olhar da semana

Às vezes, cada vez mais vezes, Brito, a minha aldeia natal, assoma-se violentamente distante; outras, poucas, na verdade!, tão próxima. É nesse ápice que pincho para os tempos de escola. E tempos de escola primária é ter em frente, no nosso querido recreio, o monte maior das redondezas (por aquela altura era, seguramente): o monte de Penedas. Hoje, muito para além de uma memória distante e fria, diga-se, é uma elevação seca e fleumática onde nada há para além de um parque de estacionamento. Privado. Nada mais. Nem altura tem, na verdade! Mas entre uns seis anos de sacola castanha às costas e os dias de hoje tudo é tão diferente. Violentamente desigual e díspar. E Brito, sinceramente, é cada vez mais uma paragem no tempo; distante. E convencida de que civilização é destruição.

Ah! Esta foto é de 21 de janeiro de 2007.

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Discriminação silenciosa

Vi um sorriso no parêntese do teu olhar.

José Luís Peixoto, in Morreste-me

 

Mãe!, por favor, ajuda-me. Estou doente.

Não saio deste pesadelo horroroso: a senhora Inger Stogberg – ministra da imigração na Dinamarca: aquele reino lindo que me ensinaste a gostar, escrito pelo senhor Alexandre O’Neill, lembras-te? – quer alojar imigrantes indesejáveis numa ilha isolada outrora usada para colocar animais contagiosos.

Não, mãe! Não estás velha, nem ouviste mal, este mundo é que está um caos tremendo.

Posso abraçar-te, mãe?

Cerco final

Foto: Paulo Cunha (Lusa)

A diluição de responsabilidade é um fator maior de insegurança.

Luís M. Faria, E, 18.11.24

Caramba, senhor Rui Rio!, dizer que cinco Sá Carneiros e nós resolvíamos isto. Não eram precisos dez Salazares (discursando numa conferência de homenagem a Sá Carneiro) é de gajo à deriva, não é?

Assim, toda a gente começa a perceber como Marcelo Rebelo de Sousa não se incomoda nada com a saída de Paulo Almeida Sande para o parlamento europeu.

Ah! Senhor Rui Rio, o desnorte não permite – nunca pode permitir – que se libertem os fantasmas que trazemos dentro de nós; mesmo os mais agressivos

Ou não; se não quisermos estar na vida pública.

Cidade adiada

As novas regras, tal como estão, vão acabar com a internet que conhecemos. Isso, sim, é um facto. Porque se temos, ainda um espaço sem controlo centralizado, meio anárquico, em que cabe tudo (…) o que a União Europeia tem em andamento é uma tentativa de normalização forçada, uma acrescida burocratização (leia-se, censura) de um espaço tendencialmente livre.

Luís António Santos, professor de jornalismo e vice-diretor do Centro de Estudos de comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, Expresso, 18.12.08

Com as mãos sujas

foto: filmspot.pt

As massas odeiam as elites; é o nosso credo.

Clara Ferreira Alves, E, 18.12.08

 

Numa entrevista ao Ípsilon, António-Pedro Vasconcelos considerou que “o único cinema político neste momento” é o dele. Eu fiquei estarrecido. Enquanto lia a conversa, listei Cavalo Dinheiro, As Mil e uma noites de Miguel Gomes; Colo; Fábrica do Nada, de Pedro Pinho, escreve Vasco Câmara no Ípsilon do passado dia 18.

Vi todos estes filmes e não me recordo qual foi o último que vi de António-Pedro Vasconcelos.

Ah! Se qualquer destes filmes não nos mostrar realidades doentias, violentas e dolorosas dos dias dos portugueses, então alguém vai ter que levar unes murros do Nuno Lopes, para acordar do sonho conservador.

Charme de decadência

imagem: nitifilter.com

Porque desejar um sol eterno, se partir à descoberta da claridade divina – longe daqueles que florescem e morrem com as estações.

Jean-Arthur Ribaud, in Iluminações

 

Preocupações com o fim dos tempos: Apesar dos acordos, emissões de dióxido de carbono aumentaram; outra vez.

Não dá para entender?

Dá; claro!

O comodismo, o ‘deixa lá’ e o ‘que se foda!‘, não é a nossa atitude normal; todos os dias?

Este olhar não é vaidade

foto: facebook da banda

Na música portuguesa acho mesmo que há espaço para os Shaduf (projeto musical sediado no Circulo de Arte e Recreio).

No meio da música mais tradicional, da world music, há muita coisa, mas ainda há muito que ainda não foi explorado. Penso que trazemos uma interpretação diferente.

Catarina Valadas, vocalista da banda Shaduf, Mias Guimarães (revista), dezembro 2018