O tempo deste tempo é diferente doutros tempos?

gravura: jornal.ceiri.com.br

Enriquecemos o almocreve, o patrão e o negociante; só pescador continua pobre e despreocupado.

Raul Brandão, in OS Pescadores

 

Numa entrevista conduzida por Carla Alves Ribeiro, o jornal Dinheiro Vivo, na edição do último sábado, dia 18, dá-nos uma conversa com Nicolas Colin, professor na Université Paris-Dauphine e o responsável do relatório sobre sistemas digitais encomendado pelo governo francês. É uma conversa que nos põe a pensar a sério nos dias do devir, mormente no que à economia diz respeito – vale a pena, por exemplo, registar este ponto de vista: “a economia global ainda precisa das instituições que permitam tornar a economia digital sustentável e inclusiva”. Ou esta que faz bem ao muitos egos lusos: “Portugal era uma potência marítima a competir no palco global. Do passado glorioso, herdou uma cultura que encaixa perfeitamente na economia digital”.

 

Mas o que o que mais me leva a olhar com mais atenção para esta conversa passa por esta afirmação deste investigador francês: “a onda populismo que atravessa a Europa e a América é um resultado direto do agravamento da situação de muitos trabalhadores”. Se a estas palavras juntarmos as que constam do editorial do semanário Expresso (17.03.18): “é pena, mas não é possível respirar de alívio pelos resultados das eleições holandesas. Porque vêm aí as francesas e as alemãs. E porque não podemos esquecer que a extrema-direita aumentou o número de deputados na Holanda. Os despojados pela globalização, primeiro, e pelo mundo digital, depois, vão continuar a defender os seus direitos”.

 

Que tal olhar para estas palavras e pensar que um tal de Jeroen Dijsselbloem, que depois de ter sido massacrado nas eleições no seu país, resolveu olhar para onde sempre olhou a ver se salva o coiro e entrar num de populismo em nexo e sem controlo emocional; porque é parvoíce de todo o tamanho.

Depois ainda há quem se espante com as estupidezes populistas que por aí pululam. A começar por terras bem mais próximas onde já há quem à direita solte hossanas por, dizem, ter descoberto a pólvora ao anunciar a retirada de um presidente de assembleia local.