Contas de cabeça

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É que tudo até as coisas, num dado momento, foram para mim seres de uma vida extraordinária.

Raul Brandão, in Os pescadores

 

1. Não, não tenho, mas se tivesse responsabilidades numa qualquer empresa pública, jamais aceitaria integrar um órgão de eleição direta.

Se eu tivesse responsabilidades de gestão, sei lá!, presidente do conselho de administração (CA) de uma empresa pública, jamais exerceria uma atividade política pública e sufragada.

Não porque sim, mas porque considero fundamental sabermos onde estamos; ou queremos uma carreia politica ou uma progressão na empresa.

2. Se olharmos com toda a atenção e com o afastamento necessário das cores partidárias facilmente concluiremos que o senhor presidente do CA da Vimágua, em nenhuma circunstância, deveria ter feito a intervenção que fez no período de antes da ordem do dia na última assembleia municipal (AM) de Guimarães.

Não, não é pelo facto de ter respondido direta, clara e tecnicamente ao PSD. Isso, para o caso, pouco importa. E, bem vistas as coisas, o PSD precisa em muitas circunstâncias de uma resposta conhecedora, calma e objetiva.

Ninguém duvida da capacidade de trabalho, estudo e ‘trabalho de casa’  do senhor presidente do CA da Vimágua. Sou o primeiro a dizer que aquilo que o senhor presidente do CA da Vimágua apresentou na AM sobre a qualidade da água que a empresa pública responsável pela água e saneamento nos municípios de Guimarães e Vizela leva às populações destes dois municípios, foi um trabalho sério e da sua lavra.

3. Mesmo que Costa e Silva vinque que a sua intervenção aconteceu na “qualidade de deputado” e que “nada do que disse” resultou da sua condição de presidente do CA da Vimágua, mas do ‘trabalho de casa’, “feito a partir dos sítios eletrónicos” das várias empresas responsáveis pela água e saneamento. O problema é que, como muito bem vincou a deputada da CDU, Mariana Silva, fica sempre a dúvida se (mormente) os gráficos (apresentados por Costa e Silva) são do deputado do PS ou do presidente do CA da Vimágua.

4. A mim como vimaranense, o que me tira do sério não é o que Costa e Silva disse na AM, é ouvir o senhor presidente da mesa da AM afirmar que “a mesa tomará em conta” a forma como o deputado Costa e Silva “usou da palavra, no âmbito de deputado. Não é habitual este tipo de intervenção”. Mesmo que, como sublinhou António Magalhães, não haja “nada que ponha em causa a intervenção do senhor deputado”. Por mim não sou capaz de não registar estas palavras de António Magalhães: a conduta que assumiu agora que foi mais estranha, será “vista pelo gabinete jurídico”.

5. Pelo que aconteceu com a intervenção do deputado Costa e Silva, só me apetece terminar com as palavras de Domingos Bragança, presidente de câmara: “eu conheço bem a Vimágua. É referência na água e saneamento. É procurada para saber se podem avançar com projetos iguais. É entidade que os vimaranenses podem confiar; um bem essencial para a vida: a água. Desde logo porque acredito que Costa e Silva não voltará a falar na AM sobre a Vimágua.