E o futuro que se constrói

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São nadas que farão sorrir os outros. São efetivamente nadas… e no entanto reconheço que essa foi a melhor parte da minha existência, minuto único de saudade em que a luz se suspende e o universo se entranha sempre na alma.

Raul Brandão, in Os pescadores

 

1. Um contrato com os vimaranenses – apresentado nos últimos dias da última campanha para as autárquicas em Guimarães –, não era “um mero programa eleitoral” para conquistar o voto dos vimaranenses, mas “um programa de governo para Guimarães”; a “Guimarães da próxima geração”. Era um programa que “tinha de envolver os vimaranenses”, pois era “feito por cidadãos com espírito de missão. Sem dependência de espécie alguma“. Pois é!, o programa eleitoral do PSD para Guimarães, como foi vincado e depressa esquecido, era “um projeto de geração”.

Para 2013 não foi. E quanto à envolvência dos vimaranenses…

2. Um olhar atento aos desafios social-democratas lançados aos vimaranenses diz-nos (algo) que só naquele tempo histórico fazia sentido: o PSD surgia pronto a convidar a Cáritas Portugal para integrar o “terceiro setor” – enquanto “elemento agregador da rede social de Guimarães” – e queria um Banco de Voluntariado do Municípiodisponível para utilização pelas instituições”. UI! Felizmente os tempos mudam, muitas vezes de forma bem rápida!

Nas suas preocupações com a ação social os social-democratas vimaranenses defendiam que, quer a rede social, quer o centro de acolhimento de emergência para mulheres vítimas de violência doméstica, cabiam no seu programa. Isso é bom, obviamente, e não deixava de ser inovador para um partido situado à direita.

Ah! O PSD defendia o mercado social de arrendamento, mas a forma como o anterior governo o ‘privatizou’, se calhar, não era (é) a solução para quem mais precisa de casa. Por outro lado, o PSD defendia o cartão municipal da família numerosa – algo que parecendo uma grande ideia, não acrescenta nada; em lado nenhum. Mesmo que o pacote incluísse o acesso a “bens e serviços públicos” e, “em determinadas condições, bens e serviços privados”. Nunca mais se ouviu falara desta ideia.

3. Olhando para as questões relacionadas com a deficiência, era apresentado o plano integrado para a erradicação das barreiras arquitetónicas, como forma de “facilitar a locomoção de pessoas com mobilidade reduzida ou locomoção condicionada e o acesso aos equipamentos públicos”. Excelente! Pena que só na ponta final do mandato houvesse agitação na Mumadona. Mas sim, o PSD integrou esta precaução séria no seu programa eleitoral.

E o PSD olhava para as minorias. Pode parecer estranho, mas o PSD vimaranense apresentou a proposta de “criação do Fórum da Comunidade Cigana”. Talvez seja distração minha, mas não me recordo de ver nada de especial em terras vimaranenses sobre esta matéria. E é pena. Seria uma inovação social em Guimarães.

4. Havia propostas para repensar a economia, algo que, confesso, continua a preocupar-me: a liberalização total, a qualquer jeito, dando espaço e conceções a quem não é sufragado; sem olhar a consequências. Mas a aposta no associativismo cultural continua a ser atual. E algo que o tempo apagou: a ideia de Guimarães berço da lusofonia e a candidatura da citânia de Briteiros a Património da humanidade eram ideias giras; claramente para eleitor ver. Será que ainda continuarão?

Ah! O PSD olhava para a importância de Guimarães ter rios limpos e vincava a necessidade de “intervir de modo a dar um rio a Guimarães, a conferir um enquadramento urbano e algumas passagens de rios que percorrem o concelho de Guimarães”.

Nota de rodapé: será exagero meu com toda a certeza, mas o que vi e li só fui capaz de ver no programa eleitoral da coligação Juntos por Guimarães um programa do PSD.

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