Não há memória sem esquecimento *

Se voa o mundo como uma enorme barata, o que poderia esperar dos meus semelhantes?

Virgilio Piñera, in O grande Babo e outras histórias

 

Escreve Joaquim Martins Fernandes (Diário do Minho, 17.08.21) que “Braga é a terceira cidade do país no público em espetáculos ao vivo”. E justifica o seu trabalho, ou melhor, a sua afirmação dizendo que “é na área da cultura que Braga se afirma”. E, caramba!, diz o jornalista do Diário do Minho que “só em Lisboa e Porto as sessões de teatro, os concertos e outros espetáculos artísticos cativam mais público que na capital minhota”.

A sério, Joaquim?

E esses números são de onde?

Da Fundação Manuel dos Santos, na base de dados PORDATA?

A sério, Joaquim?

E em que se baseiam esses números da Fundação Manuel dos Santos?

Ah! Só no final da peça jornalística é que descortinamos a verdade:

«trata-se, no entanto, de uma evolução face ao ano de 1999, data em que Braga “não dispunha de nenhuma sala”».

Assim não vale, Joaquim. Quase me convencias que Braga é a terceira cidade portuguesa em espetáculos culturais.

Mesmo que muitas notas oficiais (ou oficiosas) possam servir de suporte a muitos trabalhos jornalísticos.

 

* nem história sem contradição.

 

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Perder é importante

Era impossível fazer pior depois de Mesquita Machado, em particular depois dos desastrosos meses do seu derradeiro mandato. Por isso, tendo ganho as eleições de 2013,

a Coligação Juntos por Braga tinha o caminho aberto para brilhar. Conseguiu desiludir em inúmeras áreas, incluindo naqueles em que podia falhar.

Luís Tarroso Gomes, Rua, setembro 2017

 

Olhar zangado

O ato de lançar a tortilha no ar é um triunfo da serenidade sobre o terror.

Virgilio Piñera, in O grande Baro e outras histórias

 

Com a memória do “eu tenho um sonho”, de Martin Luther King, mais de mil líderes religiosos marcharam, 54 anos depois, em Washington, pelos direitos civis e contra o governo de Donald Trump, leio no suplemento do Diário do Minho, Igreja Viva, na sua edição do passado dia 7.

 

Registei do texto, um excerto do que foi dito em público nessa manifestação:

estamos aqui para que o país saiba que não toleramos o racismo. Estamos aqui para que o país saiba que não toleramos o fanatismo.

Há movimentos lindos, às vezes!

 

 

Falar de deus é pecado

Foto: hiveminer.com

Abomino, pelo aborrecido que me palpita ser, a ideia de um medo libertino

Manuel S. Fonseca, E, 17.09.09

 

Coisas que não entendo – ou, se calhar, são (mesmo) só confusão do meu olhar: Rui Massena e o seu Rui Massena Banda tem agendado seis concertos ao vivo. Coisa linda, senhor maestro!

O mais perto dos vimaranenses destes concertos – programado para o dia 26 de janeiro próximo – é em Braga; no Teatro Circo. Merda!

Não era este senhor que andava por terras de D. Afonso em tempos de capital europeia da cultura?

E não era ele que se dizia apaixonado por Guimarães e pelas suas realidades?

Felizmente que há em Guimarães outras coisas lindas. Mesmo na área em que o senhor mastro Massena navega.

Experiências com fracasso; impossível desejo de crescimento

Há momentos em que a prudência no discurso é aconselhada.

Catarina Martins, Expresso, 17.09.09

 

Na dúvida que continuo a manter; na verdade!, não me sai da cabeça quando olho para o exagero de palavras que alguns vimaranenses – incluindo alguns daqueles que (ainda) persistem em dizer que o poder politico sediado em Santa Clara não quer saber do Vitória – sobre o verdadeiro dono do posto de abastecimento de combustível ali bem junto ao pavilhão do INATEL e logo ao lado do estádio do Vitória. Ou, se não o dono, quem gere aquele espaço.

Quando (me) tinha assumido que não olharia para as parvoíces dos dias eleitorais que cruzam os dias eleitorais que cruza de forma intensa Guimarães, eis que me cai sobre a almofada quente um olhar para o qual não encontro resposta. Ou então, foi mesmo um sonho; feito

pesadelo tudo o que ouvi e li nas últimas semanas sobre apoios municipais a coletividades desportivas.

 

Elevado desempenho

foto: Miguel A. Lopes (Lusa)

Vocês veem as coisas como elas são e perguntam-se porquê? Eu sonho com coisas que nunca foram e digo: porque não?

George Bernard Shaw, escritor irlandês

 

Há uma entrevista a Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda conduzida pelos jornalistas Adriano Nobre e Luísa Meireles, que tira todas as pedras do caminho por onde seguirá o Portugal do senhor Costa dentro de pouco tempo. É uma entrevista muito, muito importante onde os dias que aí vêm depois das autárquicas – altura em que o senhor Costa perceberá que perdeu – e, no que concerne ao Orçamento de Estado do próximo ano.

Dessa conversa com os jornalistas do Expresso fico, assim de repente, com duas afirmações de Catarina Martins. A primeira que faço questão de vincar é esta: quando se fala de um Bloco brando, é a saudade que a direita tem do partido de protesto.  Que bom! E essa direita anda por aí feita pavão vaidoso, porra!

Depois duas afirmações que sossegam as minhas noites:

Há esta retórica no PS de que se tivesse a maioria absoluta ia fazer o mesmo. Não significa nada, não vai.

E o PS, e não é de agora, interiorizou o discurso de austeridade europeu. Mesmo quando compreende os resultados económicos positivos e fica contente com eles.

Pronto! Sempre gostei de quem não está com meias palavras e mariquices.