realismo social?

vamos, meus queridos!

estamos em portugal – vivemos – dizem; num cantinho

abençoado onde poucos recuperam

de um fracasso.

 

e, depois, vieram uns senhores

que nos apagaram

a memória coletiva; deram ideias ocas

e a morte

(um poder negro e vestido de censuras

em forma de cifrões)

promessa maldita: a real finitude

e a perceção do silêncio num tempo

em constante movimento.

vamos meus queridos

de encontro às promessas malditas!

 

matam-nos, esfolam-nos; sempre

prontos a desfazer a beleza

da alma interrogativa – já lá vai

o tempo de uma geração feliz; e nós

estamos em portugal – abraçando

a caducidade da vontade; própria

vamos até onde?

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degolação da história

um confim negro cobre a cidade dos ruídos

carros sem alma aceleram

(e destroem)

a pressa de viver

acendem o branco atávico dos rostos perdidos

na água escura dos labirintos cerimoniais

(ferem o vazio da festa caótica dos dias!)

 

é o fim da música da palavra; perdida

na língua das borboletas

que vagueiam na busca das raízes do Homem

Curva assassina

Ciência tem o inefável dom de curar todas as mágoas.

Machado de Assis, in O Alienista

 

Coloquemos o dedo numa ferida maldita: entre os anos de 2011 e 2016 apenas 34 (dos 308) municípios portugueses viram a sua população crescer.

(olhe-se para os números do Instituto Nacional de Estatística, divulgados no passado dia 9 de outubro).

Refira-se que nesse período Portugal perdeu 233 mil habitantes.

 

Reparemos nos municípios que aumentaram o número de habitantes: Maia, Paços de Ferreira, Sintra, Albufeira, Lagoa e Ribeira Grande. E, caramba! haverá alguns municípios do país condenados à irrelevância demográfica.

Mas se compararmos com o interior de Espanha ou França – dir-nos-ão alguns defensores da destruição das réstias da Lusitânia – a nossa densidade populacional consegue ser superior

(olhe-se para as palavras de José Alberto Rio Fernandes, professor catedrático de Geografia e presidente da associação de geógrafos, no Jornal de Noticias – 17.10.10)

 

Em suma, muito mais do que políticos sempre prontos

(em anos eleitorais; ou muito próximo)

para pagar as astronómicas dividas que impendem a cura das dores das famílias, não seria mais interessante pensar que depois de todas os cêntimos pagos já não haverá portugueses?

 

O que o poder produz!

Suponho o espírito humano uma vasta concha, o meu fim é ver se posso extrair a pérola, que é a razão.

Machado de Assis, in O Alienista

 

Será o PS um partido inclusivo?

É!

Então por que razão demora (tanto; mesmo imenso tempo!) a sede nacional daquela força partidária a aceitar a filiação de pessoas de etnia cigana?

O texto que Margarida Gomes assina na página 10 do jornal Público de quinta-feira, dia 7, diz tudo.

 

Se o meu olhar sobre as palavras da jornalista do diário Público está correto o PS borrifa-se solene e literalmente para as minorias. Até parece a comissão dos putos nicolinos deste ano; aqui por terras afonsinas!

Que dó; meninos!

Somos culpados e matamos futuros II

Prefiro ser rude e apontar com o dedo a ser acusado de conluio com qualquer dos falecidos filósofos franceses dos últimos anos.

Manuel S. Fonseca, E, 17.12.01

 

Adoro a liberdade; a opção individual sobre as ações e atos ou atitudes.

 

Adoro a liberdade que os partidos concedem às pessoas; os seus militantes. Oh! Se adoro!

Adoro a forma como as estruturas de poder adoram a liberdade de cada um, quando se trata do endeusamento ou do culto do chefe.

AH! Adoro a liberdade de pensamento; expressão e olhar. Aqui, lá mais em cima ou ali mais ao lado.

 

Como adoro pensar, olhar e expressar-me livremente deixei de adorar as estruturas e/ou instituições onde o culto do chefe, o endeusamento do líder ou a criação de um deus – com ou sem celebrações, parlamentos ou altares – são

(apenas)

janelas para o tributo.

 

Qualquer semelhança com os dias que correm nos dias processuais dos partidos, seitas ou grupos religiosos, não é mera coincidência; apenas faces de uma mesma moeda.

Tempo de grandes mudanças

Gravura: Helder Oliveira (Expresso)

O verniz estalou na ‘geringonça’ e não foi bonito de ver.

Luísa Meireles, E, 17.12.01

 

 

Mariana Mortágua – com o tempo certo e a apalavra exata – foi clara: o governo não honrou a sua palavra. O governo, todos sabemos, é o governo do senhor Costa. A palavra – tomara que a palavra fosse respeitada! – está nos acordos, à esquerda, que permitiu (ainda) manter o governo do senhor Costa.

A palavra – como seria de esperar; depois de tudo o que (todos) conhecemos, é uma vacuidade na gestão dos dias para o senhor Costa.

Resultado: a geringonça – parvoíce feita história de um senhor que por aí vai falando de “brigadas de ação rápida” – acabou.

E os dias já o disseram. Pela voz do mais que tudo do senhor Costa e do (dizem que será o próximo primeiro-ministro de um – outro – governo do PS) ministro dos transportes.

 

Realidade linda

foto: guimaraesturismo.com

 

Todo o gesto criativo está relacionado com o conceito de falta.

John Romão, ator e encenador, E, 17.05.06

 

 

Terminou, com os taipenses Smartini uma das apostas mais inteligentes na programação de Vila Flor no ano que está prestes a terminar: o som de GMR. Foi no primeiro de dezembro, dia da restauração – aquele feriado que os tipos da troika com o beneplácito do governo reacionário de Pedro e Paulo nos haviam roubado.

Para quem, como eu, assistiu a todos – perdão, senhores dos Paraguaii, não estava por cá, mas sei que estiveram em grande! – os espetáculos deste ciclo com bandas de Guimarães, nesta altura só posso dizer: a aposta no que de muito bom se faz em Guimarães no campo musical foi ganha. E que nem sempre o que luz em ribaltas (que só muito poucos conhecem o interrutor) é o melhor.

E Guimarães tem tantas coisas lindas, caramba!

Por mim, e sendo certo de que é, apenas, uma opinião, a de quem acompanhou, mais ou menos de perto, os concertos no café concerto de Guimarães, quero colocar em destaque três bandas e/ou artistas que gostei, gostei mesmo. De todos os concertos vinco: Ana, El Rupe e This Penguin Can Fly.

Sim! Tenho consciência de que é uma opinião.

Mas esta é a minha. E é muito sentida.