Árvore sem folhas; nua e coberta de flores II

Os tons violeta afogam tudo e a paisagem desfalece. O mundo não existe – o mundo é a luz.

Raul Brandão, in Os Pescadores

 

1. Como foram os espetáculos desta mostra de textos com teor representativo escritos por Raul Brandão? Na sua grande maioria foram bons; alguns quase excelentes. Excelentes? Um deles sim.

Então foi tudo perfeito? Não! Houve algo menos simpático. Mas é assim que se constroem os dias do Teatro.

 

(Aconselho vivamente o texto assinado por Luís Miguel Queirós – Raul Brandão a modernidade que Orpheu assombrou – no jornal Público da última quarta-feira, dia 15. Está lá tudo o que aconteceu em Guimarães. Ou melhor, o que foi mostrado pelos grupos que subiram aos diferentes palcos. Um Raul Brandão como importa ter presente. Onde a dor e a dúvida andam de mãos dadas com a incerteza dos dias e a garantia do fim).

 

2. Um primeiro olhar sobre o que aconteceu no último fim-de-semana diz que o presente do teatro em terras vimaranenses já não pode dispensar o que aconteceu nesta mostra que envolveu Raul Brandão. E se deste encontro ficaram muitos desejos no palco há um que já não o é e que saltou para a plateia dos dias: nada em Guimarães será igual no que ao Teatro diz respeito.

Isso é extraordinário. Merece ficar registado em letras de forma, em letras com a mesma dignidade com que o senhor Raul Brandão as usou.

 

3. A Festa de teatro Raul Brandão foi uma grande festa. Olhemos, então para o que aconteceu na Sociedade Martins Sarmento, onde Um sonho adiado (a partir de diálogos inéditos do espólio do Teatro Oficina) em dia de prémio daquela instituição, pelos alunos de licenciatura em teatro da UM.

Houve movimento e olhares diferentes. Tudo altamente prejudicado pelo local e pela disposição das pessoas na sala que, na sua grande maioria, não entendeu o que se passava num dos lados da enorme sala sem acústica e onde se assassinam as palavras, . Foi pena. Naquele grupo de futuros atores profissionais há tanta gente com qualidade. Foi uma bela ideia que foi morta pelo espaço e pela impossibilidade de sem fazer teatro em palco estático.

 

4. Na sexta, e no pequeno auditório, o maior castigo (a partir de relatos da peça perdida) o grupo A Trama fez um espetáculo com humor e boa ação em palco, com atores que se percebe muito bem o que fazem; com escola. Afinal, têm em atores que passaram pelo Teatro Oficina uns excelentes mestres. Foi um momento inteligente que nos colocou perante as palavras ausentes do criador Raul Brandão, um momento ondas as novas palavras nos confrontam como o que é e como teria sido. Em suma, um excelente momento de Teatro.

Ah! A Trama dá garantias de futuro.