Muitas vezes as expetativas matam

jornais

Só há demónios no mundo porque nós não humanizamos. Porque demónios somos todos ou nenhum de nós é.

Nuno Lopes, Ípsilon, 17.01.13

 

1. No mundo rápido, apressado e distante em que fazemos de conta que existimos, a informação é fundamental para nos mantermos à tona dos dias. Tão importante que hoje ela é (quase) totalmente controlada por quem já nos domina e se prepara para nos manipular; ainda mais, fazendo de nós uns coitados que seguem vontades alheias por falta de vontade própria.

Exagero meu? Antes fosse.

A esse respeito, registo um exemplo (de uma pequena parte) dessa realidade: “há alguns anos, um boato circunscrevia-se à pequena comunidade onde se tinha gerado. O boato, agora, espalha-se em sinal aberto, num ápice, por milhões de utilizadores ávidos de parangonas que absorvemos sem sentido crítico”. (José M. Carvalho, Visão, 17.01.12)

2. Numa semana que foi dominada pelo congresso dos jornalistas portugueses considero muito importante reter o que de bom por lá aconteceu. E não foram só nuvens sobre o futuro. Mas, mesmo (moderadamente) otimista não deixo de registar que “os media e os jornalistas devem ir contra a corrente. Sei que no contexto atual isso é quase utópico, mas é uma necessidade. Para informações na hora, já temos robôs que fazem noticias”. (Pedro Jerónimo, Expresso, 17.01.14)

Não é por nada a não ser perceber como há tanta gente a fazer de conta que é jornalista; só para faturar (longe de mim estar a olhar para Guimarães e para a sua, cada vez maior, tristeza jornalística). Enão quando é à peça! O que importa é ”fazer render o azeite”!

Assim, onde fica o Jornalismo?

Nota de rodapé: O bartoon, de Luís Afonso, é sempre uma marca forte contra a nossa apatia. Então o do último sábado, dia 14, é mesmo ao jeito do jornalismo que por aí se faz, fazendo de conta que se é. A ideia de um engenheiro civil ir ao congresso dos jornalistas não é só deliciosa, é do tipo: ó pá que andas tu a fazer por aí?

A sério, um engenheiro civil entrar num congresso de jornalistas e “verificar o estado daquele pilar da democracia” é de tirar o sono quando se olha o futuro!

Anúncios