a discutir um regulamento para a captação do investimento” onde se pretende “valorizar aspetos do ponto de vista ambiental e salarial”, importa olhar para quem trabalha; para a forma com é compensado o esforço, e para o ‘rasto’ destruidor que a atividade produz.

 

3. Para o PS vimaranense essas preocupações não interessam. Rigorosamente nada. E vai daí, rejeitou a proposta apresentada pela CDU. Ou seja, e sejamos realistas, o que a gestão municipal de Guimarães quer – não tenhamos medo das palavras e da realidade – é recusar benefícios a empresas que melhorem salários e “ao nível ambiental”.

 

4. Não deixa de ser curioso que uma câmara liderada pelo PS mate à nascença a ideia sobre “incentivos fiscais para quem quer valorizar salários e combater precaridade”, isto é, proceder a uma alteração à Parte II, Benefícios Tributários ao Investimento, Capitulo I, Benefícios Fiscais Contratáveis ao Investimento, do Regulamento de Projetos de interesse municipal.

 

5. Que gestão será esta que quer agarrar investimentos cegos? Ainda haveremos de perceber de onde eles vêm. E que cargas poluentes e/ou de espaço nos trarão. É só estarmos atentos.

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