Encarar a estranheza

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Era tão idiota que tinha sempre o nariz enfiado num livro quando alguém se aproximava, embora nunca lesse.

Knut Hamsun, in Mistérios

 

1. Uma das realidades (cada vez mais ausente dos vimaranenses) das memórias eleitorais de 2013 em Guimarães é o Bloco de Esquerda. Peço desculpa ao José Carlos Fonseca e à Carla Carvalho, mas sim!, é um sentimento que não deixa de preocupar.

Claro que sei que houve uma candidatura a Santa Clara, encabeçada por um jovem talentoso, que abdicou temporariamente do seu trabalho de classe para estar por Guimarães, o José Carlos Fonseca. Infelizmente todo esse trabalho se perdeu na memória coletiva vimaranense e no vazio provocado por quem anda por aí feito herói de “capa e espada”.

Mas, e se fossemos realistas e muito práticos?, quem sabe se nos próximos meses o senhor Joaquim Teixeira deixa a vaidade em casa, sobe ao púlpito da assembleia municipal de Guimarães e diz aos vimaranenses que votam Bloco de Esquerda com convicção (principalmente para outros sítios): agora vou dar o meu lugar a quem de facto e a sério, sabe olhar o futuro. Agora vou deixar as minhas memórias sindicalistas e dos tempos de outras militâncias e vou descansar. Tanta gente boa e com olhar vimaranense e de futuro haveria de ver com um encantamento feliz o senhor Joaquim Teixeira noutras andanças.

2. O último programa eleitoral do BE em Guimarães (do BE José Carlos Fonseca e Carla Carvalho) era um conjunto de “compromissos com os munícipes” vimaranenses e um programa “de ideias e princípios” onde o partido defendia a “criação de um gabinete de emergência social”, capaz de “detetar todas as situações de pobreza e exclusão social” como forma de apoiar as pessoas com dificuldades. E o BE apontava algumas ideias concretas: para além da “criação de uma bolsa de habitação, elegível para o regime de renda apoiada”, era importante a “alteração das regras de atribuição de passe social dos transportes urbanos de Guimarãespara que as pessoas “com menos rendimentos” pudessem ter “acesso aos TUG, mesmo com emprego”.

3. É claro que as propostas do BE, de José Carlos Fonseca e Carla Carvalho, olhavam para o passado vimaranense e para aquilo de bom que havia sido concretizado para projetar Guimarães no futuro. Partindo de desafios concretos (“o papel das associações culturaiscomofundamental nas dinâmicas culturais” do território vimaranense) o programa bloquista não hesitava em afirmar que uma câmara liderada por si apoiaria as associações, “cedendo espaços culturais e instalações“ para que estas pudessem “desenvolver as suas atividades”.

Um aspeto curioso (ou se calhar não), do programa do BE para Guimarães passava pela realização de “eventos e feiras”. Tipo festival gastronómico ou feiras artesanais. Para além de “feiras de quinquilharia urbana”.

O “respeito pelo Ambiente” fez-me olhar com muita atenção para o BE e o seu programa eleitoral de 2013. Seja no que concerne a “resíduos sólidos urbanos”, seja sobre as preocupações com a mobilidade ou a água e saneamento.

4. Pena, para mim, é nunca ter ouvido o que quer que seja do senhor Joaquim Teixeira sobre estas realidades. Se calhar até ouvi; foram tantas as palavras desenquadradas do eleito do BE na AM de Guimarães que terei feito alguma confusão.

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