Estrada vazia

pctp-mrpp

Nascemos supérfluos, a menos que sejamos postos no Mundo especialmente para satisfazer uma expetativa.

Jean-Paul Sartre, in As Palavras

 

1. Em início de um novo ano, com o escaparate dentário branco e reluzente; prontinho a desfazer-se em sorrisos encenados, entramos em ano eleitoral – naquelas eleições que mais mexem com cada um de nós; mesmo aqueles que teimam em dizer que não ligam à política – assumo o repto de desafiar as palavras feitas propostas de quem se apresentou em 2013 em Guimarães (para o mandato que ainda decorre) querendo ser futuro dos vimaranenses.

É um desafio ousado. Mas é (apenas e só) um olhar de quem gosta de Guimarães e se preocupa com o futuro dos vimaranenses. E de um cidadão que tem a felicidade de viver num território de referência; e cada vez mais de excelência.

2. Pronto! É uma introdução muito grande para um partido concorrente às últimas autárquicas em Guimarães. Não duvido. Mas, sejamos realistas e não tenhamos medo das palavras e da realidade, quantos vimaranenses se recordam de que o PCTP/MRPP concorreu às últimas eleições autárquicas em Guimarães?

3. O primeiro repto deste olhar já ficou claro, passa por uma coisa que já foi MRPP ou PCTP e, a seguir, juntou as duas siglas e ficou PCTP/MRPP ou, agora, por causa do velho Arnaldo de Matos – como tenho memória de tantos democratas bem instalados na vida a pintarem paredes pelas ruas de Guimarães! E faziam-no com perfeição. Curiosamente um das paredes pintadas com muita classe e com maior insistência com fundo amarelo, palavras a negro e o enorme bigode do “camarada Arnaldo”, era ao lado do espaço onde agora há rituais religiosas de um grupo vindo dos confins do Brasil – já não se sabe bem o que é.

4. Olhemos então com a serenidade possível para o que o PCTP/MRPP propunha há três anos para Guimarães. Num programa tão generalista e vago que deve ter sido por isso que passou ao lado da grande maioria dos vimaranenses. Mas pronto! O que está escrito para a posteridade é que para os senhores do PCTP/MRPP defendiam o respeito pelos idosos e o apoio ao desenvolvimento das crianças, bem como a cobertura do concelho vimaranense com apoio domiciliário para os idosos. Era um desafio eleitoral feito em manual de procedimentos!

Mas o pleno emprego que – desconhecíamos; provavelmente todos, “consiste em empregar toda a população ativa, de acordo com as capacidades individuais, em trabalhos úteis de toda a natureza” – era uma proposta eleitoral dos senhores deste PCTP/MRPP. Que bom seria!

5. E Guimarães? Escapar-me-ia algo de importante nas últimas eleições? Não me ocorre mais nada sobre as propostas eleitorais do PCTP/MRPP para Guimarães no papel que foi sendo entregues pelas ruas vimaranenses em 2013.

Não será preocupante; afinal – para além do senhor Arnaldo de Matos (que idade tem o senhor?) – mais ninguém sabe o que é o MRPP, pois não?

Em Guimarães não; seguramente.

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