tendas da miséria

Sinto-me furiosa quando vejo políticos a mentir na televisão.

Vanessa Redgrave, Visão, 17.10.05

 

Espera lá! Terei mesmo lido bem?

Ó se li!

Os senhores da Bloomberg disseram (ver jornal Público na sua edição do último sábado) que Portugal é o 25º país do mundo com mais miséria.

Foda-se!

Não brinquem mais com a dignidade das pessoas, senhores políticos, por favor!

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Ainda há muitos brindes à guerra?

Cada povo e cada cultura que tenta sobrepor-se a outra provoca muita violência.

Vitorio Storaro, E, 18.01.13

 

Há um acontecimento em Vila Nova de Famalicão – podia ser num qualquer município desde país parvo e hipócrita que só olha para números (sejam de exportação, seja de crescimento à bruta numa qualquer promoção municipal) – que deve envergonhar a normal e simpática atitude de harmonia dos portugueses.

Pelos vistos – e vamos tentar perceber calmamente o que se passa – há uma escola, na freguesia de Meães, no município de Vila Nova de Famalicão que, mesmo que digam todas as coisas do mundo, é segregadora.

Desde quando é que uma escola, ou turmasó tem crianças de etnia cigana”?

Porra!

Se em alguns municípios só os números de exportações contam estamos falados!

Visão armadilhada

foto: turnupthatvolume

A última vaga reacionária que anda a ver se acerta caneladas na liberdade artística chama-se “apropriação artística”. Para os seus sicários, certos termos só podem ser tratados por artistas quem deles tenha vivência identitária.

Manuel S. Fonseca, E, 17.12.30

 

1. Sexta-feira difícil em Guimarães – a última – para quem, ao fim de uma semana de trabalho, não se quer ficar pelo vazio televiso!

Na escolha pessoal fiquei-me pelo Centro para os Assuntos da Arte e Arquitetura (CAAA) –  ali nas antigas instalações de uma indústria de malhas, na rua padre Augusto Borges de Sá.

Uma opção contestável como todas as opções, evidentemente!

Ou seja, escolhi ouvir uma das bandas portuguesas em crescendo que mais admiro: os Sunflowers; precedidos pelos Elephant Maze.

Insisto: uma opção; como qualquer opção, mas uma opção de que não me arrependi, apesar da má disposição (momentânea, espero!) gástrica do Carlos de Jesus.

 

2. É verdade que gostaria de ter estado (já me disseram que não perdi nada; mas gostava, mesmo assim) no café concerto em Vila Flor. E ouvir Josephine Foster.

3. Sim, também teria muito gosto em passar pela Francisco Agra; e mais concretamente no Círculo de Arte e Recreio para dar uma espreitadela no espetáculo

4. Em suma: não estou nada triste pela opção; estou apenas desiludido por não ser possível – para mim, claro! – estar em outros lados. Mas como não tenho o dom da ubiquidade! Limito-me a lamentar que não possa existir uma certa harmonia de agenda; a começar pelas associações que recebem do mesmo orçamento ou do mesmo bolo que suporta as programações públicas. Pelo menos no que concerne ao tipo de espetáculos; ou melhor, da mesma área. E não adianta acenar com a multiprogramação numa cidade que se quer afirmar como grande metrópole cultural. Porque, se sairmos do miolo urbano, Guimarães é minúsculo e não se pode dar ao luxo de desperdiçar a presença das pessoas nos diferentes espaços.

5. Sim, sei muito bem que, principalmente, depois de 2012 – por mais detratores draconários; parece que devia ter escrito reacionários, mas em frente!, ou liberais qualquer coisa (que é como quem diz: individualistas que usam um umbigo maior do que a moda; mesmo a moda que faz produtos fora de moda, mas construídos noutros espaços onde se vive à custa de impostos municipais baratos ou oferecidos ao desbarato) – numa cidade que é (felizmente) uma espécie de metrópole à escala nortenha, não existe harmonia entre quem produz e promove (também) a Cultura.

6. Só tenho uma dor – e sem nenhuma espécie de cinismo: lamento profundamente que em minha casa não tenha um espaço (por mais pequeno que fosse) onde pudesse pôr uns discos a tocar para a malta! Com apoios público, pois claro!

Claro que sei que só estaria eu em casa, de portas abertas e luzes brancas sobre a rua à espera!

Nota final: que pena, Carlos de Jesus, o concerto não ter mostrado na totalidade o! Acredito que agora só estava a recordar uma noite muita boa no CAAA!

olhar o tempo perdido *

houve um tempo em que não corríamos; tempo

em que o ladrão se sentava à nossa porta. recuei

à minha infância. é verdade! – entre o pensamento dorido

e o espanto – regressei

à imensa fragilidade humana; passos inseguros

um tempo em que o tempo era nosso. muito nosso!

hoje, o silêncio inaceitável. uma pedra obstruindo

o caminho e o passado. são horas, dizes tu! rasga-se

uma cortina de gelo. teimosa como o tempo curador! não.

já não saras! nada

é milagre verdadeiro – ninguém é melhor do que tu

na preferia do diálogo que nos prende

ao tempo do ladrão à porta.

houve um tempo em que o tempo era nosso. agora

não!  vejo o tempo consumindo o tempo. para lá

da fronteira de nós. esse tempo já não é nosso!

já não somos

já não corremos; não temos o ladrão perpetuamente

à nossa porta. é o tempo que nos leva para além do tempo.

tua ausência em mim? queres mesmo um tempo assim? e depois de nós

o que nos levará ao tempo em que não corríamos?

 

* obrigado josé niza

Tabelas, favores e fretes

 

Eis a realidade das tabelas que teimosamente fazem e desfazem escolas em Portugal:

Ranking: uma só aluna fez a escola subir 800 lugares e já lhe chamam “a Miguel Relvas de Alcoutim”.

 

A aluna, já pediu para parar de lhe chamar isso porque passa a vida a receber telefonemas de caciques do PSD a pedirem “Ó Dr. Relvas, facilite isto ou facilite lá aquilo. Dê um jeitinho e fale à malta que ainda temos no ministério.

 

o Inimigo Público, 18.02.09

 

Nota de rodapé: e se não fosse a brincar?

cogitação nos azos que por aí deslizam II

foto: wook.pt

Sempre me foi ensinado, no tempo em que ouvíamos com atenção o que os mais velhos nos iam dizendo, que é importante deixar assentar a poeira sobre muitas das coisas que se vão ouvindo, mesmo que saídas das bocas mais responsáveis. Talvez por isso, tenha registado com muito apreço as palavras de um senhor com uma linda idade, Bento Domingues, um dominicano nascido pelas belas terras de Bouro. Estão na edição de hoje do semanário Expresso, mais concretamente na revista E.

Sim! Estou a olhar para uma certa nota pastoral saída há dias na diocese de Lisboa. Vale, pois a pena, começar pela diocese – “isto é um ato do bispo de Lisboa, que não é patriarca das outras dioceses” – na citação de Bento Domingues, para quem, “não houve orientação nenhuma, mas uma espécie de delírio mental”. E vinca: “foi um ato falhado sobre algo que, em primeiro lugar, devia remeter para consciência do casal”.

Ou seja, “é o casal quem deve decidir a sua vida íntima. Nenhum padre, nenhum bispo, ninguém se pode intrometer. É ridículo!

E pronto! É um olhar sereno sobre amoris lætitia .

cogitação nos azos que por aí deslizam

 

foto padrescasados.org

Nas respostas às consultações promovidas em todo o mundo, ressaltou-se que os ministros ordenados carecem, habitualmente, de formação adequada para tratar dos complexos problemas atuais das famílias; para isso, pode ser útil também a experiência da longa tradição oriental dos sacerdotes casados.

Nº 202 da exortação apostólica pós-sinodal amoris lætitia do papa francisco